

Miguel Januário, o artista por trás do ±MaisMenos±, começou a fazer intervenções de rua com este nome em 2005. Dez anos depois, em 2015, teve na Underdogs a exposição individual "O Princípio do Fim".

Enquanto a casa do Braço de Prata está em obras, a Underdogs muda-se temporariamente para o número 18 da Praça do Príncipe Real para mostrar ao centro de Lisboa os artistas que marcam os sete anos de existência da plataforma. De 12 a 28 de Maio estão aí 14 artistas. Nem vá mais longe, estão aqui também.
Praça do Príncipe Real, 18. Ter-Dom 11.00-20.00. Até 28 de Maio. Entrada livre.
Saiba mais na Time Out desta semana.


Miguel Januário, o artista por trás do ±MaisMenos±, começou a fazer intervenções de rua com este nome em 2005. Dez anos depois, em 2015, teve na Underdogs a exposição individual "O Princípio do Fim".


Para além de poder ser uma pedra pequenina, Pedrita é a junção de Pedro e Rita, os dois designers por trás deste estúdio nascido em 2005. Sediados em Lisboa, olham para técnicas tradicionais como a do azulejo.


O azul de sempre dos azulejos está muito presente no trabalho de Add Fuel, ou Diogo Machado, designer e ilustrador. A este ícone da cultura material portuguesa junta o stencil, por exemplo. No início do ano apresentou “Something Old, Something New, Something Borrowed” na Underdogs.


Da Alemanha para Príncipe Real, Clemens Behr usa materiais baratos para criar estruturas efémeras muito ligadas ao seu background de arte urbano.


A linguagem digital em que estamos mergulhados é uma das inspirações mais importantes para Felipe Pantone. Em Março veio de Espanha para montar na galeria do Braço de Prata "Artifact of Human Communication".


Chamam-se Cyrcle e fundaram-se em Los Angeles, em 2010, mas desde então correm o mundo para mostrar as suas obras frequentemente abstractas pensadas tanto para espaços interiores como para a rua.


Cor, personagens expressivas e um eniverso divertido, quer seja numa tela ou na fachada de um prédio em Lisboa. AkaCorleone iniciou-se como writer de graffiti e tornou-se designer gráfico, profissão que abandonou para se dedicar à arte.


A vida que Wasted Rita põe nas suas ilustrações ou até nas tatuagens que desenha não tem ilusões nem esperanças e é muito ligada ao quotidiano contemporâneo, às pequenas lutas de todos os dias. Muitas vezes as suas obras são frases e esta Rita perdida parece uma poetísa que desenha.


Maria Imaginário já adoçou os edifícios lisboetas ao pintar gelados e outros doces em larga escala, mas conhecendo mais do trabalho da ilustradora percebe-se que sabe que a vida é agridoce. Pelo menos para as suas personagens que mostram a ironia da vida.


Oliver Kosta-Théfaine vem da arte urbana francesa e desde 1996, quando começou a expôr, os seus trabalhos podem ser uma escultura, uma pintura ou uma instalações. O que nunca o abandona é a ligação à cultura popular urbana.
As paredes andam cheias de rabiscos que nada devem à criatividade. Mas nos últimos anos a cidade tornou-se uma das capitais mundiais da arte urbana. Escolhemos 10 obras que merecem a sua atenção.
“A Cidade da BD”, como se tem afirmado em Portugal e como confirma a parede de um túnel a caminho do Fórum Luís de Camões, é uma referência da expressão artística no espaço público e na cultura urbana da Grande Lisboa. Na rota da arte pública, contam-se mais de uma centena de murais, graças sobretudo ao projecto “Conversas na Rua”, organizado pelo município desde 2015, que promove todos os anos várias intervenções artísticas, em articulação com o património e a paisagem urbana da cidade. Entre as diferentes propostas visuais, encontramos obras de artistas como Odeith, Akacorleone, Vile e Smile. Pode vê-las num acervo virtual ou aproveitar para programar um passeio em família com este roteiro de arte urbana na Amadora, onde procurámos reunir alguns dos mais bonitos ou surpreendentes graffitis.
Recomendado: Siga este roteiro de arte urbana em Lisboa
São 56 as estações de toda a rede do Metropolitano de Lisboa. E todas, mas mesmo todas, são verdadeiras galerias de arte urbana, não a céu aberto, mas debaixo de terra. Artistas consagrados da nossa praça deixaram o seu cunho na história dos transportes públicos alfacinhas e, embora seja uma tarefa difícil, escolhemos sete estações que merecem um olhar especial. Falamos-lhe de obras de Almada Negreiros, Vieira da Silva e Arpad Szenes, Querubim Lapa, Júlio Pomar, Maria Keil, Júlio Resende ou mesmo do célebre cartoonista António Antunes. Uma viagem para apreciar e partilhar.
Recomendado: Uma viagem pelo túneis fechados do Metro de Lisboa
A Oficina Iminente assumiu-se como o novo modelo do festival Iminente, mas adaptado às novas circunstâncias. O festival mudou e aconteceu de 9 a 19 de Setembro no Panorâmico de Monsanto num formato híbrido, dividido entre transmissões online de concertos e conversas, e workshops e intervenções de arte urbana. Ao longo dos dias de festival, nasceram novas obras de arte que ficarão no Panorâmico para apreciação de todos, assim que este abrir enquanto miradouro – coisa que se prevê para Outubro. Add Fuel, AkaCorleone, Francisco Vidal, Tamara Alves e Wasted Rita foram os culpados das novas intervenções com a curadoria e direcção artística da Galeria Underdogs.
Recomendado: Exposições para ver este fim-de-semana em Lisboa
O projecto AgualvArte, promovido pela Junta de Freguesia de Agualva e Mira-Sintra desde 2015, ocupa as principais ruas de Agualva-Cacém, reunindo obras de artistas como Edis One, Odeith, Tamara Alves, Gonçalo MAR, Utopia e Bordalo II. “Actualmente, temos uma, duas dezenas de intervenções dos melhores writers do graffiti nacional na freguesia, mas eu queria era uma centena de todos os writers que pintam”, confessou à Time Out o presidente da Junta de Freguesia Carlos Casimiro. “Agualva-Cacém é a décima maior cidade do país, mas não tem muito que a distinga. A intervenção em arte urbana é algo que a pode distinguir, razão para o nosso investimento, feito à escala da freguesia, mas que pretendemos ampliar.” Além da Junta de Freguesia de Agualva e Mira-Sintra, a Câmara Municipal de Sintra tem também promovido activamente a arte urbana no concelho, inclusive com a organização, em 2019, da 1.ª edição do Festival Sintra Geo-Graffiti, na Praia Grande, onde foi possível observar vários artistas a executarem as suas obras. É caso para dizer: está na hora de ir desconfinar com este roteiro de arte urbana em Sintra.
Recomendado: De Berlim à Síria, passando por Lisboa: a arte urbana não quer esquecer George Floyd
O papel de parede que forra a cidade traduz-se em arte urbana, um movimento crescente dos últimos anos. Falámos com o artista Mário Belém que nos contou que há limites quando chega a hora de colorir a cidade, desde que tudo tenha conta, peso e medida. Mário Belém fez recentemente um mural em Santa Apolónia em jeito de celebração dos 150 anos da abolição da pena de morte em Portugal e colaborou com a “Coruja para as Artes”, a nova plataforma de apoio à Arte Pública e Urbana dinamizada pela Super Bock onde fez uma coruja que pode ver aqui. Mas nem só em terra lusa o artista deixa a sua marca: a obra mais recente foi um mural na Indonésia, num campo de surf.
D*Face – é assim que todos o conhecem, como um dos maiores nome da arte urbana mundial. O artista britânico veio a Lisboa e deixou, pela primeira vez, a sua marca na cidade num mural no Parque das Nações, que serve de antecipação ao festival MURO 2021, que decorrerá entre 22 a 31 de Maio. Entre latas de tinta e os pares de olhos da obra que deixou na Avenida Aquilino Ribeiro Machado, a meia dúzia de passos da Estação do Oriente, o artista teve tempo de falar com a Time Out sobre o estado da arte urbana e a sua passagem por Lisboa.
Desenhavas autocolantes à secretária e começaste a colá-los na rua. Algo tão simples quanto autocolantes. Como é que isso passa para o que fazes hoje e para murais das dimensões que pintas?
A minha mãe levava-me a museus e galerias mas eu não ouvia aquela voz da arte a falar comigo, só quando passeava nas ruas de Londres é que me ia conseguindo identificar com coisas, com aquelas figuras. Fui estudar design gráfico e ilustração e comecei a perceber sobre o que era tudo aquilo que eu via. Arranjei um trabalho na área, um trabalho que achei que ia ser criativo e que se transformou numa coisa muito frustrante – começas a pensar que seria melhor não ter estudado se era para fazeres aquilo que estavas a fazer. Então estava à procura de saltar fora, e esse saltar fora foi sentar-me à secretária e ir desenhando personagens, muito ligadas aos meus interesses na altura e a coisas do meu passado, e pensei: porque é que não desenho isto em vinil e faço autocolantes? Foi aí que começou. No meu caminho casa-trabalho eu ia colando os autocolantes por todo o lado na rua, nos postes, na estação de comboios, nas caixas de electricidade. Tornou-se viciante. E depois um sticker virou 10, desses 10 viraram 100 e depois vieram os posters, a coisa foi-se dando. Sei que foi um acto um bocado egoísta, porque estava apenas a libertar-me criativamente, sem barreiras, sem curador, sem cliente.
Recebeste algum tipo de reacção das pessoas durante esse tempo?
Não não, por muito tempo não tive qualquer reacção. Não havia nada na altura que o apelidasse de arte urbana, havia graffiti e uma vertente mais de stencil, mas nada classificava o meu trabalho na altura. Só anos mais tarde, quando já estava a fazer outras coisas é que as pessoas me diziam "ah lembro-me de ver os teus autocolantes na rua". Era muito fixe quando isso acontecia porque acabou por ser uma espécie de combustível para continuar esta minha jornada.
E a questão de a arte urbana ser muito visual e facilmente partilhável, sentiste que as redes sociais ajudaram?
A arte urbana é muito visual e espalha-se facilmente porque está nas ruas para toda a gente ver, é um processo muito orgânico e democrático. Não é preciso ter educação em artes ou perceber do assunto para conseguir apanhar a mensagem. Só têm de passar, olhar e perguntarem-se sobre o que estará ali representado, que mensagem é aquela. É para todos, qualquer sexo, qualquer etnia, qualquer idade.
Disseste que o teu trabalho te limitava criativamente e foi por isso que criaste o teu mundo disfuncional onde não havia regras. Isso foi um escape para poderes fazer tudo aquilo que não tinhas liberdade para exprimir emquanto profissional?
Absolutamente. As personagens, como disse antes, até estavam muito relacionadas com a Disney, por exemplo, porque eram representativas na altura daquilo que eu era ou o que já tinha sido. Eram uma espécie de alter egos, que gostavam de tags e de skate. Lá está, coisas que eu gostava na altura do meu mundo sem regra alguma. Claro que era um escape da minha outra vida.
Estavas a dizer que a arte urbana é para todos, e tu queres que as pessoas parem, que olhem e que pensem sobre o que vêem, que sejam críticos. Há uma componente educativa na arte urbana?
Claro que sim, porque fala do público e para o público. Tudo o que é preciso é vontade de falar e passar uma mensagem e pode ser algo político ou simplesmente pictórico. Queremos exprimir-nos, mas ter essa liberdade também nos faz carregar uma responsabilidade de ter uma voz pública. Por exemplo, com o Black Lives Matter as pessoas sentiram essa necessidade de se exprimirem e irem para a rua deitar cá para fora as suas frustrações, são gritos de ajuda e isso é inspirador. Porque qualquer pessoa pode fazê-lo.
Fazes uma crítica muito directa ao consumismo, e na forma como as pessoas consomem, olham e vivem a cultura pop. Por que é que isto se tornou numa questão?
No início, lá está, as personagens que fazia eram o reflexo de mim, mas depois percebi que as pessoas também queriam fazer uma pausa daquilo que as rodeava. Fazia-me impressão como é que, por exemplo, nunca ninguém pára para pensar nos anúncios – eu não pedi para ter aquele billboard no meu caminho, eles existem em todo o lado e ninguém questiona, nem porque é que estão ali, nem qual é a mensagem. O meu trabalho pode então ser uma pausa subversiva disso tudo, e é simples como é. Pensei que se tornasse a minha voz mais directa fosse mais fácil para as pessoas perceberem a sociedade consumista em que estão e a esta cultura do consumismo que nos é imposta.
Agora com a pandemia as pessoas ficaram mais alertas para isso também, não achas? Começaram a pensar no que é realmente importante...
Nunca foi a minha intenção dizer "não bebam Coca-Cola, não bebam Starbucks, não usem Nike", não é essa a minha intenção até porque eu também o faço. Tem mais a ver com o processo, não é um grito de "não o faças!" é mais no sentido de "percebe o que estás a ver e as consequências antes de tomares decisões". E claro que com a pandemia tornou-se mais relevante as pessoas questionarem o que vêm e o impacto que isso tem. Os tempos que estamos a viver são históricos a todos os níveis, mas gostava que o meu trabalho fosse uma réstia de esperança, um ponto positivo de tudo isto.
E voltar às ruas também representa essa réstia de esperança.
Sim, finalmente. É importante ver as cidades voltar a este ritmo, voltar a fazer coisas. Voltar a ver pessoas a parar junto às nossas paredes, eu só quero que a minha voz seja ouvida.
E é a primeira vez em Portugal, certo? Primeiras impressões?
Estou a adorar. Quer dizer, eu venho de Londres por isso ter sol aqui todos os dias é só maravilhoso, muito melhor do que nós temos lá no Verão. As pessoas são muito acolhedoras, a comida é incrível, e tivemos direito a uma parede gigante para tratar. Não se pode pedir mais.
Fala-me sobre esta obra, que serve de antecipação ao festival Muro de 2021.
Esta parede primeiro foi um desafio porque é gigante, e é uma parede longa por isso torna-se num desafio maior contar uma história aqui. O que percebi é que, geograficamente, esta zona é muito frequentada, estão sempre a passar carros e pessoas, e sempre pessoas muito diferentes porque estás perto da estação de autocarros e comboios. É um ponto de encontro de quem vem e vai. Durante estes tempos tudo o que tu vês são os olhos das pessoas, toda a gente usa máscara, toda a gente tem de decifrar o que sentes pelos teus olhos, é lá que está a expressão facial. Então achei que seria interessante fazer só isso: figuras que só estão representadas em metade da cara, portanto só se vêem os olhos.
Os olhos são os espelho da alma...
É, é interessante perceber como é que estes olhos ou aqueles contam uma história. Será que aquela pessoa está triste? Estará contente? Esta parede é um reflexão de tudo o que vivi ultimamente também, representa um bocado do passado, do presente e do futuro.
Lisboa tem crescido bastante no cenário da arte urbana. O que é que a arte urbana pode fazer por uma cidade?
Faz por Lisboa o que faz por qualquer cidade, eu acho. As cidades tornaram-se numa espécie de tela que permite os artistas pintarem e passarem uma mensagem. Depois há outra coisa que é estar no domínio público. É um acto político, mesmo que não estejas a fazer um statement político, estás a questionar o acto de propriedade. E Lisboa parece-me uma cidade óptima para isso, tem um componente muito histórica da própria cidade, que contrasta incrivelmente com esta mais urbana.
Desta estadia em Lisboa, já visitaste alguns sítios da cidade? Alguma tour pela arte urbana?
Não, ainda não consegui. Estivemos aqui o tempo todo a trabalhar na parede. Mas já provei pastel de nata e passou a ser a minha sobremesa preferida de sempre.
Recomendado: Roteiro de arte urbana em Lisboa
Discover Time Out original video