Festival de Almada 2017: cinco estreias em português

Entre a fartura de teatro, e também de dança e de música incluídas nas 44 produções da programação do 34ª Festival de Almada, especial importância têm as estreias de companhias nacionais, pois elas costumam ser o espelho do que está para vir

Ela Diz

As estreias made in Portugal são cinco. Uma vem de uma co-produção inédita; três outras são, por assim dizer, uma antevisão dos próximos meses, ou, se preferido, da próxima temporada. E quem gosta de olhar mais a longo prazo têm ainda a possibilidade de saber o que fazem os finalistas de teatro no momento de se mostrarem profissionais.

Festival de Almada 2017: cinco estreias em português

História do Cerco de Lisboa

História do Cerco de Lisboa

É um exagero chamar-lhe superprodução. Porém, baptizá-la de grande colaboração, e até acrescentar rara, já diz do significado do esforço conjunto levado a cabo para montar a dramaturgia de José Gabriel Antuñano de História do Cerco de Lisboa, romance de José Saramago, pela primeira vez em cena, com encenação de Ignacio García. Para aqui chegar foi preciso juntarem-se quatro companhias: Acta – Companhia de Teatro do Algarve, Companhia de Teatro de Almada, Companhia de Teatro de Braga e o Teatro dos Aloés. Um exemplo que não só garante, para já, quatro dezenas de apresentações por todo o país, como, espera-se, se torne exemplo e se multiplique. Em palco, com cenografia de José Manuel Castanheira, estarão, entre outros, Ana Bustorff, Elsa Valentim, João Farraia e Jorge Silva, para interpretar, segundo o encenador, um romance que consiste “sobretudo na história de um ‘não’, e numa reflexão sobre os mecanismos da criação literária.”

Teatro Municipal Joaquim Benite. Quarta 5, 21.30; Quinta 6, 19.00

Operários

Operários

Vinte anos depois de nascer e muito tempo viver na Margem Sul, a companhia Útero – Associação Cultural concentra toda a sua energia na estreia de uma nova criação para o festival nas mãos, por assim dizer, de um dos seus fundadores, Miguel Moreira, e de Romeu Runa, o bailarino que mais recentemente se juntou à companhia. Operários, obra, como é tradicional, de grande fisicalidade e pouca conversa, é, como o título praticamente grita, uma homenagem aos trabalhadores, os quais, segundo Miguel Moreira, como os artistas, “pensam o Mundo na sua imensa fragilidade e força de transformação.”

Teatro-Estúdio António Assunção. Quarta 5, 21.30; Quinta 6, 19.00; Sexta 7, 21.30; Sábado 8, 19.00; Domingo 9, 21.30 

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Ela Diz

Ela Diz

Resumindo: a nova criação de Carlos J. Pessoa para o Teatro da Garagem é um diálogo, ou melhor, “uma discussão, uma luta corpo a corpo que opõe mãe e filha”. Lana caprina, pode-se pensar, coisa de todos os dias. E é verdade, mas as coisas de todos os dias nunca são vulgares depois de passarem pela imaginação do dramaturgo e encenador e pelo trabalho de palco da companhia. Espere-se, portanto, ver “as tensões acumuladas ao longo de vários anos distenderem-se como músculos que levamos contraídos, num jogo de desabafos e recriminações”.

Teatro Taborda (Lisboa). Quarta 5; Quinta 6; Sexta 7; Domingo 9, 21.30; Sábado 8, 16.00

Karl Valentim Kabarett

Karl Valentim Kabarett

A inclinação de Ricardo Neves-Neves e o seu Teatro do Eléctrico para o absurdo, mais a sua paixão pelo espectáculo e pelo entretenimento, têm levado este criador e esta trupe, quer através dos seus textos originais, quer daqueles autores que, digamos, adoptam, através de um percurso particularmente estimulante. E por esse caminho parece seguir também este Karl Valentim Kabarett, exemplo de teatro musical, obviamente baseado nas canções de Karl Valentim, que conta com um coro de 11 actores/ cantores (entre eles Elsa Galvão e Fernando Gomes) e uma orquestra de 10 músicos.

Escola D. António da Costa. Segunda 10, 22.00

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Primeira Imagem

Primeira Imagem

Eis uma peça que pode ser uma imagem do futuro do teatro português. Não tanto pelo seu criador e encenador, o jovem e talentoso, porém muito experiente, John Romão, mas porque em palco estarão alunos finalistas da licenciatura de Teatro da Escola Superior de Teatro e Cinema, a maioria deles pela primeira vez a apresentarem-se perante uma plateia. E tudo indica que Romão não lhes tornou o “exame” fácil, pois o seu ponto de partida foi “parte significativa das obras de Vito Acconci e Bruce Nauman”, alvo de uma “recontextualização contemporânea” e não de uma “reconstituição histórica”; por outras palavras, a diferença entre influência e homenagem.   

Teatro Nacional D. Maria II. Quarta 12, 19.30; Quinta 13; Sexta 14; Sábado 15, 21.30; Domingo 16, 16.30

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