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Uma carta aberta à pessoa que buzina assim que o sinal fica verde

Por O Provedor
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Existe a velocidade da luz, a velocidade do som e a velocidade com que alguns senhores e senhoras carregam na buzinam dos seus automóveis assim que o semáforo passa de vermelho a verde. O gesto, de tão rápido, já foi comparado ao bater das asas de um colibri.

Poucas são as pessoas munidas da destreza para conseguir tal feito. Mas parece que todos esses predestinados vivem em Lisboa.

Talvez sejam boas pessoas, preocupadas com um hipotético surto de daltonismo nos condutores da frente. É possível ainda que estes buzinadores velozes amem o trompete da sua viatura, de tal maneira que toda a desculpa serve para ouvirem a sua estridente melodia. Que espécie estranha de melómanos vagueia pelas estradas de Lisboa.

Serão estas as mesmas pessoas que rapidamente corrigem uma pessoa que confunde Torres Vedras com Torres Novas? Os mesmos seres rigorosos que não perdem tempo a dizer “ah queria um café, já não quer?”.

É verdade que muitas pessoas gostam de se demorar no semáforo. De comparar pacientemente as diferenças entre o vermelho e o verde. De escolher o preciso momento em que o sinal muda de cor para mudar de estação de rádio. Mas nada justifica a existência desta gente apressada, nervosa, que usa a buzina como um segundo tubo de escape – um escape para o seu estado de nervos.

Os claxonistas, vamos chamar-lhes assim, devem acalmar-se. Nem que seja para dar descanso à buzina, esse instrumento de sopro que funciona à base de suspiros e impaciência.

O Provedor do Lisboeta é um vigilante dos hábitos e manias dos alfacinhas e de todos aqueles que se comportam como nabos e repolhos nesta cidade. Se está indignado com alguma coisa e quer ver esse assunto abordado com isenção e rigor, escreva ao provedor: provedor@timeout.com.

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