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©Filipe FerreiraA Divina Comédia

As cinco melhores peças de teatro do ano

O Bando, Artistas Unidos, Os Possessos, Teatro Nacional D. Maria II e Teatro da Cidade. Eis as companhias que a Time Out diz ter feito os melhores espectáculos de 2017.

Escrito por
Miguel Branco
e
Rui Monteiro
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Silêncio: o espectáculo já acabou. Mas a cortina volta a subir uma última vez, para recordarmos as melhores peças de teatro de 2017. 

As cinco melhores peças do ano

A Divina Comédia - Inferno

Na visão de João Brites para este espectáculo de O Bando, o Inferno somos nós. A nossa acção, a nossa inércia, a nossa resignação. Nesta encenação, Brites, sem ignorar o âmago do original, transfere-o para uma realidade mais simbolicamente terrena. Uma existência em que tudo parte de nós, como indivíduos ou como grupos projectando nos outros os nossos males; procurando uma causa externa, divina, para justificar interesse próprio e egoísmo simples – que o condicionamento religioso e social, afinal, em vez de limitar, ironicamente inflacionou nesta era.

O Cinema

Este retrato de três falhados está muito bem representado na encenação cuidada e exemplar de Pedro Carraca, que os mostra como gente vulgar, sim, marcados pela vida, decerto, contudo seres dotados de sensibilidade, desejando, mesmo quando limpam a porcaria dos outros, o extraordinário. Por exemplo: uma crença no humanismo, ou algo mais simples como amizade a sério e amor correspondido; algo que contrarie as suas limitações e a mediocridade do seu destino. É peça que exige paciência; a recompensa não é imediata, mas espera por todos no fim.

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Marcha Invencível

O texto e a encenação de João Pedro Mamede para o espectáculo de Os Possessos é resultado de uma reflexão sobre a literatura da distopia e a observação da realidade, e, também, uma forma de reacção ao que parece ser resignação generalizada perante factos tantas vezes difíceis de compreender. É peça sobre a incerteza, mas sobretudo é uma tentativa de compreensão de como chegámos aqui e para onde realmente vamos. Dilema expresso dramaticamente neste enredo suspenso entre a expectativa de um beijo e uma rapariga que sonha, espécie de vaivém alimentado por uma variedade de realismo mágico feito de fragmentos, pedaços de um quebra-cabeças que é necessário montar. 

Sopro

O costume é ser um sussurro que vem de trás de cenário e não chega à plateia. Agora é como uma sombra. No palco, soprando palavras que raro se ouvem para além das tábuas, sem olhar o público, fazendo o espectáculo fluir. A ponto não é actriz, mas é a protagonista e a inspiração desta peça, melhor, homenagem, não, celebração. Do teatro, claro, pois se uma parte da peça de Tiago Rodrigues é sobre a extinção de uma profissão, a substância é o mistério escondido por detrás dos panos, o sopro que vem dos bastidores e não deixa os actores perderem-se. 

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Topografia

A segunda criação colectiva do Teatro da Cidade (Bernardo Souto, Guilherme Gomes, João Reixa, Nídia Roque e Rita Cabaço), estreado em Março na Ribeira (casa dos Primeiros Sintomas), é um mapa de três lados. Quadros distintos em que o grau de relação varia, entre o momento da marmita pelo almoço – onde pouco se fala – e a reunião de condomínio – onde se fala até à exaustão. Pretende-se reflectir sobre o conceito de comunidade, e sobre a sua eventual dissipação. 

Best of 2017

  • Restaurantes
  • Cozinha contemporânea

Um restaurante para dez com técnica francesa no coração de Lisboa, outro para 18, em Sintra, com técnica japonesa sob o olhar português e um último que está a apostar tudo em trazer toda a informação sobre o produto e o produtor para a mesa, sem medo de ter um menu de degustação exclusivamente vegetariano num restaurante de Estrela Michelin. André Lança Cordeiro, Pedro Almeida e João Rodrigues são os chefs do ano para a Time Out graças aos seus projectos diferenciadores e com atenção ao detalhe. Conheça-os melhor e saiba para onde caminham. Recomendado: O melhor que comemos em Lisboa em 2017 Os melhores novos restaurantes de 2017 em Lisboa

Os melhores filmes de 2017
  • Cinemas

Cada final de ano, na altura dos habituais balanços, e no que ao cinema diz respeito, chegamos sempre à mesma conclusão. Começámos pouco optimistas em relação à qualidade dos filmes que íamos ver; e acabámos com a satisfação de que vimos suficientes bons filmes para elaborar uma lista com os dez melhores, e ainda ficam de fora uns quantos que também lá cabiam perfeitamente. 

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  • Música

A música portuguesa vive dias bons. Com bandas e artistas a falarem a sua língua e a produzirem canções que reflectem o país e o presente. Do indie rock português das Pega Monstro e Putas Bêbadas às batidas afromecânicas de Nídia e DJ Lycox, passando pela folk lisboeta de Éme e Luís Severo, o hip-hop de Slow J e os Orelha Negra ou o fado de Camané. Estes foram os melhores discos do ano.

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  • Restaurantes

Foi um ano em que Lisboa ganhou muita comida do mundo e em que a cozinha de autor continuou a crescer na cidade. Não se perca no arquivo da Time Out nem em pesquisas na internet: lembramos-lhe so essencial dos melhores novos restaurantes de 2017 em Lisboa e ainda recuperamos o que os críticos Alfredo Lacerda e Marta Brown disseram sobre alguns deles.

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