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Notícias / Vida urbana

Tudo o que abriu no primeiro ano da Time Out e ainda marca a cidade

Kaffeehaus, ESPLANADA
Fotografia: Ana Luzia

Que a cidade mudou muito em dez anos ninguém tem dúvidas. O que o leitor talvez já não se lembre é que há 10 anos, quando o primeiro número da Time Out Lisboa saiu para as bancas, não havia LX Factory, Museu do Oriente nem, imagine-se, o jardim do Miradouro de São Pedro de Alcântara como hoje o conhece. As aberturas de restaurantes e lojas faziam-se a um ritmo bem mais lento e por isso o primeiro ano da revista foi, mais do que um conjunto de reportagens às novidades, um mergulho de cabeça na cultura e vida na cidade.

Voltámos a nadar nessas águas, fizemos a retrospectiva desses 365 dias, relemos as 52 revistas e, pelo caminho, repescámos vários negócios/edifícios/instituições (riscar à medida que for lendo) que abriram e que ainda hoje se mantém de pedra e cal. A viagem começa em Outubro de 2007 e dura até fim de Setembro de 2008.

 

Kieh’ls

A marca histórica de cosmética nova-iorquina aterrou em Lisboa no final de Setembro de 2007. Foi directa para a Rua António Maria Cardoso, no Chiado, onde se manteve quase uma década, até passar para os Armazéns do Chiado, o Príncipe Real e o El Corte Inglès. O que importa é mantê-la entre nós, verdade? Citando a segunda edição da Time Out, “Porque se Sarah Jessica-Parker (...) diz que o seu creme preferido de todos os tempos é o Créme de Corps da Kieh’ls, então nós também reclamamos o direito a experimentá-lo.”

 

A primeira Kieh'ls do Chiado
©DR

 

 

 

 

Pó dos Livros

Ainda no arranque do mês incluímos a Pó dos Livros num artigo sobre as Sete Melhores Livrarias Independentes de Lisboa e cá estamos de novo a falar de um dos grandes espaços para amantes de livros da cidade. No terceiro número da Time Out Lisboa, hoje um exemplar de páginas amareladas (mentira... que aquilo é papel de qualidade) dava-se conta da abertura da Pó dos Livros no lugar de uma antiga loja de cozinhas, um projecto com “um ritmo e uma solenidade de biblioteca mas uma apresentação moderna, com um pequeno café para quem quiser beber a bica no meio de livros…”

 

 

Pó dos Livros
Fotografia: Arlindo Camacho

 

 

Spirito - Spa do Sheraton Lisboa

Pelo que se pode ler na edição 15 da revista, entrámos no Spirito antes mesmo da inauguração. Pelo mesmo artigo fica-se a perceber que os spas abundavam na cidade por essa altura, mas que este vinha com dois trunfos: estar instalado no luxoso Sheraton e ser um spa com “tratamentos e produtos de origem mediterrânica, o que vem contra a tendência asiática que por aí prolifera”. Atente que as palavras são de Janeiro de 2008 e que entretanto o panorama mudou. O que não mudou foi o espírito deste Spirito. E ainda bem.

 

Spirito Spa
©DR

 

 

 

 

Bar Fontana Park Hotel

Falou-se dele no arranque de 2008, num tema de capa dedicado a bares, restaurantes e cafés com estilo. O sítio tinha acabado de abrir, assumia-se como o primeiro hotel design de Lisboa, num edifício projectado por Francisco Aires Mateus e decorado por Nini Andrade Silva, num projecto decorativo com linhas sóbrias, com o preto como cor dominante. “Uma das paredes do espaço é toda em vidro e dá para um pequeno jardim interior.” O bar ainda existe, o hotel ganhou nova e comprida nomenclatura - Hotel DoubleTree by Hilton Lisbon - Fontana Park Lisboa -, mas o estilo ainda está lá.

Louie Louie

A mítica loja de discos do Porto foi apresentada na edição 16 da Time Out Lisboa, poucas semanas depois de chegar ao Chiado, à sua primeira morada, a Rua Nova da Trindade. Falava-se, então, do regresso do vinil com algumas novidades, da sobrevivência do CD e de outras raridades que se encontravam – e ainda se encontram, felizmente –, na loja. A Louie Louie mudou-se entretanto para as Escadinhas do Espírito Santo da Pedreira, também no Chiado, mas manteve a filosofia e o espírito com que chegou à cidade.

 

A segunda morada da Louie Louie em Lisboa
Fotografia: Manuel Manso

 

 

 

 

Estação do Rossio

Time Out Lisboa, 13 de Fevereiro de 2008: “Estação do Rossio inaugura no sábado. E abre finalmente ao público na segunda-feira (...). Toda a fachada do edifício foi recuperada (...), para proteger o edifício dos seus maiores inimigos, foi colocada protecção anti-pombos (...) na praça lateral (...) vão nascer esplanadas e espaços de restauração...” É verdade, a estação bonitinha como ela é hoje, o Starbucks com a respectiva esplanada e a estátua de Dom Sebastião nem sempre estiveram lá. Ups, há coisas que já deixaram de estar.

 

 

A Estação do Rossio (ainda com estátua)
Fotografia: Ana Luzia

 

 

Miradouro de São Pedro de Alcântara

Na mesma edição anunciava-se a abertura do Jardim de São Pedro de Alcântara, após dois anos de obras e um milhão de euros investido. “Pela primeira vez foram abertos os dois pisos do jardim, mas lamentavelmente com menos zonas verdes.” Curiosamente, 10 anos depois, um estaleiro de obras voltou a invadir o miradouro, mas espera-se que as obras não tenham a mesma duração.

 

Miradouro de São Pedro de Alcântara
Fotografia: José Fernandes

 

 

 

 

Alegro

Leu bem, Alegro. Em Fevereiro de 2008 dedicávamos uma página inteira ao Centro Comercial de Alfragide, aberto desde Novembro. “São 120 lojas distribuídas por dois pisos e que não fogem muito ao que há em todos os centros.” Dez anos depois, dificilmente dedicaríamos uma página inteira a um centro comercial, até porque somos acérrimos defensores do comércio de rua, mas para desenrascar aquele presente de última hora ou para jantar depois de andar aos pulos no Bounce, o Alegro bem que pode somar mais 10.

 

Projecto do LX Factory

“Está a nascer uma cidade criativa em Alcântara”, anunciava a Time Out Lisboa que chegou às bancas a 5 de Março de 2008. “Alcântara nunca mais será a mesma depois do nascimento da LX Factory”, lia-se mais à frente. A profecia corresponde à verdade e aquela zona mudou de facto muito com a abertura do centro de indústrias criativas de 23 mil metros quadrados de barracões abandonados. Fun fact: o artigo terminava assim: “saiba que o metro quadrado está entre 6 e 9 euros”. Ao preço da uva mijona.

 

Mudou ou não mudou a cara de Alcântara?
©DR

 

 

 

 

Silence Tour

Em Março de 2008, uma jornalista da Time Out Lisboa punha pela primeira vez os pés em cima de uma segway e confirmava, “não é preciso nenhuma habilidade especial para andar neste aparelho”. O passeio fazia-se a bordo da Silence Tour, empresa que realizava e ainda realiza passeios de Segway pela natureza, com enfoque na zona de Sintra. E agora uma confissão: ficámos, na altura, tão rendidos aos passeios que foram recomendação durante anos a fio na revista, sempre ilustrados com uma imagem da nossa estimada jornalista a bordo de um segway.

 

Silence Tour
©DR

 

 

 

 

Karen Millen

Foi a 115ª loja da marca inglesa a abrir no mundo e escolheu o número 73 da Rua Castilho para se instalar. Em boa hora, dizia a Time Out, em Abril de 2008. Com ela vinha a colecção de Primavera desse ano, com “as roupas de cores vivas” a dominar a montra. Se quer mesmo saber o que se usava na altura, ande 10 anos para trás: “o destaque vai para os vestidos em tecidos como a organza transparente e o chiffon com cortes volumosos. O padrão safari, tão na moda este ano, também dá o ar da sua graça. Os jeans querem-se justos e os acessórios em tons terra.” Pode ser que lá para 2040 se voltem a usar. Ou não.

©DR

 

 

 

Livro Fabrico Próprio

Em meados de Abril de 2008 a Time Out entrevistava os três designers responsáveis por um dos mais interessantes livros de pastelaria portuguesa alguma vez feitos em Portugal, Pedro Ferreira, Frederico Duarte e Rita João. Fabrico Próprio é uma enciclopédia de linhas gráficas belíssimas, que trouxe novas abordagens à bola de Berlim, à pirâmide e aos queques. Saiba que Fabrico Próprio - O Design da Pastelaria Semi-Industrial Portuguesa ainda se vende n’A Vida Portuguesa. Custa 35€.

 

Bolos para ler
©DR

 

 

 

 

Museu do Oriente

Por esta é que provavelmente não esperava. O Museu do Oriente abriu no início de Maio de 2008 e a Time Out, como bom motor daquilo que se passa na cidade, dedicou-lhe três páginas inteirinhas. Falava dos 15 mil metros quadrados do edifício Pedro Álvares Cabral, antigo armazém frigorífico da Doca de Alcântara, do investimento que andou entre os 25 e os 30 milhões de euros, das peças a descobrir e, claro, da programação completa que em 2008 e ainda hoje é um dos pontos fundamentais do museu. Curiosidade: a oficina de Origami que se fez na inauguração continua a acontecer regularmente no museu.

 

Incontornável Museu do Oriente
©DR

 

 

 

 

Olivier Avenida

À data de abertura do Olivier Avenida, Olivier da Costa tinha então mais dois restaurantes. Um no Bairro Alto, onde está agora o 100 Maneiras, e outro na Rua do Alecrim, onde esteve até há pouco tempo o Pito do Bairro. Este era o terceiro, mas agora pode ser visto como o primeiro. Percebe a matemática? Na altura, contava à Time Out que este Olivier Avenida seria “um espaço aberto das 12.30 às 00.30, onde a qualquer hora se podem comer snacks de luxo”, e apresentava a jóia da coroa, o kobé beef. O espaço mudou o décor, teve várias alterações ao longo dos anos e reabriu na última Primavera de cara lavada.

Zilian

A bóia de salvação para muito mulherio que quer comprar uns bons sapatos de festa (e não só), abriu portas em Maio de 2008 e trouxe aos olhos dos lisboetas (e mãos, que nós portugueses gostamos de meter as mãos em tudo) mais de 200 modelos, com 4500 sapatos em exposição. “O conceito é original: uma loja gigantesca, de traços futuristas tipo nave do Star Trek, dividida por tamanhos (...) e por cores”, dizia a Time Out número 34.

Arola

Sergi Arola tornou-se um chef bem conhecido dos lisboetas nestes nove anos – e muito bem amado nesta última estação, quando ganhou uma estrela Michelin pelo seu LAB by Sergi Arola, o segundo restaurante que abriu na Penha Longa. A estrela, porém, era promessa com a mesma idade do primeiro espaço que trouxe o cozinheiro catalão a Lisboa, já que na altura falou à Time Out da sua ambição pelas três estrelas. “É para a qualidade máxima que trabalhamos”.

 

Arola
Fotografia: Ana Luzia

 

 

 

 

Kaffeehaus

É difícil imaginar o Chiado sem o Kaffeehaus, bem sabemos. O café vienense mudou para sempre a paisagem da Rua Anchieta em Junho de 2008, com as suas salsichas austríacas, os deliciosos bifes panados com salada de batata e a tentadora doçaria. Ganhou uma sala ao fim de uns anos, recebeu uma esplanada (uma óptima esplanada) e o menu de páginas e páginas foi aumentando e aumentando e aumentando. E o nosso amor por ele, também. É piroso, bem sabemos. Mas estamos em clima de festa e aqui não há cerimónias.

 

Não há Chiado sem Kaffeehaus
Fotografia: Ana Luzia

 

 

Pão de Açúcar Gourmet

Abriu no início de 2008 e a Time Out rendeu-se aos seus encantos em Setembro, na edição 51, véspera de primeiro aniversário da revista. A Pão de Açúcar Gourmet, que substituiu o antigo salão de jogos do centro comercial (é verdade, o tempo já lá vai) apresentou-se com um catálogo de produtos invejável, dos vinhos topo de gama aos queijos, das tostas e bolachas aos chocolates, da… bom, o melhor mesmo é passar lá, porque é daqueles casos em que a qualidade se mantém.

Brio

“Brio? Mas o Brio já não existe”, dirão os leitores mais atentos. E não existe mesmo. Foi comprado pelo grupo Sonae e transformou-se recentemente em supermercado Go Natural. Há, porém, que manter assinalada a data de abertura do primeiro supermercado biológico no centro de Lisboa, em Campo de Ourique, em finais de Agosto de 2008. “400 metros quadrados onde a palavra químico não tem lugar nas prateleiras”, escrevia a Time Out.

BES Arte & Finança

“Hmmmm… já me estão a enganar”, dirão os mesmos leitores que chegaram até aqui (parabéns, terminou a retrospectiva). O sítio de cores e linhas modernaças chama-se agora (obviamente) Espaço NOVO BANCO, continua a ter exposições, computadores para ir à net sem pagar um tostão e um Go Natural que costuma ter muitas das novidades da marca. Admita lá, até lhe deu saudades falar em BES (a menos que seja um dos lesados, claro).

 

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