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Rita Chantre
Rita Chantre

O melhor de Lisboa em 2025

Numa cidade com novidades a toda a hora e por todo o lado, o quê que vale – ou valeu – realmente a pena? O melhor novo restaurante, novo bar, novo café, nova loja, concerto, exposição. Estas são as escolhas da Time Out para Lisboa em 2025.

Hugo Torres
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A pós-modernidade está inundada de cinismo (e vocês não estão a ajudar, gen Z). Houve alguma coisa de bom este ano? O exercício é recebido com caras de dúvida. Ocorrem-nos amarguras, inferenças. Quais foram os melhores concertos? “Foram todos maus.” Mas é claro que não foram. E é claro que, enquanto o diabo do sarcasmo esfrega um olho, começamos a desfiar um rol de novidades e eventos que nos ficaram na memória pelas melhores razões. Tantas que o problema inverte-se: não dá para escolhermos mais do que um por categoria? E mais categorias? “Não me venham com menções honrosas!” É preciso escolher – e nisso a equipa da Time Out tem muita prática. Mãos à obra, então: eis o melhor de Lisboa em 2025.

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O melhor de Lisboa em 2025

  • Museus
  • Alcântara

A cidade aguardava o seu novo museu, ali a meio caminho entre Alcântara e Belém. Chegou atrasado, mas chegou – em Março. O MACAM abriu portas e trouxe com ele um hotel, um bar que é também sala de concertos e um restaurante com cozinha de chef, o Contemporâneo. A arte é, aliás, a inspiração que atravessa todo o complexo (que combina um palácio do século XVIII e uma edificação de traça contemporânea). Além da colecção residente, composta por mais de 600 obras, existe uma galeria dedicada a receber outras colecções de arte privadas. As obras chegam a estar dispostas nos 64 quartos do hotel, bem como nos corredores e outras áreas comuns. No bar, também ele aberto ao público, convém acompanhar a agenda de concertos e artes performativas. É uma capela, mas já devidamente dessacralizada.

Mauro Gonçalves
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa
  • Coisas para fazer
  • Vida urbana

Já era possível requisitar livros, revistas e jogos no Goethe-Institut (e em qualquer biblioteca que se preze), mas robôs só mesmo na nova Roboteca da cidade. Sim, leu bem: robôs para programar, brincar e aprender, no local ou em casa. O catálogo, disponível para consulta online, inclui 13 robôs para requisição livre, como o Chipz, um amigo de alta tecnologia, com dois motores, sensores de infravermelhos e modos de jogo inteligentes. Basta fazer um cartão – e aproveitar que também há agenda de workshops sobre programação e robótica para crianças e jovens, tudo gratuito.

Raquel Dias da Silva
Raquel Dias da Silva
Jornalista, Time Out Lisboa
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  • Coisas para fazer
  • Xabregas

O encerramento do Musicbox foi uma surpresa para Lisboa, mas a fila para entrar na Casa Capitão, na festa de inauguração, que aconteceu de 19 a 21 de Setembro – como um autêntico festival gratuito – foi um choque ainda maior. Pessoas tinham de aguardar para entrar na sala de concertos para ver grupos emergentes como Lesma ou bbb hairdryer, outras nem sequer conseguiam passar do portão. Quem diria que afinal as pessoas teriam tanta vontade de ir para o Beato? A influente sala de espectáculos lisboeta metamorfoseou-se num espaço multifacetado com quatro pisos, capaz de acolher concertos, debates, performances e gastronomia (sim, também tem um restaurante). Com programação contínua e um novo conceito de cultura diurna e nocturna, em menos de um ano tornou-se num dos principais centros da vida cultural de Lisboa, redefinindo o circuito musical da cidade.

Hugo Geada
Hugo Geada
Jornalista

Quem diria que 2025 seria o ano para redescobrirmos a alegria de enfiar tudo e mais alguma coisa (somente matéria comestível, entenda-se) entre duas fitas de pão. E que pão? Bem, isso é ainda outra conversa. A culpa é, obviamente, dos mestres sanduicheiros que, nos últimos tempos, abriram os seus estabelecimentos. Falamos do Let’s Pastrami, do Boubou’s Sandwich Club, do Duíche, no Cultural Club, no Bibs e no Tosta. Mais recentemente, aberturas como o Vetrina e o Sem Côdea só vieram confirmar as nossas suspeitas: este foi mesmo o ano das sandes.

Mauro Gonçalves
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa
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  • Bistrôs
  • Alfama

Louise Bourrat, chef do Boubou’s, abriu com o companheiro, o mixologista Marco Cossu, da Sardenha, uma neo-tasca no antigo espaço do Boi Cavalo. É um restaurante descontraído, mas rigoroso na cozinha e no serviço, onde a comida de conforto ganha lugar de destaque. Misturam-se influências portuguesas, francesas e italianas numa carta que muda mensalmente para respeitar os produtos da época. Entre os pratos mais marcantes estão os arancini de cabidela, o tártaro de vaca à Brás e a couve-coração com molho picante. Nas sobremesas, há tiramisù, profiteroles e crème brûlée com CBD. O ambiente é caloroso, com boa música, vinhos de baixa intervenção e uma vontade clara de preservar o espírito do bairro, respeitando a história do lugar e de quem o habita – o que Alfama bem precisa.

Hugo Torres
Hugo Torres
Director-adjunto, Time Out Portugal
  • Lisboa

Abbie Gill idealizou este espaço para ser mais do que uma garrafeira. Embora os vinhos estejam na base do projecto – são mais de 120, todos naturais e orgânicos –, a agenda preenchida dá-lhe outra vida. Há vinhos portugueses, espanhóis, italianos, húngaros e muitas outras fronteiras para atravessar. Sempre que possível, Abbie faz questão de contar a história de cada pequeno produtor e surpreender os clientes com sabores, tons ou proveniências diferentes do habitual. Entram nesta categoria os vinhos produzidos por mulheres, uma secção em crescimento, mas também os rosés, os espumantes e os vinhos laranja, que suscitam cada vez mais a curiosidade de quem entra no wine bar. Quanto à agenda, varia entre concertos, provas, DJ sets e sessões de desenho à vista.

Mauro Gonçalves
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa
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  • Cafés
  • Avenidas Novas

Já ouviu falar em café com compota de alperce? Ou com sumo de pepino? Se a resposta é não, deixe-se estar que nós explicamos tudo. A filosofia de Sia Fung, a jovem por trás do MAS, é que o café não tem de ser sempre a mesma coisa. E é no seu espaço, no Arco do Cego, que nos convida a provar combinações irreverentes, pensadas ao detalhe e que vão variando consoante as épocas. Estas bebidas são servidas por si só ou num dos combinados da carta. O café de eleição é da Olisipo, ainda que haja outras marcas, como a DAK. Vale bem a pena a visita, quer seja para aventurar-se no campo do café, experimentar a saborosa tarte basca ou comer a tosta de lava de Biscoff (“french toast” recheada de leite condensado), uma verdadeira perdição. O atendimento cuidado e a simpatia que nos chega do outro lado do balcão tornam ainda melhor toda a experiência.

  • Compras
  • Lisboa

Longe dos estereótipos das sex shops, o The Joy Spot, nas Avenidas Novas, é muito mais do que um showroom de cosmética erótica e brinquedos sexuais com muita pinta: quer educar para uma sexualidade positiva e informada, sempre do ponto de vista feminino (o que não quer dizer que seja só para mulheres). A agenda de conversas abertas e workshops complementa esta viagem pelo prazer – que começa num corredor ondulado com buracos misteriosos nas paredes, passa pela loja com dildos, plugs anais, lubrificantes ou óleos de massagens em exposição, e só fica verdadeiramente completa se marcar para conhecer a sala secreta da cave, dedicada ao BDSM.

Vera Moura
Vera Moura
Directora Editorial, Time Out Portugal
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  • Música

Três concertos consecutivos dos King Gizzard & the Lizard Wizard no Coliseu dos Recreios, com três setlists diferentes e sem repetir músicas, deixaram Lisboa em êxtase. O sexteto australiano, que mistura rock psicadélico, thrash metal e boogie woogie, trouxe fãs de todo o mundo para esta primeira paragem da tour europeia, que aconteceu entre 18 e 20 de Maio. À porta, o ambiente era de festa; dentro, uma explosão musical e uma comunidade global de fãs – alguns mascarados, outros que vendiam merchandise feitos pelos próprios para acompanhar o resto da digressão –, que pretendiam celebrar cada data como se fosse o último dia da vida deles.

Hugo Geada
Hugo Geada
Jornalista
  • Teatro e artes performativas

Tiago Rodrigues imagina o livro que o seu pai terá desejado escrever antes de morrer. Apesar de nele só ter encontrado rabiscos, o encenador soube através de Teresa, voluntária que visitou regularmente Rogério Rodrigues enquanto este esteve hospitalizado, que a ideia do pai era combinar na obra a experiência no hospital com memórias da sua vida. É uma obra íntima, pessoal, comovente, mas também espirituosa, em que a música ao vivo, os factos e a ficção se entrelaçam para preencher, belissimamente, as tais páginas vazias. A interpretação é de Beatriz Brás, Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves dos Clã, e Lisah Adeaga.

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  • Arte

Visitada por mais de 25 mil pessoas, a exposição que inicialmente tinha uma duração prevista de três meses, acabou por se prolongar por mais três. Nela, encontrámos 30 dos maiores fotógrafos internacionais que estiveram em Portugal durante a Revolução, incluindo Sebastião Salgado, Jean-Paul Miroglio, Guy Le Querrec, Jean Gaumy ou Dominique Isserm. Pela diversidade de olhares, pela grandeza dos formatos e pela dimensão (com 200 fotografias), a exposição revelou-se a mais marcante de uma vaga de celebrações em torno dos 50 anos do 25 de Abril.

Mauro Gonçalves
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa

Podes vir, 2026

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