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Livros para oferecer no Natal

Rápido, barato e erudito: 12 livros para oferecer no Natal

Ficção, poesia, ensaio, biografia e ilustração: esta selecção tem o que precisa se anda à procura de livros para oferecer no Natal.

Por Hugo Torres
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Os livros são uma forma clássica de safar prendas de Natal: rápida, barata e inerentemente erudita. Mas nesta altura de fartura editorial é difícil separar o trigo do joio. Damos uma ajuda, para não sucumbir a cantos de sereia nem ter de escolher à pressa pela capa ou pela cor da lombada. As novidades a ter debaixo de olho vão da ficção (Nobel incluído) à poesia popular, do ensaio à biografia e da ilustração ao jogos (atenção, alfacinhas!), com diversos carimbos no passaporte. Os livros para oferecer no Natal de que anda à procura estão aqui. Pode embrulhar qualquer um destes e pôr no sapatinho. À confiança.

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Livros para oferecer no Natal

1. Vermelho – História de uma Cor

Michel Pastoureau
ed. Orfeu Negro

O historiador francês Michel Pastoureau, um dos maiores especialistas na simbólica das cores e em heráldica, debruça-se sobre o que significou o vermelho ao longo da história ocidental, continuando a série que já abordou o preto, o azul e o verde.

2. Não Pai

Daniel Blaufuks
ed. Tinta-da-China

Fotografia, vídeo e instalações têm sido os meios escolhidos por Blaufuks para trabalhar a memória. Não Pai é a primeira incursão literária. Parte da morte do pai, que não via há 30 anos, para responder a uma pergunta: pode uma ausência ser mais presente do que uma presença?

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3. Bowie – Uma Biografia

María Hesse e Fran Ruiz
ed. Suma de Letras

Ícone pop e referência cultural para várias gerações, David Bowie continua a encantar mentes criativas – e este livro ilustrado está apostado em promovê-lo junto de novos públicos. María Hesse (autora do bem-sucedido Frida – Uma Biografia) e Fran Ruiz criam uma biografia fantasista, que muito deve ao imaginário do músico. A narrativa é factual, mas é embelezada e interpretada a cores, desde a luz inicial à escuridão do fim da carreira.

4. A Morte Não É Prioritária

Paulo José Miranda
ed. Contraponto

Poeta distinguido com o Prémio Teixeira de Pascoes, romancista detentor do Prémio José Saramago, dramaturgo, ensaísta e cinéfilo, Paulo José Miranda era o escritor certo para a dificílima tarefa de extrair um livro, uma biografia, da infinda vida de Manoel de Oliveira. Minucioso e atento aos detalhes, mas com o discernimento de se focar no essencial, revela histórias e trivialidades que dão um contributo decisivo para termos um retrato mais completo de um homem que foi muito mais do que o mais velho realizador do mundo.

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5. Essa Gente

Chico Buarque
ed. Companhia das Letras

O primeiro livro de Chico Buarque após a atribuição do Prémio Camões é um romance que aparenta ser sobre um escritor com um bloqueio criativo, preso a circunstâncias prosaicas, mas na verdade é sobre as tensões sociais, as contradições e o desespero do Brasil dos nossos dias. Sobre uma crise financeira e emocional. O cenário é o privilegiado Leblon, no Rio de Janeiro, que Chico retrata com engenho, entre a realidade e a imaginação, numa “tragicomédia urgente”.

6. Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos dos Mortos

Olga Tokarczuk
ed. Cavalo de Ferro

Os direitos dos animais e o respeito da Natureza estão no centro deste romance da vencedora do Nobel da Literatura de 2018 (só revelado este ano). Olga Tokarczuk põe-nos no encalço de uma professora reformada, Janina Duszejko, fascinada pela poesia de William Blake, pela astrologia e pelos animais, que espalha o terror pela aldeia polaca onde vive com uma teoria sobre a morte de vários membros do clube de caça local. Um thriller com queda para a comédia e para o activismo político.

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7. Sou Um Crime

Trevor Noah
ed. Tinta-da-China

A história é conhecida pela rama. Trevor Noah é fruto do que à época era considerado um crime na África do Sul ainda sob o regime do apartheid: é filho de uma mulher negra e de um homem branco. Nesta bem-humorada (e comovente) autobiografia, o apresentador do The Daily Show conta como se libertou do jugo da pobreza e da discriminação e se elevou a um dos lugares cimeiros da televisão norte-americana. Foi um sucesso no Natal do ano passado e é agora reeditada em versão livro de bolso.

8. LX Joga

Joana Stichini Vilela e Pedro Fernandes
ed. D. Quixote

Depois dos coloridos catálogos de histórias e personagens alfacinhas das décadas de 1960, 70 e 80, a jornalista Joana Stichini Vilela e o designer Pedro Fernandes decidiram fazer do século XX lisboeta um jogo. Ou melhor, muito jogos. LxJoga tem puzzles, enigmas e labirintos que nos levam a descobrir, de forma divertida, 100 anos da cidade.

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9. Notas de um Velho Nojento

Charles Bukowski
ed. Alfaguara

A obra do mais mainstream dos marginais tem sido saborosamente redescoberta, ao longo da última décadas, pelos leitores portugueses. Depois dos romances, das short stories e da poesia, é altura de conhecermos o cronista. Notas de um Velho Nojento colige os textos publicados desde 1967 no jornal vanguardista Open City, que era publicado clandestinamente na Los Angeles dos final dos anos 1960. Bukowski nunca usa filtro para escrever, mas aqui é ainda mais cru e implacável com o lado negro do sonho americano.

10. A Cozinha Canibal

Roland Topor
ed. Antígona

Se optar por ser provocador, tem aqui um compêndio de receitas… heterodoxas, digamos. Imagine o sabor de um míope gratinado, o empratamento de cabeça de patrão com puré, as tostas barradas a patê de camponês ou um picadinho de missionário com pão ralado. Outra proposta começa assim: “Corte o bebé às fatias ou em nacos não muitos espessos”, indo por aí fora. Topor foi um artista francês de difícil catalogação e este é um belo exemplo da obra tetricamente irónica que cultivou até à morte, em 1997. Atenção: pode ser indigesto.

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11. Se o Disseres na Montanha

James Baldwin
ed. Alfaguara

A procura pela individualidade e a autodeterminação que ocupou o jovem James Baldwin, muito antes de este se tornar um dos principais rostos da luta pelos direitos civis na América, é o fio condutor deste romance de traços autobiográficos. O autor narra a história de um adolescente no Harlem que procura desenvencilhar-se do futuro que a família – e a comunidade segregada – tem para si. É um marco da literatura americana do século XX, uma obra de fúria e compaixão, originalmente publicada em 1953. A crítica rendeu-se. 

12. Como um pedaço de terra virgem

Virgínia Dias
ed. Boca

Peroguarda foi um dos locais predilectos de Michel Giacometti, na senda etnomusicográfica que o levou a percorrer o país. Foi lá que conheceu Virgínia Dias e a família, e que gravou um canto de Natal com as irmãs. Virgínia, ainda gaiata, ficou de fora, mas a experiência ficou-lhe e a poesia que agora publica pela primeira vez, aos 84 anos, tem aí berço. Assim como nos poetas populares, no teatro, nas histórias da avó. Começou a fazer poemas antes de saber escrever – sobre a fome, o frio, o trabalho no campo. Esta antologia vem com um CD de poemas e histórias ditos pela própria e fotos de António Cunha e Luís Ferreira Alves. O prefácio é José Mário Branco, que esteve envolvido nas visitas iniciais de Giacometti.

É Natal, é Natal...

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