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Notícias / Vida urbana

Uma carta aberta à TV ligada no restaurante

Provedor
Mariana Soares

Vamos parar um momento para pensar em todos os televisores ligados em tascos, snack-bares e pastelarias. Emitem 12 horas por dia, muitas vezes em “mute”, para uma multidão de espectadores que entram e saem (pouco ou nada “espectam”, estes espectadores), sem reparar naquela gloriosa emissão de raios catódicos.

A maior parte dos cafés apostam num canal de notícias. Os canais de notícias nos cafés são o equivalente televisivo à música de elevador – existem, naquele contexto, para que ninguém lhes ligue.

E depois há o pronto-a-comer que decide sintonizar no canal Hollywood, não vá um dos almoçaristas prender-se no Alien 3 e decidir pedir sobremesa em vez de saltar logo para o café. Ou o restaurante que tem a TV ligada num canal de culinária, fazendo do cliente o recheio de uma sanduíche de redundância: comida na boca, comida nos olhos.

O Provedor confessa que tem um fraquinho pelo café da aldeia que tem uma TV ligada na Fashion TV. Ali, entre arcas de gelados, pacotes de Ruffles empilhadas, o ruído do moinho de café e os ecos de uma partida de cartas, aprecia-se alta-costura.

Ficamos com a ideia de que aqueles senhores de boina, que passam tardes a virar copos de tinto, só vão ao Café Central para se inteirarem das novidades da Balmain, ver os modelitos da Chanel ou discutir as cores da estação.

A televisão em estabelecimentos comerciais é um elemento decorativo, um ecrã reluzente que faz com os nossos olhos o que o canto da sereia faz com os nossos ouvidos. É muito sedutor, mas absolutamente desnecessário. 

O Provedor do Lisboeta é um vigilante dos hábitos e manias dos alfacinhas e de todos aqueles que se comportam como nabos e repolhos nesta cidade. Se está arreliado com alguma coisa e quer ver esse assunto abordado com isenção e rigor, escreva ao provedorprovedor@timeout.com

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