Oito coisas que aprendemos sobre hortas biológicas com Mariano Bueno

Um especialista em agricultura biológica explicou-nos que as flores são nossas amigas, que os jardins não fazem assim tão mal às alergias e que é mesmo fácil fazer você mesmo uma horta em casa
workshop hortas urbanas
Fotografia: Arlindo Camacho
Por Inês Garcia |
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Mariano Bueno garante que quem se mete nisto do cultivo biológico, sofre menos de stress e sente-se melhor – fala por experiência própria, afinal, antes de se dedicar à agricultura biológica e se converter ao vegetarianismo, tinha 90 e muitos quilos, problemas de cansaço e muitas alergias.

Agora vive numa quinta a 200 quilómetros de Barcelona e é um dos maiores especialistas em agricultura biológica do mundo. O seu novo livro A Horta-Jardim Biológica (da ArtePlural Edições,19,90€) acaba de ser lançado em Portugal e Mariano veio a uma escola em Lisboa ensinar algumas técnicas às crianças, porque é de pequenino que se torce o pepino.

Reunimos oito coisas que aprendemos sobre hortas biológicas com Mariano Bueno.

Oito coisas que aprendemos sobre hortas biológicas com Mariano Bueno

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A agricultura biológica é mais aromática e tem mais sabor

Esta já sabíamos mas é importante perceber as diferenças. “As plantas que nascem livres têm mais sabor porque têm de defender-se do frio, do calor, e criar substâncias para sobreviverem. Uma planta com temperatura e rega controlada não sabe a nada porque não tem de defender-se de nada. Estamos a descobrir que os aromas e os sabores são os mecanismos de protecção”.

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Viver perto de uma horta ou de um jardim dá saúde e faz crescer

“Grande parte dos problemas de saúde que nós temos é porque nos desvinculámos da terra, das nossas raízes. Há estudos que dizem que ver simplesmente árvores, ver verde, alarga a vida. As pessoas que vivem em lugares onde há mais vegetação, vivem mais anos do que as que vivem em universos urbanos. O último estudo que me surpreendeu, da Suécia, diz que as pessoas que passam mais tempo ao sol vivem mais anos do que as que não têm contacto com o sol. Não têm risco de cancro da pele mas têm muitas outras doenças.”

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Os jardins (e as plantas biológicas) podem ajudar a diminuir as alergias

Mariano Bueno andou a estudar esta história das hortas e jardins biológicos afincadamente e descobriu que o aumento de asma e alergias actualmente é por pouco contacto com a natureza e com a terra. Claro que não convém ir para um parque ou jardim nas horas do pico da polinização, que é de manhã e ao fim do dia (consulte aqui). “As pessoas com alergias e asmas que começaram a comer plantas que crescem perto melhoraram espectacularmente. Porque é nestas plantas que caem os contaminantes químicos dos carros que faz com que fabriquem substâncias para se protegerem desses compostos químicos. Quando eu como uma planta, parte dos nutrientes estou a tomar uma vacina contra o que respiro. O que entra por via oral activa o sistema imunitário. Se a informação não chega, porque o que comes é plástico, sintético, o corpo não sabe.”

+ Consulte aqui algumas dicas para aliviar as alergias em Lisboa

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Uma flor por dia nem sabe o bem que lhe fazia

O importante é saber de trás para a frente a lista das que são comestíveis e das que não são. Há realmente algumas que são tóxicas (mas para fazerem mal é preciso comer umas 100 gramas e cada flor pesa à volta de uma grama).

Mariano exemplifica: “A calêndula é uma flor comestível que é utilizada em muitos cremes porque é cicatrizante e um regenerador celular. Mas se as pessoas com úlcera de estômago ou problemas digestivos comerem estas flores, ajuda a reparar e regenerar as suas úlceras. E há outra, mais desconhecida, que se chama vinca pervinca, de um azul muito bonito, que no dicionário diz que é mesmo tóxica mas tem umas substâncias que ajudam na concentração. É boa para crianças com défice de atenção ou para ajudar as pessoas com Alzheimer. Se comer umas florzitas só vai ajudar a que o cérebro funcione melhor e não há nenhum risco.”

Mas mais vale comer cruas, porque para serem saudáveis devem ser o menos processadas possível, explica. Sendo assim, basta lavar com água fria ou passar por água quente, para o caso de haver alguma bactéria, mas não cozinhar.

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Fazer uma horta em casa não é uma grande trabalheira

Não é preciso entrar em grandes despesas para fazer uma horta-jardim biológico em casa – a diferença entre horta e jardim? “A horta alimenta o corpo, o jardim alimenta o espírito.” Basta então um garrafão de cinco litros cortado, que se pode pôr numa janela ou na varanda. “Não se trata de ter lá tudo o que vais comer mas podes plantar umas poucas hortaliças, rúcula, uma alface (e podes ir cortando folhas, não é preciso esperares que cresça toda), ervas aromáticas como a menta, manjericão que dá um aroma muito agradável às saladas. Mesmo que só tenhas uma planta, já estas a melhorar a tua saúde porque funcionam como uma vacina.” 

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Um só vaso pode dar uma horta gigante

“Se for um vaso grande, podes plantar uma alface, uma acelga, dois espinafres, 20 rabanetes, quatro cebolas. Não tem de ser muito grande, e convém que seja uma mistura de várias sementes para criar vários aromas e afastar bichos.”

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É preciso boa luz, boa terra e boas sementes para começar

Pode parecer uma coisa pouco relevante, mas a primeira coisa de todas a ter em atenção antes de começar é a luz. A horta em casa tem de ficar num lugar com muita luz, explica o especialista. Em segundo lugar, a terra tem de ser boa. E depois, boas sementes são obrigatórias. "A água é que é um problema porque o cloro é bactericida, destrói a vida, e a terra precisa de muitas bactérias. A solução aqui é usar uns filtros de carbono para eliminar o cloro."

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Se houver bicheza a comer-lhe as plantas, iogurte, malaguetas e alhos ajudam

A maioria dos problemas de fungos podem ser controladas com iogurte e malagueta. "Algumas mulheres quando têm candidíase vaginal usam iogurte porque o lácteo impede o fungo. Na horta é igual. Pega-se num iogurte e num litro de água, mistura-se bem e molha-se a planta." Um, dois, três, acabam os fungos. "E podes comer, porque podes comer iogurte. A regra que explicamos é que não pode pôr nada nas plantas que não poria numa salada, porque depois vai acabar no prato", precisa. Então: iogurte para fungos. E para se livrar de pulgas ou bichos que comem as plantas, bastam duas malaguetas, três alhos e um litro de água, tudo no triturador. Com essa água borrifam-se as plantas e se houver bichos, desaparecem logo.

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©Pedro Ribeiro Simões
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