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Plantação - Prosperidade e Pesadelo
©Kiluanji Kia HendaLegenda: Plantação - Prosperidade e Pesadelo, de Kiluanji Kia Henda

Uma plantação de canas de açúcar no Campo das Cebolas para lembrar todos os escravizados

Por Renata Lima Lobo
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“Plantação – Prosperidade e Pesadelo”, do artista angolano Kiluanji Kia Henda, foi o projecto eleito para se tornar no futuro memorial do Campo das Cebolas.

Uma plantação fictícia de 540 canas de açúcar com três metros de altura cada, feitas em alumínio preto e separadas por 1,5 metros entre si. Pelo meio, uma zona mais folgada da plantação, com um anfiteatro semi-circular em betão, um ponto de encontro que também servirá para eventos culturais, como música, teatro, leituras ou diálogos académicos. Vai ser este o memorial de Homenagem às Pessoas Escravizadas no Campo das Cebolas. 

A ideia para o memorial partiu da Djass – Associação de Afrodescendente e foi uma das propostas vencedoras do Orçamento Participativo de Lisboa 2017. No final do ano passado, a associação apresentava os projectos finalistas para o memorial. Após seis sessões públicas de votação, foi a obra de Kiluanji Kia Henda a ser escolhida para o Campo das Cebolas, uma zona da cidade com história no tráfico de escravos.

©Kiluanji Kia Henda

Com esta obra, o artista propõe narrar “o vínculo histórico entre monocultura e escravidão, num monumento que trata da relação entre o excesso de riqueza e a exploração desumana da vida”, num “lugar de memória, aberto à reflexão”, como se lê na apresentação do projecto.

©Kiluanji Kia Henda

Com “Plantação – Prosperidade e Pesadelo”, Kia Henda resgata a memória apagada da escravidão que considera ser o “eixo central na história do desenvolvimento económico europeu”, recordando que a exploração da cana-de-açúcar começou na ilha da Madeira. “Para satisfazer a carência de mão-de-obra foram levados para a ilha escravos originários das Canárias, de Marrocos, da Mauritânia e, mais tarde, da África subsaariana. Desde modo, no século XVII os negros alcançaram 10% da população de Portugal. O porto de Lisboa tornou-se um dos maiores portos de escravos do mundo.” Pode encontrar toda a informação sobre a proposta aqui.

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