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Uma carta aberta à calçada portuguesa num dia de chuva

Por O Provedor
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Um júri de patinagem artística, de férias em Lisboa, pode sentir-se tentado a pontuar esse espectáculo a que se assiste nas ruas da cidade durante um dia de chuva. São deslizes imperfeitos, piruetas trapalhonas, um ou outro mortal.

Os executantes são amadores, falta-lhes técnica, mas o entusiasmo com que se entregam ao escorreganço é comovente. Será esta uma forma de convencer os lisboetas a interessarem- -se por desportos de Inverno? Uma variação urbana do ski? Não sabemos. A verdade é que damos por nós a deslizar com muita frequência, participando sem querer em brevíssimas coreografias de medo.

A calçada portuguesa existe para lembrar os lisboetas dos efeitos da gravidade. Ou então é um plano diabólico traçado por ortopedistas e fisioterapeutas para que nunca lhes falte clientela. Há quem se prepare, optando por solas de borracha. Há quem procure evitar subidas e descidas. Mas a melhor maneira de não cair na calçada portuguesa é nunca andar na calçada portuguesa. E isso é muito difícil.

Para que fique claro: a calçada portuguesa é linda e uma parte importante da nossa identidade. Mas outra parte importante da nossa identidade é o nosso esqueleto.

Existe outro tipo de chão, mais feio – ou, como se diz agora, “menos bonito” – mas mais eficaz a garantir a verticalidade de quem o pisa. Essas superfícies sim, merecem o prefixo “super”. A calçada portuguesa é, quanto muito uma “vilãfície”. Uma superfície que passou para o lado negro da força.

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