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São 12 jantares para ajudar as Aldeias SOS. Cada um custará 50€ e as receitas serão distribuídas em partes iguais pela instituição, para ajudar crianças e jovens em Portugal e no Nepal.

“Obrigada”, começa por dizer o chef Tanka Sapkota, que celebra 30 anos da sua chegada a Portugal – vindo do Nepal, com pouco mais que um casaco e a ajuda à distância de um primo, que enviou dinheiro “que voltou para trás”, partilha entre risos – e não se cansa de dizer o quão grato está pela forma como foi recebido, como ainda é. Agora, faz questão de retribuir. Durante um ano, na primeira quarta-feira de cada mês, a Casa Nepalesa é palco de um jantar solidário. O primeiro acontece a 6 de Maio.
A ideia é proporcionar uma “Viagem ao Nepal”. É esse, aliás, o nome do ciclo gastronómico, cujas receitas revertem totalmente, e em partes iguais, para as Aldeias SOS em Portugal e no Nepal. O menu, que custa 50€ por pessoa, percorre tradições culinárias de várias regiões da sua terra-natal, das montanhas cobertas de neve às planícies verdes, sem esquecer, claro, os Himalaias. Em paralelo, estão ainda programados espectáculos de dança e música tradicionais, interpretados por nepaleses que vivem em Portugal.
“Tenho muita gratidão para com os portugueses. Acho que o maior e mais importante tesouro dos portugueses, tal como dos nepaleses, é a humildade e a forma como recebem as pessoas”, elogia o chef nepalês, comovido por esse sentimento, mas também pela oportunidade de dar a conhecer o seu país, as tradições, a cultura, os sabores e até as paisagens de fazer cortar a respiração. “É nosso dever dar a conhecer o nepalês, não só atrás do balcão ou na agricultura, mas como tendo mais qualquer coisa que podemos partilhar, o nosso património. Então, vamos mostrar a cultura nepalesa ao português.” Incluindo artistas que trabalham em restaurantes por não terem encontrado empregos na sua área de formação. “Têm talento que é uma pena não o mostrarem. Quero que vejam.”
Marcados para as 18.30, os jantares – que têm início a 6 de Maio e se prolongam até 5 de Maio de 2027, com uma pausa durante o próximo Verão – começam sempre com um momento de recepção, com a projecção de um vídeo. Ao longo da noite, e já na mesa, servem-se os pratos em três momentos, intercalados com actuações. Das entradas às sobremesas, o menu – de receitas tradicionais, inclusive da vila de Damek, em Baglung, onde o chef cresceu – combina produtos portugueses com ingredientes oriundos do Nepal.
Tudo começa com o Himalayan Whisper, que combina vinho do Porto e rum nepalês envelhecido, harmonizados com tónica Fever-Tree e “a essência das especiarias selvagens da montanha”. Seguem-se duas entradas, uma chamuça de legumes e um dos pratos mais emblemáticos da cozinha nepalesa, o momo, um dumpling de massa fina de trigo, recheada com frango do campo e especiarias, servido num caldo de cabrito, ligeiramente aromatizado com sinki, um espinafre selvagem das montanhas do Nepal.
Nos pratos principais, há guisado de lentilhas com gengibre, coentros, óleo de mostarda e especiarias; frango do campo cozinhado com avelãs e especiarias moídas à mão; rebentos de bambu biológicos da aldeia do chef, cozinhados em lume brando com feijão-verde longo, também biológico; cabrito DOP de Trás-os-Montes, cozinhado com osso em lume brando e envolvido em molho de caril tradicional; e javali de caça, de Évora, cozinhado durante nove horas, com cogumelos frescos e espargos verdes, novamente com molho de caril. A acompanhar, vinho branco Vinha Grande 2022 e tinto Vinha Grande 2021.
Já as sobremesas, vêm num trio, que o chef recomenda comer pela seguinte ordem: khira, um arroz doce tradicional do Nepal; trivent, uma manga cremosa – seleccionada e transportada de avião –, sob uma camada crocante de bolacha de coco, finalizada com frutos secos, amendoim, avelã, semente de abóbora, coco laminado e chips de banana; e, por fim, como digestivo, folhas frescas de bétele cuidadosamente preparadas com pedaços de coco, caju, amendoim, sementes de funcho e açúcar cristal. Para terminar em grande, só uma caminhada “de pelo menos 30 minutos”, diz, não sabemos se a brincar se a sério, mas aceitamos o conselho.
Estávamos em 1996 quando o chef nepalês Tanka Sapkota chegou a Portugal, após passagens pela Alemanha e por Itália, onde se especializou em gastronomia italiana. Actualmente, gere quatro restaurantes em Lisboa: Forno D’Oro, Come Prima, Il Mercato e, claro, a Casa Nepalesa, onde honra as suas raízes e a memória dos pais, Kalawati e Jagupati. Além do mérito do trabalho na cozinha, que já lhe valeu vários prémios, incluindo o título de Cavaleiro da Ordem das Trufas e do Vinho de Alba, Sapkota tem também lançado várias iniciativas de solidariedade social, tendo também uma participação activa na ajuda às populações vítimas de catástrofes.
“Esta parceria com a Casa Nepalesa mostra que, de facto, todos temos um papel importante na defesa da infância. Este projecto, que nasce da interculturalidade, um valor também presente na intervenção das Aldeias de Crianças SOS em Portugal, vai permitir-nos chegar mais longe e reforçar a nossa capacidade de apoiar crianças, jovens e famílias em situação de maior vulnerabilidade. Mais do que uma iniciativa solidária, é um exemplo inspirador de como a cultura, a gastronomia e a responsabilidade social se podem unir para gerar impacto real e transformar vidas”, comenta a directora-geral das Aldeias de Crianças SOS em Portugal, Guida Mendes Bernardo.
Agradecido está também Ganga B. Gurung, o director nacional da ONG no Nepal, a SOS Children’s Villages Nepal, que relembra que a protecção infantil não conhece fronteiras geográficas. “Trata-se de uma responsabilidade moral colectiva”, reforça na mesma nota, onde Tanka Sapkota subscreve essa ideia e assume o compromisso de ajudar duas instituições que respeita e admira. “Esta é uma iniciativa muito especial para mim e que abraço com muito carinho”, confessa.
Se quiser contribuir para a ajuda às Aldeias de Crianças SOS, uma ONG presente em mais de 130 países, e em Portugal há mais de 60 anos, aponte na agenda as datas dos próximos jantares solidários: 6 de Maio, 3 de Junho, 2 de Setembro, 7 de Outubro, 4 de Novembro, 2 de Dezembro, em 2026, e 6 de Janeiro, 3 de Fevereiro, 3 de Março, 7 de Abril e 5 de Maio, em 2027. O preço de 50€ inclui um aperitivo, duas entradas, cinco pratos, três acompanhamentos, dois copos de vinho – um branco e um tinto – e um trio de sobremesas. Inclui também, temos a certeza, a gratidão de Tanka Sapkota, que no final da apresentação desta iniciativa entregou uma carta a todos os presentes. “Obrigada” podia ser o resumo.
Avenida Elias Garcia, 172A (São Sebastião).
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