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Centro Logístico do Campo Mártires da Pátria
©BZSS – Arquitectura e Design

Vai nascer um novo centro logístico, com ATL, no Campo Mártires da Pátria

No Campo Mártires da Pátria vai nascer um ATL que por pouco não é uma casa na árvore.

Por Renata Lima Lobo
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O centro logístico de apoio à manutenção do espaço verde do Campo Mártires da Pátria vai ser requalificado. O centro quê? Aquele edifício em tons de cor-de-rosa mesmo ao lado do parque canino. Ah! E mais? Junta-se-lhe um airoso ATL (Actividades de Tempos Livres) para crianças.

Não é novidade que o Campo Mártires da Pátria é um chamariz para as camadas mais jovens. Tem patos e galinhas à solta que deixam a pequenada em êxtase, tem um campo de basquete e mesas de pingue-pongue sempre animadas pela juventude local, tem uma cabine telefónica com livros, equipamentos de ginástica ao ar livre e muita relva para pisar ou estender a toalha do piquenique – além de um quiosque e de um parque canino bem frequentado. Em torno do jardim há outros espaços que contribuem para a dinamização desta zona, como a Faculdade de Medicina da Universidade Nova, a gelataria artesanal Mú ou o Goethe Institut, que está de portas abertas à comunidade com muita oferta cultural, assim como a Galeria Monumental, que divulga a arte contemporânea desde 1986. E, não tarda nada, o Campo Mártires da Pátria vai ter mais uma grande valência: até ao final de Dezembro de 2020, está aberto o concurso, lançado pela Junta de Freguesia de Arroios (JFA), para execução da empreitada que concretize o projecto do ATL / Centro Logístico do Campo Mártires da Pátria, a ser construído no imóvel existente no jardim que actualmente serve para arrumação de material de jardinagem e também funciona como refúgio das aves que habitam o jardim. Além de integrar casas de banho públicas, que foram alvo de intervenção há pouco tempo. A restante estrutura está em “mau estado de conservação”, lê-se na memória descritiva do projecto, disponível na plataforma Saphety, juntamente com a restante documentação do concurso público.

Centro Logístico do Campo Mártires da Pátria
©BZSS – Arquitectura e Design

A proposta da JFA, desenhada pelo atelier BZSS – Arquitectura e Design, é de que parte do equipamento existente seja reabilitado para responder a “necessidades logísticas e pedagógicas detectadas nesta área geográfica da freguesia” e também “contribuir para a adequada integração e valorização arquitectónica e urbanística do conjunto edificado no espaço urbano em que se insere”. Está prevista a criação de um novo armazém que permita a arrumação de material de jardinagem e veículos, em segurança e de forma organizada e funcional, enquanto que serão demolidas as “construções informais existentes”. Essas serão substituídas por refúgios para os animais que vivem no jardim (e que têm um tratador responsável pelo seu cuidado), os quais vão ter ligação a um pátio exterior para que possam ser visitados pelas crianças inscritas no ATL, que ficará localizado na cobertura do renovado centro logístico.

Centro Logístico do Campo Mártires da Pátria
©BZSS – Arquitectura e Design

Uma sala totalmente envidraçada mais perto da copa das árvores, “que apesar de aumentar um piso ao conjunto, a sua transparência faz com que não se imponha como um corpo estranho sobre o jardim, permitindo a continuidade visual do arvoredo de toda a área envolvente”, defende a memória descritiva do projecto. A cobertura terá também um espaço exterior de apoio à sala de ATL, uma sala que será um open space de 38 m2, com uma instalação sanitária e uma pequena copa. O acesso irá-se fazer através de uma rampa no lado poente do edifício, que terá uma cor próxima da actual. No entanto, a longo prazo a cor ficará misturada com a da vegetação, estando prevista a preservação e reforço das trepadeiras e arbustos existentes nos canteiros exteriores. Também em relação às espécies vegetais existentes, devido à sua proximidade com a rampa, será abatida uma grevílea (Grevillea robusta), mas em alternativa está prevista a plantação de um ginkgo (Ginkgo biloba), numa área mais recuada da rampa. Durante as obras deverão ser protegidos alguns exemplares arbóreos, com destaque para uma figueira da Índia (Ficus benjamina), árvore classificada de Interesse Público.

Centro Logístico do Campo Mártires da Pátria
©BZSS – Arquitectura e Design

Em resposta à Time Out, o executivo da JFA explica que há falta de equipamentos sociais de apoio à infância na freguesia e uma necessidade crescente de rede pública que "de acordo com as estatísticas disponibilizadas pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social rondará os 5%". "A intenção é sempre criar mais qualidade de vida onde seja possível. Neste caso aliamos o ambiente, o bem-estar animal, a cultura, o lazer, a infância, a família, o desporto”, enumera o executivo que não olha para a freguesia de Arroios como uma zona envelhecida. “É povoada por juventude, miscigenada com pessoas mais velhas e essa é a beleza da freguesia. Um local de várias idades, várias culturas, com o Campo Mártires da Pátria, onde confluem várias famílias de várias origens sociais, várias classes, várias nacionalidades, várias idades. É essa a visão que temos e queremos manter: um espaço intergeracional e intercultural de confluência de idades, culturas e saberes.”

A data para o início desta obra, que representa um investimento de cerca de 370 mil euros, ainda não está definida, mas assim que começar, o prazo de execução previsto é de seis meses.

Sob pressão

Se por um lado se procura colmatar a falta de equipamentos sociais ao serviço dos mais vulneráveis, por outro há uma realidade paralela que circunda o jardim. Esta zona também não foge à pressão imobiliária, que aqui tem como foco de investimento os palácios históricos. É o caso do Solar de Santana, um empreendimento de luxo localizado no antigo Palácio Vaz de Carvalho (ou Casa das Torrinhas), construído no século XVII. E mais recentemente do Palácio do Patriarcado, datado do século XVIII, cujo projecto para habitação de luxo foi aprovado a 21 de Dezembro em reunião extraordinária da Câmara Municipal de Lisboa. Prevê a construção de 39 apartamentos, 57 lugares de estacionamento distribuídos por cinco caves e uma cobertura com piscina. Apesar de ter tido um parecer negativo do Conselho Consultivo da Carta Municipal do Património Edificado e Paisagístico de Lisboa (não vinculativo), teve o aval da Direcção Geral do Património Cultural (DGPC), após terem sido feitas algumas alterações ao projecto inicial.

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