Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Uma carta aberta ao carro, com um papel a dizer “estou no 22, 2º esq”, que nos está a bloquear
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Mariana Soares

Uma carta aberta ao carro, com um papel a dizer “estou no 22, 2º esq”, que nos está a bloquear

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Estacionar em segunda fila é uma falta de civismo. Mas estacionar em segunda fila e deixar um recado dando instruções precisas sobre como proceder em caso de bloqueamento é uma falta de civismo, uma falta de bom senso e uma enormíssima lata. Uma lata que se vê a uma grande distância. Um monumento à má educação.

Se calhar estamos a ser precipitados. Se calhar o senhor estacionado em segunda fila adora jogos e charadas e quer envolver-nos num pequeno e ridículo peddy papper que tem como objectivo tirar o carro do estacionamento – e tirar-nos do sério.

Havia em tempos um tipo muito particular de lisboeta que fazia esta artimanha de forma ainda mais ardilosa. O truque consistia em estacionar o carro perto de um dos mais movimentados tribunais da cidade, não pagar parquímetro mas deixar em cima do tablier uma cópia manuseada do Código Civil. Assim, o fiscal ou polícia de serviço ficava com a impressão que o condutor seria um apressado funcionário da justiça e, solidário, deixaria o caderno de multas no bolso.

Há alternativas menos sofisticadas, mas mais divertidas: o papel a dizer “estou no supermercado”, que obriga o dono do carro bloqueado a uma interessante missão de reconhecimento numa qualquer superfície comercial. Ou o intrigante número de telefone deixado ao acaso no pára-brisas. Parece o início de uma grande aventura – quem estará do lado de lá da linha telefónica? – mas é só o início de uma grande seca. 

O Provedor do Lisboeta é um vigilante dos hábitos e manias dos alfacinhas e de todos aqueles que se comportam como nabos e repolhos nesta cidade. Se está indignado com alguma coisa e quer ver esse assunto abordado com isenção e rigor, escreva ao provedor: provedor@timeout.com.

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