Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Foi lançada a segunda pedra para uma residência permanente de artistas
Carrilho da Graça
©Mansarda Carrilho da Graça, na campanha "Primeira Pedra"

Foi lançada a segunda pedra para uma residência permanente de artistas

A Câmara de Lisboa cedeu o terreno para uma residência destinada à comunidade artística. O projecto é de Carrilho da Graça.

Por Renata Lima Lobo
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Vai ser criada no Restelo uma residência com 80 quartos destinada à comunidade artística sénior, em regime de alojamento temporário ou permanente. É um projecto da Mansarda, uma associação criada pela directora de casting Patrícia Vasconcelos, também fundadora da Academia Portuguesa de Cinema, cujo lema é: “Quando a vida nos troca as voltas”. Funcionará à semelhança da Casa do Artista, que começou com a mesma missão no virar do século e que tem apoiado esta iniciativa. A parcela de terreno onde será construída, na Rua Gonçalo Velho Cabral, com vista para a Ponte 25 de Abril, foi cedida pela Câmara Municipal de Lisboa.

O contrato-promessa de cedência em direito de superfície foi assinado a 29 de Outubro e a Mansarda já desafiou o arquitecto João Luís Carrilho da Graça a desenhar a futura residência. Para já, é certo que além dos quartos, simples ou duplos, o edifício vai integrar um restaurante aberto ao exterior e um auditório com 100 lugares no qual será desenvolvida programação cultural. A ideia é que esta resulte de um encontro de gerações na criação artística. Como explicou Patrícia Vasconcelos na cerimónia que decorreu no terreno cedido, o que está planeado é “uma casa com portas e janelas abertas”.

A Mansarda nasceu a 25 de Novembro de 2014, com 23 sócios fundadores, mas só no ano passado viu inaugurada a sua sede, na Rua Mário Cesariny, em Entrecampos, num espaço também cedido pela autarquia. A primeira pedra desta residência foi simbolicamente lançada no início do ano com uma campanha de divulgação e angariação de fundos chamada precisamente Primeira Pedra. Existe mesmo um compacto mineral – que foi passado de mão em mão, de forma a ficar impregnado com o ADN de artistas como Paulo Furtado, João Reis, Nilton, Joaquim de Almeida, Ana Bustorff, Rogério Samora, Maria do Céu Guerra, Maria João Bastos ou do próprio Carrilho da Graça – que representa essa primeira pedra da Mansarda. Encontra-se selada numa caixa de vidro e servirá para iniciativas de angariação de fundos para este projecto.

No dia da celebração do contrato de cedência de terreno, Carrilho da Graça disse que este é “um dos projectos mais interessantes e desafiantes” para que foi chamado, o que é de assinalar tendo em conta que o arquitecto tem no portefólio projectos como o Terminal de Cruzeiros de Santa Apolónia ou o Pavilhão do Conhecimento, no Parque das Nações. E voltou ao assunto da pedra, mas uma que poderá ser usada no projecto que tem em mãos. Numa das visitas ao terreno com um geólogo, o arquitecto descobriu que o terreno tem por baixo “afloramentos basálticos”. “A ideia é usar a pedra como ponto de partida”, disse Carrilho da Graça, que imagina os espaços públicos no piso térreo (como o restaurante) e as residências nos andares mais elevados. “Vou tentar que seja o melhor possível. O projecto e a sua realização.”

Três obras de Carrilho da Graça

Pavilhão do Conhecimento
Pavilhão do Conhecimento
Fotografia: Arlindo Camacho

Pavilhão do Conhecimento

Museus Ciência e tecnologia Parque das Nações

Construído para a Expo 98, chamava-se Pavilhão do Conhecimento dos Mares e foi um dos espaços mais visitados na edição portuguesa da exposição mundial. No ano seguinte mudou de nome e desde então este museu de ciência de quatro mil metros quadrados já foi visitado por mais de 4,5 milhões de pessoas. Além da exposição permanente, recebe várias exposições temporárias e até 28 de Fevereiro pode ver “Viral”, uma premiada exposição itinerante e interactiva que está de volta ao Pavilhão do Conhecimento. Inclui um “Túnel Virulento” e novos conteúdos relacionados com a Covid-19.

Terminal de Cruzeiros de Santa Apolónia
Terminal de Cruzeiros de Santa Apolónia
©fg+sg

Terminal de Cruzeiros de Lisboa

Coisas para fazer Alfama

Tem capacidade para 1,8 milhões de passageiros e um cais com 1490 metros de comprimento. Uma obra inaugurada em 2017, que também inclui um terraço panorâmico, um novo espaço público com vista privilegiada para o Tejo que acumula funções como espaço para eventos. Foi vencedor do Prémio Valmor em 2019, ex-aequo com o Edifício Sede EDP, do ateliê Aires Mateus.

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Escola Superior de Comunicacao Social
Escola Superior de Comunicacao Social
©Manuel V Botelho_ Wikipédia

Escola Superior de Comunicação Social

O projecto do edifício para onde a ESCS se mudou em 1994 valeu a Carrilho da Graça uma menção honrosa do Prémio Valmor. O júri destacou o enquadramento e a relação do edifício com o local, na Rua Carolina Michaelis de Vasconcelos, com destaque na altura para a “expressa tendência da arquitetura de uma geração mais recente... de modo peculiar na procura de novas soluções arquitectónicas”.

Arquitectura em Lisboa

Pavilhão de Portugal
Fotografia: Ana Luzia

Prémio Valmor: siga o roteiro dos edifícios distinguidos em Lisboa

Atracções

São prédios com prémio, passando o trava-línguas. Criações com assinatura de prestigiados arquitectos que mantêm o seu espaço na cidade. O famoso Prémio Valmor remonta a 1898, quando foi instituída a atribuição de um valor pecuniário para repartir por arquitecto e proprietário da construção. A ideia foi do 2º visconde de Valmor, Fausto de Queirós Guedes, e a distinção começou a ser atribuída em 1902. Em pouco tempo, tornou-se num dos galardões mais prestigiados na cidade nesta área. Dos primórdios do século XX aos projectos mais recentes, viaje pelo passado e presente ao sabor de edifícios emblemáticos em Lisboa.

gare do oriente
©Martín Gómez Tagle/Wikicommons

As melhores obras de design e arquitectura em Lisboa

Coisas para fazer

Os feitos arquitectónicos lisboetas estão longe de ter acabado na empreitada pombalina. Milhares de toneladas de betão, ferro e vidro depois, não faltam grandes obras de arquitectura e de design, ao estilo de cada época, para ver sem pagar bilhete. Visitar estes ex-líbris da cidade está ao alcance de todos os que quiserem ver as melhores obras de design e arquitectura de Lisboa. Só tem de se orientar pela nossa lista cheia de curvas e contracurvas arquitectónicas. Dê corda aos sapatos e explore este roteiro obrigatório pelas melhores obras de arquitectura e design em Lisboa.

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