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Moda, Criadora, Branca Cuvier
©Gabriell VieiraBranca Cuvier com um dos vestidos criado para a Hyenna

Que bela obra de arte. Tem o meu tamanho?

Da tela para o armário, a moda também incorpora o trabalho de artistas plásticos. A tendência ganha força e fomos conhecer cinco colaborações bem portuguesas.

Mauro Gonçalves
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Mauro Gonçalves
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Uma tela em branco é pouco para Branca Cuvier. É-lhe inevitável ir além da bidimensionalidade e encarar a moda como um solo fértil para fazer germinar novas empreitadas criativas. No início do ano, juntou-se à portuguesa Hyena para criar três peças, onde os traços orgânicos dos seus desenhos e pinturas ganharam uma nova fluidez. “Há sempre em mim um certo amor pela moda, um lado meu que olha para o que o corpo usa e que vê algo extremamente bem pensado. Lá está, no meu trabalho é sempre o corpo – a expressão e a extensão”, partilha.

Propôs-se a regressar à mesma selva que definiu a Baguera, marca de acessórios que criou em 2012. “Quando a inspiração é a natureza, o resultado nunca pode ser perfeitinho ou geométrico. Tem sempre de haver erro.” Fascinada pelas camuflagens naturais, trabalhou-as agora com o propósito contrário – em vez de se confundirem com o meio, estes vestidos e macacão sobressaem na paisagem. Revolucionou a paleta e adoptou tons tão adocicados quanto o rosa pastilha elástica ou o verde menta.

Expressar uma ideia numa peça de vestuário trouxe uma nova exigência. Por momentos, abandonou a visão das belas-artes e assumiu a lente do design. “Inicialmente, as referências que tinha eram as coisas que via à venda nas lojas dos museus e percebi logo que não podia ser um mero desenho estampado. Abordo a moda enquanto criativa, não como a artista que intervém na obra.”

Os desafios interdisciplinares são tão vitais como dar continuidade ao seu trabalho como pintora. Às três peças, que ainda se encontram à venda, seguiram-se dois chapéus reversíveis, fora as ideias que pairam no atelier. Perfumaria? Comida? Joalharia? Ou uma nova incursão pelo Que bela obra de arte. Tem o meu tamanho? mundo da moda? Só uma coisa pode ser dada como certa: Branca Cuvier gosta de sair da sua bolha de artista e vai fazê-lo sempre que quiser.

Um pouco por todo o mundo, a começar por casas como a Louis Vuitton, a Gucci e a Christian Dior, o traço de artistas plásticos é usado para sublimar peças de roupa e acessórios. Jeff Koons, Yuko Higuchi e Peter Doig estão entre os que trocaram as habituais paredes brancas da galeria pelo colorido destas montras de luxo.

Por cá, os nomes podem ser menos sonantes, mas o encontro entre arte e moda também dá frutos. Que o diga Ricardo Esteves Corga, que há mais de um ano aceitou ilustrar para a BYOU by Patrícia Gouveia. O resultado ficou à vista nesse mesmo Verão: um vestido que até hoje é o mais vendido da marca portuguesa.

“A Patrícia já tinha um conceito para a colecção, mas não queria um padrão repetido. Fiz muitos desenhos e cheguei ao tigre, que acabou por ficar camuflado na própria ondulação do tecido”, explica o ilustrador. A relação perdurou no tempo e o Rima Studio (o projecto a dois de Ricardo e Marta Oliveira) já está a dar os últimos retoques para a colecção do Outono.

Mas poucas uniões são tão coloridas como a de Teresa Rego com a marca Flausinas. Desde os tempos de estudante, em Londres, que Teresa explora o potencial de utilitários como lenços, individuais, abajours e pequenas bolsas. O convite, feito este ano, só veio elevar a fasquia. Como? Com a criação de um vestido a partir da ilustração Chilli Rose. “Gosto de explorar o meu trabalho de diferentes maneiras e desde o início que ele é muito associado a padrões, pelas cores e pelas formas orgânicas em contraste com geometrias mais rígidas”, refere a artista.

Coolet: quando arte e design são a mesma pessoa
©DR

Coolet: quando arte e design são a mesma pessoa

Nos últimos anos, Catarina Macedo Ferreira voltou ao atelier, depois de quase uma década a reinventar-se como fotógrafa. O bichinho da pintura voltava a mexer, mas não era o único. “Comecei a sentir necessidade de ter um produto com o qual me identificasse, algo que pudesse construir do zero e que pudesse vender.”

Resistiu à ideia de criar uma marca de moda – o mercado estava saturado e a possibilidade de não oferecer nada de novo fê-la afastar o cenário, mas só até dar de caras com uma mulher de visual irreverente, a usar um colete de corte masculino. “Não havia nenhuma marca tão especializada. Encontrava nas lojas, mas eram pretos ou brancos e parecia sempre uma empregada de mesa. Uma coisa era certa: as peças também tinham de traduzir a minha expressão artística”, resume.

A Coolet nasceu em Maio e tem hoje cinco peças reversíveis em cetim e poliéster reciclado. Um dos versos exibe elementos isolados de telas pintadas por Catarina. “No futuro, a marca até pode crescer para pequenos acessórios, mas o foco será sempre o colete.” E a arte, acrescentamos nós.

Canto: estas almofadas são de moldura
©Manuel Manso

Canto: estas almofadas são de moldura

O fenómeno foi generalizado: quando a pandemia nos fechou em casa, o momento foi para, entre outras coisas, repensar o espaço que habitamos. Foi aí que a marca portuguesa Trendy Pillows decidiu abrir espaço para uma montra de colaborações com artistas nacionais. Maria João Parente e as duas sócias chamaram-lhe Canto, e o traço e as cores de Graça Paz eram, há muito, os mais desejados.

“Para nós, é um desafio e uma responsabilidade muito grande utilizar a obra de um artista e manter, no tecido, a mesma emoção que ele passa através da tela. Aliás, esse é o grande receio do outro lado: que o resultado seja menos genuíno”, explica Maria João. Especialmente para a Trendy Pillows, a artista produziu seis telas, adaptadas para dar origem a uma colecção de 14 almofadas, lançada no final de Maio. A linha de tecidos a metro chega já em Outubro (com quatro referências) e, até ao fim do ano, serão lançados individuais e mantas com a mesma assinatura. O objetivo da marca é colaborar com outros artistas, com uma periodicidade ainda a definir. Mas nada de pressas, até porque o “romance” com Graça Paz ainda agora começou.

O que é nacional é bom

  • Compras

Foi popularizada pelo cinema na década de 50, normalmente acompanhada pelos igualmente populares jeans, e ainda hoje é um básico indispensável de qualquer guarda-roupa. Isto tudo dava um livro, mas também dá uma bela lista de criativas marcas portuguesas que apostam no essencial. Muitas erguendo a bandeira da sustentabilidade.

  • Restaurantes

A pensar na sua rica saúde, e para evitar que devore todas as embalagens de bolachas e tabletes de chocolate, damos-lhe a conhecer cinco marcas portuguesas de snacks saudáveis. Fruta desidratada, snacks com base de feijão vermelho, grão-de-bico ou ervilhas, pipocas cobertas com chocolate (sim, são saudáveis) e mini bolinhas energéticas de manteiga de amendoim são alguns dos que pode encontrar nesta lista. 

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  • Compras

As mãos dos portugueses são autênticas varinhas de condão para garantir a qualidade do que trazemos nos pés. Aqui apresentamos-lhe algumas das melhores marcas portuguesas de calçado, muitas delas sustentáveis e vegan, que deixam uma pegada ambiental reduzida, mas com estilo.  

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