A arte da continuação segundo a Pixar

Com 'Carros 3' a estrear na quinta-feira, e 'The Incredibles-Os Super-Heróis 2' e 'Toy Story 4' previstos para 2018 e 2019, respectivamente, recordamos todas as continuações feitas pela produtora de animação

À procura de Dory

A Pixar é a produtora de animação que apresenta o melhor e mais consistente registo crítico e comercial em termos das continuações das suas longas-metragens digitais, caso da série "Toy Story" ou de 'À Procura de Dory', e fomos revisitá-las.

A arte da continuação segundo a Pixar

‘Toy Story 2: Em Busca de Woody’, de John Lasseter, Lee Unkrich e Ash Brannon (1999)

A ideia de rodar uma continuação do filme original surgiu pouco depois da estreia deste. O realizador John Lasseter queria fazer uma parte dois que fosse fiel ao mundo, ao clima cómico e emocional e às personagens criadas em Toy Story, e ao mesmo tempo, ir mais longe no campo da animação digital (recorde-se que Toy Story foi a primeira longa-metragem animada totalmente feita por computador). A Disney pretendia que Toy Story 2: Em Busca de Woody fosse directamente para home video, mas o projecto cresceu e acabou por ser redireccionado para o cinema. Neste parte 2, Woody é roubado por um coleccionador de brinquedos raros e Buzz e os outros brinquedos vão salvá-lo. Só que Buzz acha aliciante a ideia de ficar num museu para a posteridade. O filme é uma das raras continuações que a crítica considerou superior ao original.

‘Toy Story 3, de Lee Unkrich (2010)

No terceiro filme da série, Andy, o menino dono dos brinquedos, cresceu, e prepara-se agora para partir para a faculdade. Quer levar apenas Woody com ele, e devido a uma confusão, os outros brinquedos pensam que vão ser descartados e acabam numa creche. Entretanto, Woody está à procura deles para lhes dizer que foi tudo um engano, e para os levar de volta para casa. Tecnicamente, Toy Story 3 é um filme muito mais sofisticado do que os seus dois antecessores, com uma história que volta a surpreender pela criatividade e pela empatia que cria com os brinquedos com vida própria. O argumento esteve para ser muito diferente, devido às divergências que houve entre a Disney e a Pixar em meados da primeira década do século XXI, sanadas com a aquisição desta pelos estúdios criados por Walt Disney. Foi, de novo, um sucesso comercial e de crítica, e foi nomeado ao Óscar de Melhor Filme.

Publicidade

‘Carros 2’, de John Lasseter e Brad Lewis (2011)

Este foi o segundo filme animado da Pixar depois de Toy Story a ter uma continuação e a ser transformado numa série (ou franchise). John Lasseter, que realizou o original, teve a ideia da intriga internacional de Carros 2 enquanto viajava pelo mundo a promover Carros. Apesar de apresentar um argumento mais trabalhado e mais ambicioso do que o do primeiro filme, combinando uma intriga de espionagem em versão automóvel que brinca com as do género, e uma história envolvendo uma corrida com carros de várias nacionalidades, que leva as personagens ao Japão e à Europa, Carros 2 não foi tão bem recebido como o seu antecessor, a primeira vez que tal aconteceu a uma animação de lomga-metragem da Pixar. Mesmo assim, a fita está uns furos acima da produção média da concorrência.

‘Monstros: A Universidade’, de Dan Scanlon (2013)

O colossal sucesso de Monstros e Companhia levou a Pixar a rodar não uma continuação, mas sim uma prequel, a primeira da produtora. Desta forma, Monstros: A Universidade recua no tempo para os dias em que Mike (Billy Cristal) e Sulley (John Goodman) frequentavam o “ensino superior” dos monstros, onde se conheceram. O filme aproveita clichés, personagens-tipo e situações feitas dos college movies, trabalhando-as a partir da perspectiva do universo cómico-fantástico em que a acção decorre, embora seja menos original do que o primeiro. O twist da história reside no facto de Mike e Sulley, grandes amigos em Monstros e Companhia, não o serem em Monistros: A Universidade, cujo argumento mostra como é que eles passaram de monstros que não se podiam ver um ao outro, a companheiros inseparáveis.

Publicidade

‘À Procura de Dory’, de Andrew Stanton e Angus McLane (2016)

Treze anos depois de À Procura de Nemo, a Pixar estreou a continuação, À Procura de Dory. Andrew Stanton, realizador do primeiro, tinha resistido durante bastante tempo à pressão da Walt Disney para fazer essa continuação, mas acabou por ceder. A fita joga pelo seguro, pois agora é Dory a fazer o que Marlin fez em À Procura de Nemo: procurar os pais, onde este andava à procura do filho. Mas compensa esta prudência narrativa com a excelência técnica, visual e expressiva da animação, várias personagens principais desopilantes (com relevo para o polvo Hank), um enorme sentido de humor e a qualidade das interpretações vocais. O acolhimento crítico, do público e comercial foi extraordinário, e no ano passado, Andrew Stanton declarou numa entrevista que não exclui a possibilidade de vir a haver um terceiro filme, citando o modelo dos Toy Story.

Estes filmes são uma animação

Oito filmes de animação que não pode perder no Netflix

O cinema de animação há muito que não é apenas para crianças. E mesmo aquele que é para crianças nunca é apenas ou sobretudo para crianças. Os filmes de desenhos há muito que se tornaram um dos géneros mais populares em todo o mundo, onde trabalham algumas das melhores mentes criativas do cinema actual, e onde a inspiração cómica, um registo habitual, é por muitas vezes genial. Conheça os oito melhores filmes de animação disponíveis no Netflix Portugal.

Ler mais

10 filmes de animação que ganharam um Óscar

Tem até ao dia 26 de Fevereiro, data da 89ª cerimónia dos Óscares, para sentar a família toda no sofá e fazer uma maratona pelos filmes de animação que ganharam a estatueta dourada nos últimos dez anos. Comédia, suspense, drama, musical, western – vale tudo, desde que meta desenhos animados.

Ler mais
Por Vera Moura
Publicidade

Os piores e os melhores filmes da Disney

Será que os filmes da Disney são sensatos, divertidos e visualmente interessantes – perfeitos para toda a família? Ou são uma lamechice que só serve para fazer lavagem cerebral às crianças? Todas a gente tem uma opinião sobre os mais de 50 filmes de animação que foram lançados ao longo dos anos pela empresa de Walt Disney, a começar pela Branca de Neve, em 1937, até à galinha dos ovos de ouro que foi Frozen: O Reino do Gelo. Mas quais são afinal os que merecem um lugar de destaque na prateleira? E quais os que mais valia serem esquecidos? A Time Out Londres fez uma lista com os piores e os melhores filmes da Disney.

Ler mais
Por Keith Uhlich

Comentários

0 comments