The Grapes of Wrath

A realidade vista pelo cinema no Lisbon & Sintra Film Festival

Oito filmes a não perder no ciclo "Neoliberalismo – A Semente do Populismo e dos Novos Fascismos?" do LEFFEST'18

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Reflectir. É este o propósito deste ciclo incluído na programação do Lisbon & Sintra Film Festival (que ainda conta com um debate internacional entre especialistas): espevitar a reflexão através de grandes obras cinematográficas, dirigidas por grandes cineastas que souberam ver, para além do privilégio do seu umbigo, o mal do seu tempo. Obras que olharam para as suas eras e não hesitaram, mesmo que metaforicamente, em ver com atenção as feridas que a humanidade inflige a si própria e como cria oportunidades para o desenvolvimento da demagogia que, mais tarde ou mais cedo, atrai populismos, que por sua vez atraem fascismos.

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Lisbon & Sintra Film Festival 2018: A Realidade Vista pelo Cinema

As Vinhas da Ira

As Vinhas da Ira começou por ser um grande êxito quando John Steinbeck publicou o romance. Em 1939 as consequências da Grande Depressão expostas na escrita clara e incisiva e bela de Steinbeck captaram as atenções da América pelo seu retrato vívido e poeticamente social. A adaptação ao cinema era inevitável – até por em Hollywood correr um certo vento liberal sensível às questões sociais – e calhou a John Ford, através de Henry Fonda, Jane Darwell e John Carradine dar um rosto à família Joad que, com Tom à cabeça, enche uma carrinha decrépita com os seus parcos pertences e ruma a Oeste, na direcção do sonho californiano. Ford filma esta saga como uma via dolorosa. Uma jornada épica de miseráveis carregados de ilusões em via de frustração perante a terra de dificuldades que encontram – como aqueles que hoje chegam a Calais ou ao Arizona – onde devia estar a sua terra prometida.

Cinema Medeia Monumental, Sala 3. Sexta 23, 21.45.

The Big Short – A Queda de Wall Street

Depois de um filme sobre as consequências da queda da bolsa em 1929, o filme do realizador, argumentista, actor e comediante Adam McKay, conhecido pela sua parceria com Will Ferrell, leva o programa desta secção directamente para a crise de 2008. E para a golpada que uns quantos investidores deram ao antecipá-la, apostando na crise imobiliária para lucrar com a tragédia que se avizinhava e se concretizou no colapso de instituições financeiras, quase todas resgatadas pelos estados. Estados que já não foram tão generosos com os milhões de pessoas que perderam casas, empregos, reformas, numa catástrofe financeira que ainda hoje se sente e de distintas maneiras reflectida nas interpretações de Christian Bale, Steve Carrell e Ryan Gosling.

Cinema Medeia Monumental, Sala 1. Sábado 24, 14.30.

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Cheyenne Autumn

Altura, outra vez com John Ford, para regressar ao passado e nele procurar, sem que isso fosse desejo do realizador, uma metáfora, por exemplo, para o movimento migratório que cerca a Europa e os Estados Unidos. Um filme de caubóis, mesmo que da facção índios e militares, como este com Richard Widmarck, Carroll Baker e Karl Malden, parece um veículo improvável para especular sobre a actualidade. Ou não, pois neste trata-se da revolta de uma tribo Cheyenne que, depois do governo falhar o fornecimento de alimentos acordado por tratado, abandona a árida reserva onde foi depositada e ruma na direcção do seu território de caça ancestral. São quase 2500 quilómetros de caminho em que um capitão da cavalaria dos Estados Unidos começa por tentar impedir a progressão e acaba mudando de lado por questão de princípio e moral.

Cinema Medeia Monumental, Sala 3. Sábado 24, 17.30.

Mr. Klein – Um Homem Sombra

Em ciclo preocupado com os novos fascismos, o filme que Joseph Losey realizou em 1976 é o primeiro desta lista a ir directamente ao assunto. Isto é: a Paris, em Janeiro de 1942, quando, durante a ocupação nazi Robert Klein, aparentemente apolítico, comerciante de arte, rico, católico que se aproveita da situação dos judeus franceses e lhes compra preciosidades por tuta e meia, descobre que outro Robert Klein, também morador em Paris, e judeu procurado pela polícia, encaminhou o seu correio para ele, tornando-o um alvo de anti-semitismo. Para juntar à elegância sombria das imagens, o desempenho de Alain Delon, Jeanne Moreau e Francine Bergé completa este fresco sobre o ódio (e o carma) em tempo de guerra.

Cinema Medeia Monumental, Sala 4. Sábado 24, 19.30.

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O Conformista

Com a película de 1970 de Bernard Bertolucci continuamos em tempo de fascismo, agora em regime de thriller político e na Itália do tempo de Mussolini. Retrato do reprimido Marcello (Jean-Louis Trintignant), sujeito atraído pelo fascismo e ansioso por se adaptar a Roma, em 1938 enviado a Paris para assassinar o seu ex-professor universitário, um antifascista. Filme dominado por uma espécie de furiosa energia na sua análise psicológica do assassino com causa, a obra, de um ponto de vista estritamente cinematográfico, inclui cenas verdadeiramente inesquecíveis, como uma noite, num comboio, quando a mulher de Marcello (Stefania Sandrelli) e a sua amante (Dominique Sanda) dançam o tango

Cinema Medeia Monumental, Sala 4. Domingo 25, 15.00.

Eu, Daniel Blake

É o mais recente dos filmes (e Palma de Ouro no Festival de Cannes) deste ciclo e é por isso natural que reflicta os males criados, ou já existentes mas entretanto agravados, pela crise que ainda vivemos. E para isso Ken Loach escolheu uma história perfeita sobre as armadilhas que cercam o acesso aos benefícios sociais. A de Daniel Blake (Dave Johns), um viúvo de 59 anos, com ordem do médico para deixar de trabalhar, que bate de frente na parede burocrática do Estado. E a única ajuda que encontra é a de uma mãe solteira, com duas filhas, tantas ou maiores dificuldades que as dele, tornando esta uma saga de dois estranhos que são a única esperança um do outro.

Cinema Medeia Monumental, Sala 3. Domingo 25, 19.00.

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Era Noite em Roma

A última noite do festival e da vida desta secção exige do espectador uma escolha difícil entre o realismo e a fantasia sociais. Por um lado, de regresso ao tempo em que o fascismo ainda era como o conhecemos no canal História, Roberto Rossellini situa a sua obra nos meses anteriores à libertação de Roma pelos Aliados. E faz a coisa (com Giovanna Ralli, Renato Salvatore e Leo Genn no elenco), acompanhando a fuga de três soldados de nacionalidades diferentes. Um inglês, um americano e um russo evadidos de um campo de prisioneiros, que o cineasta, em regime de cru realismo, torna cúmplices num enredo sobre a solidariedade, a abnegação e o sacrifício iluminados por um raio de esperança.

Cinema Medeia Monumental, Sala 2. Domingo 25, 21.30.

Tempos Modernos

 

A outra possibilidade de escolha da noite envolve o filme de Charlie Chaplin, realizado em 1936, uma obra-prima e acerba crítica à mecanização da produção industrial, que só não serve completamente de metáfora a este tempo em que vamos sendo substituídos por robôs porque Charlot (como nós todos, a bem dizer) estava longe de imaginar o efeito da inteligência artificial no desenvolvimento da vida social, política e económica. Ainda assim, nesta fábula, damos com um dos maiores realizadores e actores de sempre trabalhando numa fábrica onde a maquinaria o domina totalmente, e onde sucessivos contratempos o fazem ir parar à prisão. O resto é o romantismo do costume, desta vez envolvendo Paulette Goddard e uma vida que acabará recompensada com uma carreira no palco.

Cinema Medeia Monumental, Sala 3. Domingo 25, 21.30.

Clássicos do cinema

  • Filmes

Farto de não fazer ideia do que falam os cinéfilos à volta? Cansado de se perder em referências desconhecidas quando se fala de cinema? O “cinema para totós” quer resolver esse problema no melhor espírito de serviço público. Ora atente em cada uma destas dez lições cheias de clássicos de cinema.

  • Filmes

Comédias e westerns, policiais e melodramas, ficção científica e fantástico, sem esquecer o musical, fazem parte desta lista de melhores filmes clássicos. Nela encontramos obras de realizadores como Buster Keaton, Fritz Lang, Ingmar Bergman, John Ford, Howard Hawks, Fellini, Truffaut, Godard, Luchino Visconti ou Martin Scorsese, entre muitos, muitos outros.   

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