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‘Tokyo Vice’, uma série de alto risco pelo submundo do crime no Japão

Jake Adelstein foi avisado por um gangster: “Não escrevas sobre isto”. O jornalista fez o oposto. A adaptação do seu livro chega agora à HBO.

Editado por
Hugo Torres
Escrito por
Maria João Alexandre
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Tokyo Vice estreia na HBO esta sexta-feira, 8 de Abril. Não é mais uma série policial. Esta é uma série sobre o crime organizado no Japão, e inspira-se numa história verídica, o que intensifica uma narrativa que não é propriamente leve.

Baseado no livro homónimo escrito pelo próprio, conta a história de Jake Adelstein (interpretado por Ansel Elgort, que já conhecíamos de A Culpa é das Estrelas, e mais recentemente de West Side Story), um jovem jornalista americano, que no final dos anos 90 consegue o seu trabalho de sonho, ser jornalista no jornal Meicho Shimbun de Tóquio, contra todas as probabilidades e contra a vontade da maioria das pessoas que lá trabalham. Rapidamente cria amizade com dois companheiros que entram ao mesmo tempo que ele na redacção. Eles serão os seus únicos amigos (e as únicas pessoas a tratá-lo bem no jornal) durante algum tempo. Pelo menos até a sua chefe perceber que o trabalho que Jake quer fazer é, de facto, importante, e que tem garra suficiente para trabalhar com os meios que lhe são oferecidos. Um jornalista que tentasse saber o porquê dos crimes em vez de se limitar a narrá-los era quase considerado alguém com uma profissão de risco. “Não se gosta muito de repórteres por aqui. Brevemente descobrirás porquê. Especialmente se forem bons no seu trabalho”, avisa-o um dos gangsters. Numa outra altura, o tom é já de ameaça: “Não escrevas sobre isto”. Jake fez o contrário.

No processo de perceber o que realmente se passa no submundo de Tóquio, Jake alia-se ao detective Katagiri (Ken Watanabe, de O Último Samurai), que rapidamente se torna uma figura paternal, conseguindo estabelecer ligações com os Yakuza. “Eu quero aprender como esta cidade… O que está por debaixo da superfície… Como funciona. Só assim poderei escrever sobre o que se está realmente a passar”, diz-lhe Jake a certa altura.

A série foi gravada em Tókio, e Elgort teve mesmo de aprender a falar japonês para representar o papel de Jake (e não, não são duas ou três pequenas falas por episódio). Michael Mann, produtor de Miami Vice (2006) e um dos produtores da série com o mesmo nome, ajuda na realização desta nova série. A adaptação do livro foi feita por J.T. Rogers, dramaturgo vencedor de um Tony Award. A produção esteve parada durante oito meses por causa da Covid-19; quando retomou, teve de se ajustar à realidade pandémica durante as gravações. Ainda assim, nem tudo foi mau. Os confinamentos ajudaram a filmar ruas vazias de Tóquio, o que por norma não costuma acontecer.

Com uma cinematografia cuidada, não faltam as luzes néon que associamos à capital nipónica. A nível musical, as escolhas pretendem fazer-nos entrar naquele universo marginal, numa atmosfera pesada e tensa, para que fiquemos sentados na ponta do sofá.

Nem tudo é tensão, no entanto. Existem cenas de alívio (e até certo ponto cómicas) que nos permitem respirar a meio do episódio. Imagine um americano no carro com um membro de um gangue japonês e a cantar a plenos pulmões “I Want it That Way” dos Backstreet Boys. As histórias pessoais dos membros dos gangues são suficientemente desenvolvidas para permitir até que os espectadores criem uma ligação com eles, e entendam quem são para além dos fatos engomados e da violência gratuita.

As mulheres também têm lugar nesta história. A representação feminina espelha-se através da chefe de Jake, uma jornalista esforçada para ser respeitada no cargo, enfrentando a sociedade patriarcal, e através de mulheres que trabalham num bar como anfitriãs, pagas apenas pela sua companhia.

O primeiro episódio tem um ritmo mais acelerado do que os restantes, mas estes acabam sempre com um cliffhanger, fazendo-nos querer ver mais e mais. Isso não será um problema. Sexta-feira saem os primeiros três episódios na HBO, e até dia 29 de Abril, cada sexta-feira vem com dose dupla de Tokyo Vice. São oito episódios no total.

“Quero contar o que realmente acontece. E talvez fazer um pedaço de história.” Jake desejou, e cumpriu.

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