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Festas populares, trono de Santo António na rua da Regueira
©AML/Judah Benoliel,. 1890-1968, fotógrafo

Santos Populares. Lá vai Lisboa de outros tempos

Com a ajuda do Arquivo Municipal de Lisboa mostramos 10 fotografias das festas dos Santos Populares de outras décadas.

Por Editores da Time Out Lisboa
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Os Santos Populares de Lisboa são uma antiga tradição que este ano não será cumprida. Os arraiais foram proibidos e as Marchas Populares adiadas aos 88 anos de vida. Como recordar é viver, veja estas imagens que ajudam a contar a história das Festas de Lisboa e dos Santos Populares, através de janelas engalanadas, tronos, andores, bailaricos e das famosas marchas. Mas nem só de desfiles se faz um mês de festas em Lisboa. Inspire-se nesta viagem pelos Santos Populares do século XX, decore a janela (e a rua se quiser) e ponha as sardinhas na brasa. Afinal, é Junho em Lisboa.

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Viagem pelos Santos Populares de outros tempos

Santos populares
Santos populares
©AML/Amadeu Ferrari. 1909-1984, fotógrafo

Em Junho, todos os santos ajudam

Seja bem-vindo ao mês de Junho, tempo de solstício e de convite lançado a profanos festejos noite dentro, em tempos livres de pandemia, claro está. O culto ao famoso Santo António levar-nos-ia ao período medieval. Não é preciso mergulhar tão fundo no baú da história para encontrar registos que valem a pena (até porque ainda não havia fotografias). Fiquemos com estas, retiradas do Arquivo Municipal de Lisboa. Durante anos, as festas concentraram-se na zona antiga da cidade. Sé, Castelo e Alfama, mais próximos da casa do Santo, terão marcado o arranque. Com a expansão populacional e a criação dos novos bairros, o espírito foi sendo alargado.

Promoção turística de Portugal, festa dos Santos Populares em Alfama, entre 1930-39
Promoção turística de Portugal, festa dos Santos Populares em Alfama, entre 1930-39
©AML/Ferreira da Cunha. 1901-1970. fotógrafo

1932: e siga a Marcha

Artistas como Almada Negreiros, Eduardo Viana e Stuart de Carvalhais assinaram trabalhos gráficos para o programa das festas na cidade. A década de 30 é especialmente fértil nestas criações. Eis Alfama, uma das zonas mais buliçosas, aqui destacada nos enfeites, que se associam também à promoção turística de Portugal. É em 1932 que se dá a primeira edição das Marchas Populares de Lisboa, promovida pelo Diário de Notícias e Notícias Ilustrado. Em resposta ao desafio do director do Parque Mayer, Campos Figueira, Leitão de Barros e Norberto Araújo tratam da organização. Claro que Alfama é um dos bairros participantes, a que se juntam Alcântara, Alto do Pina, Bairro Alto, Madragoa, e Campo de Ourique.Voltam a ser organizadas em 1934, mas pela Câmara Municipal de Lisboa.

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Festas populares, 19--
Festas populares, 19--
©AML/Alberto Carlos Lima. 18---1949

Subindo e descendo o Chiado

Aqui e ali, alguns pormenores vão dando conta da evolução dos festejos. Os balões, por exemplo, terão surgido para iluminar as ruas, para além de cumprirem a sua função de enfeite. Mas que dizer deste Chiado engalanado como se fosse Natal? O negativo de gelatina e prata em nitrato de celulose, de Alberto Carlos de Lima, tem data incerta mas apontará para a década de 40.

Festas populares, trono de Santo António, 1950
Festas populares, trono de Santo António, 1950
©AML/Judah Benoliel. 1890-1968, fotógrafo

E um trono de Santo António

Na foto, de Judah Benoliel, prepare-se para um regresso aos anos 50, mas lembre-se que o culto ao famoso Santo António vem de muito longe. A sua primeira igreja foi destruída pelo terramoto de 1755. A reconstrução foi possível graças ao peditório das crianças nas ruas de Lisboa. Sim, a célebre frase "uma esmolinha para o Santo António" vem daqui. Também a tradição dos tronos, revelada na imagem, se manteve até hoje.

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Desfile das marchas populares, 1955
Desfile das marchas populares, 1955
©AML/Judah Benoliel. 1890-1968, fotógrafo

A cavalo e sobre rodas

É difícil imaginar cavalos na rua ou uma vistosa penny-farthing (aquelas bicicletas com grande roda dianteira) na noite de 12 para 13 de Junho. Mas isso apenas porque vivemos no século XXI e certos aspectos tornaram-se menos castiços. Em 1955, tudo isto era bem real, associado às fundamentais sardinhas, manjericos, e...alcachofras, sinal de amor correspondido ou não. Já agora, sabe o que significa a expressão "cavalinho" no contexto das festividades? É o conjunto de músicos que acompanha cada marcha.

Desfile das marchas populares, marcha do Bairro Alto, no Pavilhão dos Desportos, 1955-06
Desfile das marchas populares, marcha do Bairro Alto, no Pavilhão dos Desportos, 1955-06
©AML/Judah Benoliel. 1890-1968, fotógrafo

Uma escala no Pavilhão dos Desportos

Pouco antes do começo da década de 50, ficara para a história a edição de 1947, ano da celebração do oitavo centenário da tomada de Lisboa aos Mouros. A grande festa passou pelo Pavilhão dos Desportos, mais tarde Pavilhão Carlos Lopes, cenário de apresentação dos diferentes bairros ao longo dos anos seguintes. Na imagem, a recordação da Marcha do Bairro Alto. Recuperando algumas origens, as marchas derivarão das francesas "marches aux flambeaux", com archotes e balões.

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Desfile das marchas populares, marcha de Campo de Ourique, 1955-06
Desfile das marchas populares, marcha de Campo de Ourique, 1955-06
©AML/Judah Benoliel. 1890-1968, fotógrafo

Inversão de marcha

Sabia que as marchas nem sempre se fizeram no sentido Marquês/ Restauradores, mas antes ao contrário? Foi em 1952 que se inverteu o sentido do cortejo na Avenida. Na imagem, os ilustres representantes do bairro de Campo de Ourique, o grande vencedor da primeiríssima edição, ou edição-piloto, em 1932. À época, os grupos chamavam-se ranchos e este apresentou-se vestido à moda do Minho. Nessa data longínqua, exibiram-se no Capitólio.

Desfile das marchas populares, andor de Santo António
Desfile das marchas populares, andor de Santo António
©AML/Judah Benoliel. 1890-1968, fotógrafo

Andor daqui se não for fã de Santo António

Em 2007, os 75 anos das Marchas de Lisboa foram passados em revista na Cumplicidades, uma edição especial da EGEAC que recupera a história dos festejos na cidade. No seu centro, o célebre Santo, aqui num andor. João Ricardo da Silva Pinto recordava então como em 1929 Frederico de Freitas escrevera a marcha "Santo António", mostrando como estas composições musicais são anteriores aos próprios cortejos. 

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Santos populares, arraial, entre 1950 e 1970
Santos populares, arraial, entre 1950 e 1970
©AML/Amadeu Ferrari. 1909-1984, fotógrafo

Coração rima com...

As janelas acostumaram-se a enfeites de cravos e manjericos, de tal forma que a Câmara Municipal chegou a premiar as mais belas. Quanto à dança, ela pertence aos pares, e nada como umas frases catitas para tentar fisgar um coração. Para ser rigoroso, pense bem como vai escrever a sua dedicatória. Saiba que idealmente deve preferir uma quadra em redondilha maior, com sete sílabas em cada verso. A rima é quase sempre cruzada. Parece simples? Mas olhe que não é. Solte o poeta popular que há em si e participe neste concurso da Carris.

arraial
arraial
©José Frade

Vendo bem, já marcharam muitos anos

1980 marcou o fim de dez anos de interregno nas Marchas, que ao longo da história conheceram vários pára-arranca. Passaram a realizar-se de forma regular a partir de 1988 e continuam a ser uma instituição da Avenida. A festa fez o seu caminho e a verdade é que certos hábitos se mantêm de pedra e cal. Basta pensar como letras popularizadas há décadas continuam na ponta da língua dos lisboetas, caso de "Lá vai Lisboa/ co' a saia cor do mar/Cada bairro é um noivo/que com ela quer casar", de Norberto de Araújo. Os foliões acorrem hoje e sempre a paragens como o Largo de São Miguel, em Alfama, aqui captado pela lente de Luís Pavão no ano 2000 (parecendo que não já passaram 20 anos).

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