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Gulbenkian: um dia inteiro a discutir O Gosto dos Outros

Cantores, pianistas, arquitectos, escritores, artistas em todas as suas vertentes. Aqui discute-se o que gostam afinal

Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian
©Ricardo Oliveira Alves
Por Francisca Dias Real |
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“Gostos não se discutem”. Pode usar este argumento em qualquer discussão sobre aquilo de que gosta ou não gosta. O argumento é fraco, mas isso é lá consigo. E aqui, então, definitivamente não funciona. O que está em cima da mesa para ser debatido é precisamente o gosto. O seu e, sobretudo, o dos outros. A Gulbenkian desafia o público e uma equipa bem composta de personalidades para falarem sobre o que mais gostam. O Gosto dos Outros acontece no sábado, dia 3, em vários espaços da Fundação.

Enquanto navega num qualquer site é provável que lhe atirem com um “Se está a ler isto, talvez goste de…”. Pois, vive-se “na chamada era do algoritmo”, diz Nuno Artur Silva, comissário da iniciativa. Mas afinal o que é isso do gosto? Os gostos não variam de época para época? “Hoje clicamos ‘gosto’ num teclado, é asséptico, uma coisa quase robótica. Não há uma reacção crítica a nada. Vivemos na era do algoritmo, em que o que gostamos quase que nos é imposto”, lamenta o comissário.

No fundo, O Gosto dos Outros – que se apropria do nome do filme de Agnès Jaoui – é um festival de debates sobre o melhor disto e daquilo, do cinema, da poesia, do humor ou da filosofia, tudo no intuito de saber o que nos inspira e nos provoca. No mesmo dia, sentam-se à mesa em diferentes salas nomes como Eduardo Souto de Moura, Capicua, Pedro Mexia, Filomena Cautela, Júlio Isidro, Kalaf ou Nuno Markl. No fim há concerto de Mário Laginha e Mayra Andrade no Grande Auditório. “As pessoas precisam de se continuar a surpreender. Uma das melhores coisas que a escola oferece é a descoberta diária, aquele espanto por estar a ver alguma coisa pela primeira vez”, defende Nuno.” O Gosto dos Outros serve para isso mesmo, para que o público se aperceba que gosta de coisas que nunca lhe passaria pela cabeça.” Há gostos para tudo e há espaço para os discutir.

Oriente-se, escolha as sessões que mais gosta e descubra o que, afinal, os outros gostam.

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O Gosto dos Outros

Listas de Casa de Banho

Os gostos são feitos de escolhas, e das escolhas fazemos listas - finitas ou infinitas daquilo que gostamos. Nos intervalos em que saltita de sala em sala, conversa em conversa, discussão em discussão, e tiver de aliviar vontades fique a saber que nas casas de banho da Gulbenkian estão afixadas listas sobre as melhores coisas para ler enquanto está por ali (não vale a pena negar que se põem aqui as leituras em dia e não é do rótulo do shampoo). Rui Cardoso Martins compilou os 10 melhores contos para ler na casa de banho, Jorge Sousa Braga ficou com os 10 melhores poemas, Nuno Crespo com os 10 melhores ensaios, Nuno Costa Santos é responsável pela lista das 10 melhores crónicas e Pedro Vieira pela dos 10 melhores aforismos. 

Rui Zink
Fotografia: Manuel Manso

Sala das Conversas

Listas, listas e mais listas. Sempre de 10. Na Sala 1, Aurélio Gomes é o anfitrião e vai espicaçar os oradores a darem o melhor de si. Às 14.30, os escritores Maria do Rosário Pedreira e Rui Zink falam sobre os 10 livros mais importantes da literatura portuguesa deste século – será que chegam a acordo? António Pinto Ribeiro e António Araújo tomam conta da sessão das 16.00 sobre os 10 acontecimentos culturais portugueses mais importantes dos últimos 18 anos. Passando para o grande ecrã, às 17.30, João Lopes e Pedro Mexia vão contar-lhe quais são os 10 filmes mais importantes deste século. Sempre procurando um equilíbrio entre a relevância assinalável e o gosto próprio.

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joana barrios
Fotografia: Manuel Manso

Sala das Inspirações

A sala do Foyer é um palco de inspirações. Já pensou no que é que levaria para uma ilha deserta? Sendo que essa ilha podia ser qualquer coisa, até mesmo um quarto no meio da cidade – no fundo, pense no que levaria para se isolar do resto do mundo. Anabela Mota Ribeiro modera as conversas sobre as 10 obras de arte que levaria para uma ilha deserta com Afonso Cruz (15.00), Joana Barrios (16.30) e Cristina Branco (18.00).

capicua
©MIguel Refresco

Sala dos Poemas e da Poesia

Poetas, chamados à Sala 2. Sabia que há poemas que ajudam as pessoas a gostar de poesia? Sabe quais são os 10 melhores? António M. Feijó dá-lhe uma lista (14.30). Depois disso, há sempre aqueles poemas que ninguém conhece e é Ana Luísa Amaral que nos vai dar a conhecê-los (16.00). E todos sabemos que há poemas que são verdadeiras letras de canções – coisa que vai ser explicada por Capicua (17.30).

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filipe melo
Fotografia: Manuel Manso

Sala da Música

Nuno Galopim modera os debates dedicados à música que decorrem na Sala de Ensaios da Orquestra Principal. Às 14.30, David Ferreira escolhe 10 canções a dedo (e ouvido) e, às 16.00, Kalaf apresenta-lhe uma dezena com o melhor ritmo para dançar. A fechar as conversas, às 17.30, está Filipe Melo, que tentará escolher as 10 melhores bandas sonoras de sempre.

sergio mah

Sala das Imagens

No Auditório 3, Inês Lopes Gonçalves passa a palavra a Sérgio Mah (14.30), que está responsável pela lista das 10 imagens mais iconográficas do século XXI. Teresa Paixão chega-se à frente para definir os melhores programas de televisão (16.00) e Manuel S. Fonseca as outras 10 cenas mais extraordinárias do cinema. Saiba que pode sempre intervir quando quiser ripostar ao gosto de alguém.

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nuno markl
Fotografia: Manuel Manso

Sala do Riso e dos Sorrisos ou mesmo da Gargalhada Geral

Sorria. Agora ria-se. Depois comece a gargalhar. No Auditório 2 os holofotes estão na comédia e Filomena Cautela ao leme. Pedro Marta Santos e António-Pedro Vasconcelos dão a conhecer as 10 melhores comédias de sempre do cinema (14.30). E noutro registo cómico estão os cartoons, um tema debatido entre André Carrilho e Cristina Sampaio com demonstrações de desenho ao vivo (16.30). As melhores séries cómicas de sempre são apresentadas por Nuno Markl e Júlio Isidro (18.00).

Eduarda Abbondanza
Fotografia: Manuel Manso

Sala das Ideias e da Filosofia

Mas afinal, o que é realmente o gosto? Há cânones a seguir? Ou é uma coisa de modas? Paulo Pires do Vale, João Paulo Feliciano e Eduarda Abbondanza discutem com Paula Moura Pinheiro como é que, hoje em dia, se forma o gosto, seja ele individual ou um filho ilegítimo do algoritmo. Tudo na Sala do Coro às 15.30.

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Mário Laginha
©DR

Grande Finale

Acabe a noite no Grande Auditório. A última parte d’O Gosto dos Outros divide-se entre uma conversa e um concerto. Às 21.00, Anabela Mota Ribeiro junta Aldina Duarte, Eduardo Souto de Moura e Fernanda Fragateiro na mesma mesa para falar sobre inspirações, quais os gostos que os salvam em tempo de aperto. Mais tarde, às 22.30, pode assistir ao concerto com o reportório mais selectivo da história: as 10 músicas para salvar a nossa vida – composições de Mário Laginha com a voz de Mayra Andrade feitas propositadamente para a iniciativa. Gostou?

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©Luís Louro
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