Santos da casa: guie-se por Lisboa com estes nove bairristas

São a alma do seu bairro — e da nossa revista, que esta semana lhe conta tudo sobre um mês inteiro de Santos Populares. Prepare-se para as Festas de Lisboa com estas figuras bem castiças

Tia Alice (Fotografia: Arlindo Camacho)
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Fotografia: Arlindo CamachoAlfama: Tia Alice Em Alfama, a Tia Alice é mais conhecida do que a Madonna. E no mês de Junho não é díficil encontrá-la – tem sempre uma banca no Largo de São Miguel. É ela que organiza os arraiais neste largo e todos os anos dá graças por Junho, o mês em que Alfama mais se assemelha ao bairro que conheceu em criança.
cristina valentim (Fotografia: Arlindo Camacho)
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Fotografia: Arlindo CamachoAlto do Pina: Cristina Valentim É preciso ter pulso firme para gerir 60 pessoas durante o ensaio de uma marcha. No Alto do Pina, Cristina fa-lo com uma perna às costas: nasceu na Picheleira e nunca viu outro bairro à frente. É também dirigente do Vitória Clube de Lisboa e tem duas lojas num centro comercial.
Rosa Cândido, bica (Fotografia: Arlindo Camacho)
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Fotografia: Arlindo CamachoBica: Rosa Cândido Basta descer as escadinhas da Bica para a encontrar a comandar as hostes – é Rosa, mais conhecida por Rosa da Bica, pois claro, que trata de tudo o que é preciso para os arraiais da Travessa do Cabral, Calçada da Bica Grande, Beco dos Aciprestes e Travessa da Bica Pequena. Há quatro coisas na vida de que não abdica nem que a vaca tussa: Deus, os filhos, a Bica e o Benfica.
ricardo dória (Fotografia: Arlindo Camacho)
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Fotografia: Arlindo CamachoCampolide: Ricardo Dória Ricardo tem as marchas no sangue. A mãe era marchante, organizou as gentes de Campolide durante dois ou três anos e a certa altura levou Ricardo para ser o seu par. Ele tomou-lhe o gosto e agora acumula o trabalho na Junta de Freguesia, a dar uma ajuda na montagem do arraial, e é chefe dos aguadeiros da marcha de Bela Flor/Campolide.
mário guerra (Fotografia: Arlindo Camacho)
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Fotografia: Arlindo CamachoCarnide: Mário Guerra É quem marca passo há mais anos na marcha de Carnide. Reparte o tempo pela freguesia: é funcionário da Junta, ensaiador da Marcha dos Avós e também dá uma mãozinha no arraial do Carnide Clube, que ocupa o largo do coreto o mês inteiro. Ah, e é o melhor guia que o bairro de Carnide pode ter.
jaime e laura, graça (Fotografia: Arlindo Camacho)
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Fotografia: Arlindo CamachoGraça: Jaime e Laura Jaime e Laura, da Tasca do Jaime, foram os primeiros a fazer um arraial na Graça, há 28 anos. Agora convivem com o da Vila Berta e o mais recente do Largo da Graça, mas se alguém precisa de um conselho sobre como montar o baile, é ao 91 da Rua da Graça que vem.
deolinda peres, madragoa (Fotografia: Arlindo Camacho)
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Fotografia: Arlindo CamachoMadragoa: Deolinda Peres Tem 71 anos e ainda está fresca e pronta para a festarola. Só não vai em sardinhadas porque enjoou – esta antiga varina da Madragoa conta que nasceu praticamente numa caixa de peixe e chegou a comer sardinha ao pequeno-almoço, almoço e jantar, nas mais variadas formas. Viveu na Bica mas o seu bairro é a Madragoa e ai de quem disser mal.
marco silva, marvila (Fotografia: Arlindo Camacho)
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Fotografia: Arlindo CamachoMarvila: Marco Silva É o único da família que nunca marchou por Marvila. Trocou o arco e o balão pelos bastidores e é presidente da Sociedade Musical 3 D’Agosto de 1885, que organiza aquela que é a segunda marcha com mais títulos de Lisboa.
Ana Maurício (Fotografia: Arlindo Camacho)
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Fotografia: Arlindo CamachoMouraria: Ana Maurício O fado está sempre nas ruas da Mouraria e corre nas veias de Ana Maurício. Fadista e sobrinha do rei do fado, Fernando Maurício, já foi marchante, madrinha das noivas de Santo António e das marchas. Da marcha da Mouraria, claro — não se pode atraiçoar o bairro.

Em Junho, mês de Santos Populares, em cada esquina há um bailarico. E um amigo. Os bairristas à séria saem à rua e apregoam aos sete ventos porque é que o seu bairro é o mais lindo da cidade.

Nós também saímos à rua e descobrimos a Tia Alice, que organiza o arraial de São Miguel em Alfama; o Jaime e a Laura, que fizeram o primeiro arraial da Graça; a Ana Maurício, fadista e sobrinha de Fernando Maurício, da Mouraria; a Rosa Cândido, do Marítimo Lisboa Clube da Bica; o Ricardo Dória, chefe dos aguadeiros da marcha de Campolide; o Marco Silva, que preside à Sociedade Musical 3 d'Agosto em Marvila; a Cristina Valentim, que coordena a Marcha do Alto do Pina; e o Mário Guerra, ensaiador da Marcha dos Avós de Carnide. Conheça-os aqui e guie-se por eles.

Lisboa em festa

Junho é mês de Festas em Lisboa: eis a programação

Nem só de bailaricos se fazem as Festas de Lisboa. A programação da EGEAC dura um mês inteiro e além dos arraiais e marchas populares Avenida fora, há uma série de iniciativas a dinamizar toda a cidade. Há música, arte, cinema ou teatro. O programa foi apresentado esta terça-feira, no cine-teatro Capitólio. No ano em que Lisboa é capital ibero-americana da cultura, a organização quer que as Festas sejam uma viagem pela Europa, África e América. Atlântico, mar de encontros é o tema transversal às “festinhas em família”, marchas, arraiais, colóquios ou exposições.  Ao contrário dos anos anteriores, não há um grande espectáculo de abertura. Os momentos musicais começam a 3 de Junho, às 22.00, na Praça do Comércio, com a Orquestra da Gulbenkian e o espanhol Pablo Sáinz Villegas na guitarra, Rui Pinheiro como maestro e Eduarda Melo como soprano. A 9 de Junho é a vez de Miguel Araújo e o seu novo álbum, "Giesta", nos Armazéns do Chiado, às 19.00. O Lumiar tem direito a dois fins-de-semana de música: a 16 e 17 tocam Bonsoir Paris e Mila Ferreira (Quinta das Conchas, 21.00), e Linda Martini (saída do metro de Telheiras, 21.30); no fim-de-semana seguinte há fado (Palacete das Conchas, 19.00) e um concerto de Verão dos CoroArt (Auditório da biblioteca municipal Orlando Ribeiro, 21.00) ou Cristina Branco (Museu Nacional do Traje, 21.00). Oficialmente, as festas começam no primeiro dia do mês de Junho com uma data de iniciativas para pais e filhos (ou não fosse, também, o Dia Mundial

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Santos Populares. Lá vai Lisboa de outros tempos

As Marchas Populares atingem os seus 85 anos, idade provecta que já assistiu a quase tudo, mas nem só de desfiles se faz um mês de festas em Lisboa. Venha daí numa viagem pelos Santos Populares do século XX e comece já a pedir uma esmolinha pelo Santo António.

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Santo António sobre rodas

É um dos primeiros projectos a serem financiados pela plataforma de crowdfunding da Câmara Municipal de Lisboa. E estaciona amanhã no Largo de Santo António da Sé Chama-se Triciclo de Santo António, uma estrutura móvel 2em1. Por um lado, é uma obra de arte, uma escultura desenvolvida pela artista plástica Carla Rebelo. Por outro, é uma loja que irá vender artigos relacionados com a história e o culto do Santo António no local mais apropriado possível: o Largo de Santo António da Sé. É aí que será inaugurada a nova atracção de Lisboa já este sábado a partir das 11.00 com Tábuas de Santo António, biscoitos confecionados a partir de uma receita centenária e ingredientes oriundos das regiões que o santo percorreu, entre Portugal, Marrocos e Itália. E é esta a primeira materialização do projecto My Santo António criado por Carla Queiroz Lopes e por Olivier Pourbaix, ambos arquitectos e moradores no largo que viu o santo nascer (ou assim se conta). A eles juntou-se o publicitário Jayme Kopke e o resultado está à vista. Na plataforma Boa Boa (mais recentemente convertida na LisBOAideia), o projecto lançado em 2016 foi um sucesso. De tal forma que permitiu alterar a ideia inicial que previa aquisição de um triciclo Piaggio para um transporte bem mais original, vindo da Dinamarca e mais ecológico, encimado por uma escultura que faz não só referência aos locais por onde o Santo António passou em vida, como aos ramos da nogueira onde, nas últimas semanas de vida, o franciscano se dei

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Comentários

1 comments
Cátia M tastemaker

Na época mais divertida e boémia da Cidade, não se pode perder a oportunidade de ir a um arraial, cheirar um manjerico, ou comer a sardinha assada, é durante os Santos que se sente o grande espírito bairrista.  O meu trajecto preferido começa na Graça, com visita obrigatória à Vila Berta, descer à Voz do Operário, entrar em Alfama e terminar a noite no Largo do Salvador. Seja nas marchas ou no bailarico vale a pena percorrer os bairros mais icónicos de Lisboa e viver as Festas do S. António. Lisboa é Linda!!!