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Ludovica Rocchi abriu o Fiammetta há cinco anos, em Campo de Ourique, e deu-lhe agora um irmão. Aqui há mais espaço e novas receitas – o que não muda é a qualidade dos ingredientes.

Cresceu entre a cozinha e as mesas da pastelaria e do restaurante da avó, mas pensou que o seu caminho era longe dali. Durante 15 anos, Ludovica Rocchi trabalhou em moda, viajou pelo mundo, conviveu com designers, modelos e actores, esteve nas maiores semanas de moda e nas mais importantes entregas de prémios. Depois apaixonou-se por um português, mudou-se para Lisboa e percebeu que não podia manter o ritmo frenético. Mas o que lhe restava, além da moda? A restauração. Duvidou até ao último minuto, mas assim que abriu as portas do Fiammetta, em Campo de Ourique, teve a certeza de que tinha feito a escolha certa. “Nesse momento pensei: é isto que tenho no sangue.”
O Fiammetta destacou-se como mercearia de produtos italianos e restaurante (conquistou cinco estrelas do nosso crítico Alfredo Lacerda, que na altura escreveu: "(...)é um desses raros casos de restaurante italiano a sério. Aqui, não se pisca o olho ao turista ocasional que foge da cozinha portuguesa e de tudo o que não tenha esparguete, nem se pretende captar os milionários que acham que Milão é a capital do mundo. O Fiammetta quer dar a comer bons produtos italianos, de forma simples, servidos a preceito. E isso é muito."). Oito anos depois de abrir, ganhou um irmão: o novo Tantazzi. Neste segundo espaço, nas Avenidas Novas, a sala tem mais mesas e a cozinha é maior e fechada, permitindo preparar novas receitas.
“O Fiammetta é a minha paixão, mas tem uma cozinha muito pequena. Fazemos milagres com aquele espaço, mas não conseguíamos crescer mais ali”, explica Ludovica à Time Out. Numa noite em que estava acordada com a filha mais nova, doente, começou a navegar pela Internet e encontrou este espaço. “Chamou-me a atenção por ser uma antiga pastelaria. Em Roma, tudo começou como pastelaria também, pelas mãos dos meus avós.” O sinal parecia claro e, assim que visitou o local, ficou encantada, apesar de precisar de obras. Quando arrancaram o pladur do tecto, tiveram uma agradável surpresa: uma estrutura de madeira suspensa que, até agora, ninguém conseguiu perceber para o que serve, mas que dá um charme único à sala. No prédio de 1931 funcionou durante largas décadas a clássica pastelaria Eiffel.
A antiga bancada, enorme, demorou quatro dias a ser desmontada para garantir mais espaço e dar lugar a algo mais moderno. A decoração é agora contemporânea, de linhas direitas, e as janelas foram substituídas, para dar mais luz e conforto. Os janelões de correr, no Verão, estarão totalmente abertos, com um balcão de frente para o passeio. Para preservar alguma memória do que ali foi em tempos, a proprietária passou os néon azuis do exterior, que identificavam o espaço como snack bar, para as casas de banho. “Snack” indica o caminho para as mulheres e “bar” para os homens.
Ludovica desloca-se entre os dois restaurantes de mota para fugir ao trânsito e ganhar tempo. Se faltarem ingredientes num, o outro aparece em auxílio, partilhando parte do stock. As semelhanças não vão muito além disso. “Sempre soubemos que não seria um segundo Fiammetta, porque esse tem a sua própria identidade, não queríamos começar um franchise.” Se no primeiro, a memória da mãe está em todo o lado, neste segundo, a funcionar desde o final de Setembro de 2025, a responsável quis regressar às origens – mais precisamente às recordações da avó Fosca Tantazzi. “Os ingredientes que usamos aqui são todos os da minha infância. Sempre comemos beringelas e conseguimos fazê-las de uma forma que toda a gente gosta. O raviolli de alcachofras também. O meu pai às vezes manda-me 40 alcachofras de avião. Somos uma família um pouco louca.”
Louca ou não, são uma família que sabe agradar aos clientes – prova disso é o facto de o Fiammetta de Roma ainda existir (agora gerido pela irmã de Ludovica), 81 anos depois de ter aberto as portas. A avó trabalhou até aos 92. “Mesmo quando já estava bastante idosa e com problemas de visão, saía de casa para ir para o restaurante. Às vezes já não conseguia perceber bem onde estava e parava alguém na rua. Dizia: ‘Sabe onde fica o Fiammetta, na rua tal? Se me ajudar a chegar lá, ofereço-lhe o jantar’. E aparecia, assim, de braço dado com alguém.”
No Tantazzi, a carta, a cargo de Thibault Gilardi, deverá mudar duas vezes por ano. O crostino di mozzarella di bufala e ‘nduja (12€) já é um dos incontornáveis nas opções antipasti. É feito com mozarela de búfala e pasta de chouriço picante da Calábria.
Nas pastas, o spaghettoni com grelos saltati, acciughe e crema di ricotta (16€) é fresco e rico em sabores. “Em Itália temos os spaghettoni com anchovas e broccoletti, que é um legume que aqui não se encontra. O mais fácil de encontrar aqui são grelos, que é o mais parecido e achamos que funciona muito bem. Tem uma redução de ricota que tira um pouco a acidez da anchova.” O melhor é escolher pratos para partilhar porque, a este, deve juntar-se o gnocchi fritti con crema di tartufo e pecorino (18€). Os gnocchi são fritos e o creme trufado mantém-se na boca durante muito tempo.
Em comum com a casa mãe, em Roma, há um prato: tagliata al pepe verde e rosmarino (20€), fatias de novilho braseado, aromatizado com pimenta verde e rosmaninho. Outros obrigatórios são a scaloppina alla milanese (18€), escalope panado, e o mezze maniche alla carbonara (16€).
Nas sobremesas não invente: escolha o tiramisú (8€) e não se fala mais nisso. Ou o cannoli siciliani (8€). Ou a torta caprese al cioccolato (6€).
Tal como no Fiammetta, também aqui há charcutaria, massas e bolachas para levar para casa. “Os clientes vêm, comem, gostam e compram.” E quando o tempo aquecer, lá para Março, vai ter direito a uma esplanada com 20 lugares. Até lá, o ambiente acolhedor convida a jantar ou simplesmente a fazer uma paragem estratégica. Quando a cozinha não está a funcionar, os clientes podem sempre petiscar qualquer coisa, com um copo de vinho (identificados numa ardósia, começam nos 5,50€) ou uma das mais de 80 referências da carta – escolhidas a dedo pelo marido de Ludovica, um advogado que se orgulha do sucesso da mulher e que dá uma ajuda sempre que pode. Foi por Manuel Brandão que Ludovica ficou em Lisboa, há 12 anos, e aqui percebeu que não vale a pena fugir àquilo que estamos predestinados. “Posso ter-me desviado para uma carreira completamente diferente, mas agora não consigo imaginar-me a fazer mais nada."
Av. Elias Garcia, 9 (Avenidas Novas). 937 413 342. Seg-Sáb 11.00-00.00, Dom 11.00-17.00
Começar o ano a comer fora é difícil, mas não impossível. Para evitar desesperos financeiros, juntámos os melhores restaurantes até dez euros e, vá, na loucura, até vinte. No campo das novidades, tem pizza al taglio na Coccinella, bife no Blade, comida japonesa no After Dark ou a "neo-tasca" de Bernardo Agrela na Casa Capitão, a Mesa. Se ainda está a compensar tempo perdido, veja as nossas escolhas para o melhor de Lisboa em 2025.
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