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Tarwi: esta marca reinventou o tremoço português

Está a ver aquela tradição de comer tremoços com uma jola? Não tem nada a ver. Os tremoços da nova marca de snacks orgânicos Tarwi comem-se bem assim mesmo.

Por
Ines Garcia
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Imagine este cenário: Verão, sol, uma esplanada e uma bebida fresquinha em cima da mesa. Parece utopia por esta altura, mas eventualmente vai voltar acontecer – e um dos snacks que mais facilmente acompanha este momento num dia de Verão são os tremoços. Ora agora pense que podia estar a comê-los em casa. Não tem a mesma graça? Pode ter e ser bom para a saudinha. Quem o diz são os fundadores da Tarwi, uma nova marca de snacks orgânicos.

Mas, afinal, o que é que o tremoço tem? À semelhança do grão, feijão, lentilhas, favas ou ervilhas, é uma leguminosa. Riquíssimo em fibra e proteína vegetal, tem poucos hidratos de carbono e gordura, além de estar carregado de vitaminas, como o folato, e sais minerais, como o cálcio, potássio, ferro ou zinco. Há até vários estudos que mostram que o consumo de tremoço ajuda na regulação do colesterol e glicemia, bem como na regulação e protecção da flora intestinal. É alimento-campeão para quem procura ou mantém um estilo de vida saudável, um amigo na hora do ratinho do estômago e um belo substituto de bolachas e salgados fritos. O que o torna menos interessante é a salmoura que o conserva – aquele líquido que envolve a leguminosa nos frascos e baldes à venda em supermercados e que os torna salgados, mesmo a puxar a cerveja fresquinha.

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A ideia de um negócio relacionado com alimentação começou a fermentar na cabeça de três amigos precisamente numa tarde de Verão, na praia, mas sem tremoços – Alice Trewinnard, formada em dietética e nutrição e actualmente criadora de conteúdos digitais, não gostava mas reconhecia-lhes “características nutricionais incríveis”; tal como Catarina Gorgulho, da área de economia e gestão e a viver no Reino Unido há uma década. Pedro Godinho Ramos, investidor num fundo de capital de risco com foco em sustentabilidade e consumo, era o único adepto. “Numa fase inicial, o tremoço nem nos tinha passado pela cabeça. Sabíamos que queríamos trazer um produto diferenciador e que se destacasse no mercado. O tremoço acabou por surgir um bocadinho neste seguimento. Apesar de estar presente na cultura portuguesa há anos, sempre foi bastante menosprezado”, contam à Time Out por e-mail.

Para começar, era preciso fazer uma “espécie de rebranding e reposicionar o tremoço como snack saudável”. Depois de visitarem alguns eventos e feiras internacionais de produtos biológicos e procurarem produtores por esse país e mundo fora, conseguiram arranjar produtores nacionais – na recém-nascida Tarwi (o nome dado ao tremoço na América Latina), estão a trabalhar apenas com tremoço 100% português, produzido maioritariamente na região do Douro, embora no nosso país a produção desta leguminosa seja de pequena escala, porque não há procura suficiente. “A grande maioria do tremoço que é vendido em Portugal vem do Peru, que não só não é biológico (pelo menos, maioritariamente), como também está sujeito a condições climatéricas diferentes que acabam por influenciar as suas características”, explicam. A maior diferença, para quem é consumidor habitual, é o tamanho, aqui bem mais pequeno e redondinho. A casca é mais fina – e é precisamente onde está reunida a maior parte da fibra nutricional, pelo que deve comer os tremoços assim mesmo, sem recorrer à mordidela no canto para descascar.

O passo seguinte foi arranjar maneira de acabar com a salmoura. “Em teoria, até parece fácil a ideia de libertar a salmoura e empacotar mas, na prática, há muito mais a ter em conta para se conseguir chegar ao produto final que temos hoje.” Depois de muitos testes – esta foi a parte mais longa e trabalhosa, reconhecem – chegaram a um método de conservação feito através de um ácido natural, o ácido lático, que ajuda a preservar todos os nutrientes. “É formado naturalmente quando determinados alimentos passam pelo processo de fermentação, como no pão fermentado, cerveja, vinho, kimchi, molho soja, miso e, agora e de forma inovadora... em tremoços Tarwi”, esclarecem.

No primeiro lançamento apresentam três pacotes de tremoços, com 70 gramas cada, e temperos curiosos: flor de sal, manjericão e malagueta. “Por utilizarmos um tremoço específico biológico e nacional, conseguimos que a absorção seja mais acentuada, permitindo ter todo o sabor sem ficarmos com resíduos”, diz Alice, que na conta de Instagram tem quase 270 mil seguidores.

É um snack recomendado para comer como aperitivo, entre refeições (em casa, em teletrabalho, é boa opção para não ir à dispensa dos doces; no regresso ao trabalho presencial é prático para meter na marmita e comer antes da hora de almoço), ou até como prato principal. A sugestão das sócias Alice e Catarina é que os ponha, por exemplo, em saladas, salteie com legumes ou faça um caril – em Lisboa até já há cozinheiros e chefs a usar o tremoço para falafel ou hummus, em substituição do grão, portanto é dar asas à imaginação. Cada pacotinho tem apenas 65 calorias.

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Apesar de cada encomenda chegar com uma espécie de bula dos tremoços, em bom português, as embalagens estão todas em inglês e há um motivo para isso: uma vez que Catarina e Pedro moram e trabalham em Inglaterra, o objectivo era ter feito um lançamento simultâneo nos dois mercados, mas o Brexit e a redefinição das leis aduaneiras atrasou a entrada no Reino Unido por mais uns meses. Mas o tremoço português vai acabar por brilhar em terras de Sua Majestade e os criadores acreditam que vai ter grande aceitação, uma vez que “o mercado britânico de snacks salgados é enorme e há uma consciencialização crescente da importância de produtos plant based, da simplicidade dos produtos e da necessidade de contribuir para uma agricultura mais sustentável”.

E o tremoço é só o ponto de partida para esta marca que tenta também reeducar os hábitos do consumidor. “Já temos muitas ideias de outros produtos que gostávamos de lançar, sempre com os mesmos princípios de valorizar o sabor, a qualidade, a simplicidade e a conveniência”, resume Catarina.

Por enquanto os tremoços Tarwi vendem-se apenas online – tem é de ser rápido, que a campanha que a marca criou para passar a mensagem e promover o produto correu tão bem que os primeiros dois lotes que puseram à venda esgotaram num instante. Nos planos estão os pontos de venda físicos, em mercados biológicos “e não só”. O stock será reposto ainda este mês em packs de seis (dois de cada sabor, 13€). Longa vida ao tremoço.

www.tarwi.co.uk

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