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Dina Lopes
©João Saramago Dina Lopes, coordenadora do Paralelo

"Não estamos a educar, mas a propor e a partilhar"

Dina Lopes é a coordenadora do Paralelo, o projecto do Teatro Municipal do Porto cuja missão é, quase 365 dias por ano, chamar novos e diferentes públicos para as artes performativas, dentro e fora do palco

Por Mariana Duarte
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As actividades são muitas e arrancam já em Setembro. Por aqui passam escolas, famílias, miúdos e graúdos.

Porquê o nome Paralelo – 
Programa de Aproximação às Artes Performativas, e não Serviço Educativo?


Não é um serviço educativo. 
São propostas e actividades paralelas à programação do teatro e feitas em sintonia
 com ela. Não é um projecto 
que vive isolado, antes pelo contrário. É trabalhado em equipa [Carla Moreira e Rute Pimenta integram também este departamento], é partilhado e
 é para todos os públicos. Tem a missão de aproximação às artes performativas não se cingindo apenas a uma faixa etária. Nós não estamos a educar, mas a propor e a partilhar.


Este programa arrancou logo no início da reabertura do Teatro Municipal do Porto (TMP)?


Sim. É um projecto muito 
ligado à programação do Tiago [Guedes, director artístico do TMP]. Veio da necessidade de encontrar aqui um local que promovesse esta aproximação através de actividades que são completamente conectadas com a programação do teatro. Entre elas, workshops, encontros, conversas, espectáculos... Também criámos uma agenda que fosse direccionada para certos públicos – crianças, jovens, escolas e famílias –, muito por causa do timing das escolas. É lançada com muita antecipação precisamente para permitir às escolas incluir no seu programa curricular actividades propostas pelo teatro [a Agenda Paralelo pode ser consultada no site do TMP].

Notam que há, de facto, essa inclusão nos programas curriculares?


Sim. Tem sido um caminho que tem sido feito. Acho que as próprias agendas reflectem esse caminho.


Em que sentido?

A cumplicidade que se tem criado ao longo destes anos com as escolas também permite perceber o que é
 que faz sentido dentro da programação do teatro e, ao mesmo tempo, aquilo que
 vai ao encontro do programa curricular. Há aqui várias propostas que são de alguma forma disruptivas, ou que são pouco convencionais, mas as próprias escolas começam a perceber a importância que essas propostas acabam por trazer ao plano curricular. O Programa Paralelo tem sido um percurso de aproximação à cidade, aos públicos, e procura desmistificar a ideia de que as artes performativas não 
são para todos. As estratégias [de aproximação] são muito diferenciadas porque os públicos não são todos iguais, as pessoas não são todas iguais.

Trabalham com escolas públicas do Porto?


Do Grande Porto. Batemos
 a todas as portas até elas se abrirem.

Há especificidades em determinadas zonas?


Há muitas escolas que têm de lidar com falta de orçamento. O que fazemos é levar às escolas as actividades.


Como se faz a ponte entre o Paralelo e a programação geral do TMP em termos de públicos?


Essa relação é trabalhada 
de forma diferenciada, 
desde os workshops que são para profissionais ou não profissionais, workshops para seniores ou o Aquecimento Paralelo, em que se sugere ao público que tem um bilhete para determinado espectáculo vir fazer um aquecimento relacionado com essa peça. É evidente que a relação que se cria depois com o espectáculo é totalmente diferente, porque o público já o vivenciou no corpo antes de o ver. Há também os encontros, como levar artistas às escolas – é importante perceber que os artistas são pessoas, que aquilo que os move são coisas tão importantes para eles como para muitos de nós. Esse diálogo desperta curiosidade. Temos, por exemplo, uma actividade que é a Oficina 
do Espectador. Este ano não temos só para adolescentes [ensino secundário], temos também para o 1º ciclo e é o Tomás Magalhães Carneiro, da área da Filosofia Pública, que vai promover estas conversas. Todas as opiniões e questões são válidas, não há perguntas que não são pertinentes.

Isso faz parte de um trabalho 
de formação e diversificação
 de públicos. Mas não acha que
 o público do teatro continua a
 ser quase sempre o mesmo, e predominantemente de classe média e classe média alta?


Nem por isso. Acho que há cada vez mais jovens. Temos muitos adolescentes a vir cá ao teatro. Os públicos que vêm já estão conquistados. Temos de trabalhar para aqueles que ainda não vieram. É muito importante não perder a noção de que o trabalho nunca está concluído.

As artes performativas continuam a ser um meio elitista.

Acho que menos. Por exemplo, os bilhetes do TMP são a um preço bastante acessível e a própria programação, como é diversificada, também vai
 ao encontro de diferentes públicos. Projectos continuados que trabalham com os vizinhos do teatro ou com grupos específicos são formas de chegar a públicos que ainda não entraram aqui. Em qualquer teatro, há que desmistificar a ideia de que as artes não
 são tão ou mais importantes quanto outras componentes de formação do indivíduo.

O mais complicado é fazer com que esses públicos das actividades do Paralelo se tornem espectadores regulares de artes performativas, no TMP e noutros teatros.

Isto é um processo de diálogo 
e acreditamos que o impacto é replicador, funciona como uma bola de neve. E tem acontecido. Tivemos um projecto que
 acho que é muito significativo, o Sem Legendas [2016], em 
que adolescentes e seniores viam o mesmo espectáculo
 e conversavam no final, em pares. Criou-se um grupo e eles continuam a reunir-se e a vir em conjunto ao teatro.

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