FATAL 2017: o teatro académico mostra a sua garra

Começou em 1999 e nunca mais parou esta mostra e concurso de teatro universitário em Lisboa. Foi, e é, lugar de descoberta e este ano inclui 30 espectáculos de 14 universidades, nem todas portuguesas, e ainda homenageia Ivette K. Centeno

©DR

Embora a caminho do fim da edição deste ano, o Festival de Teatro Académico de Lisboa ainda tem muito para mostrar. Não só na sua secção competitiva mas, talvez principalmente, no fundamental segmento FATAL Convida, lugar de acolhimento de projectos mais maduros, como os cinco que seguem.

FATAL 2017: o teatro académico mostra a sua garra

Oxigénio

Oxigénio

Carl Djerassi e Ronald Hoffmann escreveram esta peça que João Ferrador encena para o Grupo de Teatro dos Funcionários da Universidade de Lisboa. Texto (interpretado por Alda Guimarães, Alexandra Oliveira, Armando T. Almeida, Cristina Oliveira, Conceição Freitas, David Dias, Fernando Alves, Hermínia Braga, Hugo Louro, Ioana Santos, Júlia Alves, Luís Caldeira e Susana Leal) que nos envia para Estocolmo, em 2001, quando o Comité Nobel está reunido para atribuir o primeiro prémio Retro-Nobel, decide que o vencedor é quem descobriu o oxigénio e, depois, fica na dúvida sobre quem foi o primeiro cientista a lá chegar. Lavoisier? Pristley? Scheele? E daqui, embora permanecendo na capital da Suécia, vamos de volta para 1777, até ao ambiente de intriga em que os três cientistas apresentam argumentos ao rei Gustavo III, reclamando cada um para si a descoberta.

Quarta, 10, 18.30, Cantina Velha

Lisboa e Outros Títulos Aleatórios

Lisboa e Outros Títulos Aleatórios

A decisão é, assim, a modos que radical, mas esta actriz, Lilia, interpretada por Lilia Wodraschka, decide abandonar o seu trabalho para seguir alguém por quem se apaixonou… na internet. Este espectáculo, nascido na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Brasil, escrito por Gabriella Giffosi, é encenado por Leandro Romano como um “híbrido de ficção e realidade.” Isto é: a actriz contracena com pessoas, escolhidas aleatoriamente um pouco por todo o mundo através de uma webcam e a partir dessas conversas e comentários faz o "panorama de suas relações afectivas e diagnostica o quão sozinha se sente".

Nota: Após o espectáculo será exibida a curta-metragem Noah, de Walter Woodman e Patrick Cederberg, um filme que "captura o perigo romântico de ser um adolescente na internet".

Quinta, 11, Sexta, 12, 18.30, Caleidoscópio

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Lorca

Lorca

“E se Yerma tivesse tido as Bodas de Sangue? Poderia Bernarda ter filhos em vez de filhas? No final ninguém saiu a meio da Boda?” Confuso? Pois é desnecessário quando se percebe que esta peça “mistura três grandes obras de García Lorca e acaba por contar uma história completamente diferente”. O entrecho, encenado por Álvaro Arribas, para o grupo MalaEstirpe, da Universidade de Castilla-La Mancha, em Espanha, apresenta, assim, Maria e os seus três filhos, casamentos infelizes, desejos trocados, valores impostos, na verdade empecilhos impostos e contra os quais os irmãos lutarão através das interpretações de Isabel Prudencio, Adrián Rodríguez, Alejandra Cerviño, María Teresa Terrero, Ángela Soria, María Quiles e Álvaro Arribas.

Sexta, 12, 18.30, Cantina Velha

A Última Cornija do Mundo

A Última Cornija do Mundo

A partir de Alessandro Baricco Maricastaña, Fernando Dacosta dirigiu esta peça na Universidade de Vigo, em Espanha, com interpretação de Manuel D'angiulli, Fani González, Paco Daza, Silvia Pazo, Chelo Cortiñas, Irene Pérez, Héctor Martínez, Silvia Domínguez, María Novoa, Gael Gallego, Álex Hermida, Gonzalo Otero, Lina Errida e Conchi González. Peça que nos leva para a Pousada de Almayer, diz-se, “um lugar mítico nos limites da existência, onde o tempo transforma os hóspedes”, onde um pintor tenta “pintar o mar com o mar”, uma mulher quer deixar de ser adúltera, um professor escreve uma enciclopédia, uma rapariga quer fugir da morte e viver, um padre cria orações únicas, e, ainda, um homem que lê pensamentos sedento de vingança e três rapazes que podem entrar em sonhos, “procurar os olhos do mar e transformarem-se em mulheres”.

Sexta, 12, 21.30, Comuna

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De Novo Mar

De Novo Mar

Mantendo a sua tradição de colectivo, a ficha técnica deste espectáculo proposto pelo GEFAC, da Universidade de Coimbra, apenas consagra as colaborações individuais de Leonor Barata (coreografia), Filipa Malva (cenografia e figurinos), Eduardo Pinto (vídeo) e Jonathan Azevedo (desenho de luz). É deste trabalho colectivo que nasce este texto feito de fragmentos de memória, o fluir do tempo, o impulso de partir atrás do “sonho e ao desassombro”, a necessidade de um cais onde o imaginário colectivo encontra terra firme e preenche o vazio de quem fica, de quem eternamente regressa e de quem finalmente aí se reencontra”.

Sábado, 13, 21.30, Comuna

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Mulheres-palhaço, ou um Maio de gargalhada em Lisboa

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