Dez curiosidades sobre Lisboa que sempre quis saber mas teve vergonha de perguntar

Lisboeta que se preze sabe responder a estas questões sobre a cidade. Ou então não, mas finge saber a resposta a estas curiosidades de Lisboa

Fotografia: Ana Luzia

Responda rápido, por favor: qual é a pata direita do cavalo de D. José? Se precisa de ir ao Terreiro do Paço confirmar é porque preciso mesmo da nossa ajuda. Aqui na Time Out gostamos de sugerir pratos e restaurantes mas não somos os melhores do mundo a alimentar as dúvidas. Aliás, se dependesse de nós andava toda a gente com a curiosidade saciada. Há, no entanto, aquelas questões que nos assombram quando vamos no trânsito, aquele ponto de interrogação que paira sobre nós à saída do duche — o trocadilho da para é só um dos muitos que nos interpelam. Se anda com uma pulga atrás da orelha com alguma questão sobre a cidade, talvez a consiga catar por aqui. Ora vejamos curiosidades sobre Lisboa.

Se mesmo assim ainda tiver alguma dúvida, não deixe de nos dizer. Prometemos não parar até conseguirmos responder a tudo. Afinal não queremos que fique na dúvida.

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Dez curiosidades sobre Lisboa

1

Por que é que os homens do lixo são “Almeidas”?

Chamamos “Almeidas” aos homens que recolhem o lixo porque os primeiros a fazer esse trabalho vinham de Almeida, na Guarda, vila fronteiriça da comarca de Pinhel. Se fossem naturais da Lixa, cidade do concelho de Felgueiras, esta história tinha mais piada.

2
Por que é que há um arco no meio da Praça de Espanha?

Por que é que há um arco no meio da Praça de Espanha?

O arco que está no meio da praça fazia parte do Aqueduto das Águas Livres e estava na Rua de São Bento. Foi desmontado aquando de umas obras de remodelação, em 1938, e esteve espalhado na rotunda da Praça de Espanha até 1998, ano em que um gigante apaixonado por Legos o devolveu à sua forma original.

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3

É mesmo proibido dar de comer aos pombos? Porquê?

Dar milho aos pombos é proibido de acordo com o n.º1 do Art.º 60º do Regulamento de Resíduos Sólidos. A dieta é obrigatória para evitar que esta praga se reproduza. Ou seja, se os pombos comerem os seus restos de pão e bolos não vão comer o milho contraceptivo que é distribuído pela cidade com o objectivo de controlar essa encantadora população de aves que insiste em redecorar os nossos carros com os seus excrementos.

4
Quanto ganha o presidente da Câmara?

Quanto ganha o presidente da Câmara?

Está a pensar candidatar-se ao cargo? Acha que podia fazer melhor ali no Eixo Central ou tem outras ideias sobre como tornar o trânsito mais caótico em 2018? Fique a saber que um presidente da Câmara de Lisboa ou Porto ganha 3.587€ ilíquidos por mês, 55% do salário base do nosso presidente. O cálculo do ordenado é feito com base no número de eleitores de cada município.

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5

Quanto mede a rua da Betesga? É assim tão pequena?

A Rua da Betesga tem aproximadamente 10 metros de comprimento e é tida como a rua mais pequena de Lisboa. A expressão “meter o Rossio na Rua da Betesga” é usada sempre que um lisboeta muda de casa e tem de tirar o sofá pela porta da entrada.

6

Quanto tempo demoraram as obras de Santa Engrácia?

284 anos. De 1682 a 1966. Demorou, mas lá que ficou uma obra bonita, isso ficou.

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7

Há um faroleiro no Bugio?

O farol, no Forte de São Vicente do Bugio, deixou de ser uma fortificação em 1945 e tornou-se automático em 1981. No ano seguinte os faroleiros foram mandados para casa e desde então que está vazio. Isto significa que se quiser pode ocupar o forte, declarar a sua independência e começar a emitir moeda. Não diga a ninguém que fomos nós que demos a ideia.

8
Qual é a pata direita do cavalo de D. José?

Qual é a pata direita do cavalo de D. José?

É a esquerda. Não conhece o trocadilho? É uma provocação tão antiga como a estátua equestre que está no Terreiro do Paço. A pata direita – ou que está “a direito” – é a pata esquerda do cavalo. A pata do seu lado direito está ligeiramente dobrada, daí ser possível brincar com os vários significados da palavra “direita”. É rir a bom rir. E qual é a cor do cavalo branco de D. José? Ok, ok, vamos parar com isto.

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9

É verdade que a estátua que está no Rossio é de um imperador mexicano?

Não e é uma pena. Dava uma belíssima história. O mito urbano de que a estátua que está na praça do Rossio não é de D. Pedro IV, mas sim do imperador Maximiliano do México, é só isso mesmo: um mito. Reza a lenda que o escultor tinha feito uma belíssima estátua do tal imperador, entretanto fuzilado, e para não dar o trabalho por perdido reciclou-a como homenagem ao monarca português.

10

Estamos todos familiarizados com a Segunda Circular, mas onde fica a Primeira Circular?

A Primeira Circular existiu e “circulava” a cidade no século XIX: começava no Largo de Alcântara, passava pela Rua D. Carlos, Rua Marquês da Fronteira, Duque de Ávila, Praça do Chile e por aí acima pela Morais Soares para depois descer até Santa Apolónia. Representava na altura os limites da cidade, que entretanto transbordou e vai daí fez-se uma Segunda Circular.

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Comentários

3 comments
João C

O facto relativo à Primeira Circular está errado. A Primeira Circular era (iria ser - não chegou a ser concluída) exterior à Segunda, e incluía a atual Avenida Doutor Alfredo Bensaúde. É só procurar no site de toponímia da CML o edital referente ao nome desta avenida, e está lá.

A estrada referida no artigo foi uma das encarnações da Estrada de Circunvalação.

H L

Algumas respostas poderiam estar mais completas. Por exemplo, poderá haver quem não saiba que as obras de Santa Engrácia se referem ao Panteão Nacional, cuja igreja tem essa designação de Santa Engrácia. E dessa morosidade das obras do Panteão surgiu a expressão 'parece as obras de Santa Engrácia' para se aludir a algo que demora bastante tempo.


Aliás, são inúmeras as expressões portuguesas que têm origem na cidade de Lisboa e sua toponímia ou História: 'meter o Rossio na Betesga' (querer pôr algo grande em algo mais pequeno), 'rés-vés Campo de Ourique' (ficar no limite, à conta, sendo que a expressão terá origem no facto de antigamente os limites da cidade serem em Campo de Ourique, embora também se conte que é por nos limites daquele bairro ter parado o maremoto de 1755), 'cai o Carmo e a Trindade' (é uma notícia ou escândalo tal que vai fazer mossa, tendo a expressão nascido no pós-terramoto de 1755 que fez cair literalmente o Convento do Carmo e a Trindade), 'fazer tijolo' (ir desta para melhor, finar-se, sendo que a expressão virá do tempo em que se aproveitou terras da colina do Castelo, se não incorro em erro,  para fazer tijolos e, por ali ter existido um cemitério, várias ossadas teriam vindo no meio da terra com que se fabricavam os tijolos), 'ir cortar o cabelo a Cacilhas' (ir longe por ser mais barato e no fim de contas com a deslocação perde-se dinheiro). E mais expressões existem.

Rui M

Quando desmontaram o arco de São Bento, cada peça foi numerada, mas o esquema em papel que permitia a rápida montagem, desapareceu.

Houve alguém com uma mente de gigante e farto de ver aquela pedreira a céu aberto. Reproduziu todas as peças numa escala menor (ou maior como quiserem) e levou para casa e com uma paciência de jó, foi montando e criando de novo o esquema que permitiu a montagem de todos aqueles calhaus.

Alguns lisboetas deram-lhe a alcunha de Fred Flinstone.