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As piores séries de 2020
Netflix; HBO; RTP

As 20 piores séries de 2020

Vamos reformular: não são as 20 piores séries de 2020, são as que mais nos desiludiram. O que é muito pior.

Escrito por
Hugo Torres
e
Eurico de Barros
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Produções da Netflix com actores portugueses? Aderimos, entusiasmados. Personagens memoráveis reencarnadas? Aderimos, intrigados. Ficção científica distópica ou pós-apocalíptica num ano de catástrofe? Aderimos, para revigorar. Aventuras ultramarinas e espaciais? Aderimos, para desconfinar. Este era o ano em que estávamos disponíveis para errar uma e outra vez nas séries que decidíamos acompanhar. A pandemia deu-nos tempo de sobra em casa. E errámos bastante. Aliás, elas, as séries, é que erraram connosco. Em particular estas, para as quais partimos de mente e coração abertos, e que nos desiludiram sobremaneira. É evidente que não são as piores séries de 2020. Houve piores, muito piores. Mas destas esperávamos mais, muito mais. 

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As piores séries de 2020

20. Schooled

Do sucesso de Os Goldberg, o seu criador Adam F. Goldberg extraiu Schooled, onde Lainey Lewis, a ex-namorada de Barry Goldberg, regressa ao liceu de Jenkintown para ensinar música, após não ter conseguido singrar como cantora. A série investe na nostalgia da década de 90, tem várias personagens repetentes e cultiva o mesmo tipo de humor, e a sensação de déjà vu é enorme. Um spin-off mandrião e menor. EB

FOX Comedy. T1

19. Raised By Wolves

Ridley Scott faz aqui uma súmula da sua carreira, despejando um par de extraordinários humanóides num planeta longínquo, com o intuito de criar um grupo de crianças sem as crenças religiosas que devastaram o mundo. Um recomeço civilizacional ateu que mais parece saído do livro do Génesis. A progonista é feminina, como convém ao realizador de Alien – O 8.º Passageiro, e não faltam criaturas assustadoras a viver na obscuridão nem um guarda-roupa que parece ter sido reaproveitado de uma produção de ficção científica dos anos 1980. Mas é só isso: um conjunto de ideias soltas que é maravilhosamente apresentado nos primeiros episódios, que o próprio Scott dirige, e ao qual falta nexo, padecendo de uma aridez narrativa sem oásis à vista. HT

HBO. T1

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18. Ramy

Esta comédia dramática criada e protagonizada por Ramy Youssef, humorista americano de ascendência egípcia, debruça-se sobre os problemas que os preceitos religiosos colocam a jovens muçulmanos cercados por tentações mundanas. É inteligente e pertinente, abrindo uma janela para uma comunidade que boa parte do público não compreende. E é certeiro no drama. A costela cómica da série, todavia, apresenta múltiplas fracturas. Estando entregue à inaptidão e às sucessivas más escolhas de Ramy, que faz sempre pior ao querer fazer bem, e a uma ou outra personagem excêntrica, o humor esvai-se e transforma-se em desespero. HT

HBO. T2

17. Space Force

A reunião de Steve Carell e Greg Daniels (The Office) faria prever uma comédia de outra categoria. É certo que Space Force tem momentos inspirados, como a de um general de quatro estrelas a fechar-se no seu escritório para cantar – e dançar – à janela uma canção floral dos Beach Boys, “Kokomo”, enquanto se acalma. No entanto, a dupla de criadores tem dificuldades em manter-se à tona. Talvez tenha confiado demasiado na comicidade intrínseca da premissa (a criação de um ramo autónomo das Forças Armadas norte-americanas dedicado ao Espaço, com tudo para correr mal). John Malkovich é imenso na pele do cientista sisudo e agastado com a ignorância alheia. Não basta. HT

Netflix. T1

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16. A Conspiração

O romance de Philip Roth A Conspiração Contra a América é uma história alternativa em que o isolacionista Charles Lindbergh é eleito Presidente dos EUA em vez de Franklin Roosevelt, e, mesmo alterando a realidade histórica, consegue deturpá-la consideravelmente. Esta série acentua até à caricatura o esquematismo e o facciosismo do livro, acrescentando-lhe uma realização prosaica e interpretações sofríveis. EB

HBO. Minissérie

15. Two Weeks To Live

A minúscula Maisie Williams volta a encarnar uma jovem solitária e letal, na primeira incursão televisiva após A Guerra dos Tronos. E, tal como Arya Stark, também esta personagem, Kim Noakes, tem uma lista de coisas para fazer – embora, neste caso, apenas uma delas seja cometer um homicídio. Kim quer vingar a morte do pai, a que assistiu quando era criança, sendo depois levada pela mãe para viverem ambas em isolamento no meio da floresta. Não sabe nada do mundo civilizado e acredita que o apocalipse está próximo. A série arranca bem, com gags que aproveitam a circunstância única da rapariga, mas logo se perde em fugas e perseguições, e estatela-se por completo com um final chato, previsível, que, se não fosse o elenco (onde está Sian Clifford), poderia muito bem pertencer a um telefilme de quinta categoria. HT

HBO. T1

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14. Away

Hilary Swank interpreta, nesta série de ficção científica, uma astronauta americana que comanda uma missão internacional e multiétnica com Marte por destino. Away combina a aventura espacial clássica e o drama sentimentalão. Quando o enredo está no cosmos, o voo até nem corre muito mal; mas quando reverte cá para baixo para a Terra, é comprometido por um vulgar e muito lacrimal lastro telenoveleiro. EB

Netflix. T1

13. The Flight Attendant

Kaley Cuoco fez de tudo para nos convencer, entregando uma performance de encher o olho. Mas a sua personagem, a assistente de bordo Cassie Bowden, que tem um sério problema com o álcool e acorda tranquilamente ao lado de um homem degolado, também fez de tudo para nos deixar a revirar os olhos no sofá. Comédia negra? Policial? The Flight Attendant quer ser ambos e não é capaz de se afirmar em nenhum dos géneros. De resto, a hesitante Zosia Mamet deveria ser proibida por lei de voltar a interpretar o papel de uma advogada mandona que trabalha com o submundo do crime organizado. HT

HBO. T1

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12. Hollywood

Nesta série (mais uma) de Ryan Murphy, um grupo de jovens chega a Hollywood após a II Guerra Mundial sonhando com a fama, e são vítimas de discriminação racial ou sexual. É como se Murphy quisesse vingar, retroactivamente, todos os que foram objecto de preconceitos na era de ouro dos grandes estúdios. Esta “mensagem”, insistentemente repetida, pesa sobre Hollywood, que prega mais moral do que entretém. EB

Netflix. Minissérie

11. Admirável Mundo Novo

Esta adaptação de Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, é a terceira para televisão, e apesar de respeitar alguns dos principais aspectos do mundo futuro criado pelo autor, uma distopia da felicidade securitária assente na manipulação genética, sacrifica bastante na fidelidade à história e modifica ou elimina várias personagens, acabando por a descaracterizar. Os actores, muito insonsos, também não ajudam. EB

HBO. T1

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10. The English Game

Escrita por Julian Fellowes, o autor da muito aclamada Downton Abbey, The English Game recorda o advento do futebol moderno na Inglaterra das últimas décadas do século XIX, com fundo de agitação socio-económica. Ou seja, é Downton Abbey com bola e mais tensão social e ressentimento entre classes. O enredo é telegrafado, as personagens transparentes e os clichés são à pazada. Um estrondoso remate à trave. EB

Netflix. Minissérie

9. Terra Nova

Terra Nova foi um projecto em duas partes: um filme em alto mar, em torno da perigosa pesca do bacalhau, no qual Artur Ribeiro adaptava Bernardo Santareno; e uma série de 13 episódios, na qual Joaquim Leitão se ocupava das vidas em terra das mesmas e de outras personagens, numa comunidade piscatória portuguesa nos anos 1930. Esta última, que é a que para aqui interessa, enreda-se numa miríade de histórias sem espessura dramática, que estão cá mais para ilustrar a época do que para servir uma narrativa rica e coesa. É pena. HT

RTP1. T1

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8. Dark

O princípio é o fim, e o fim é o princípio. O princípio é o fim, e o fim é o princípio. O princípio é o fim, e o fim é o princípio. O princípio é o fim, e o fim é o princípio. O princípio é o fim, e o fim é o princípio. O princípio é o fim, e o fim é o princípio. O princípio é o fim, e o fim é o princípio. O princípio é o fim, e o fim é o princípio. O princípio é o fim, e o fim é o princípio. O princípio é o fim, e o fim é o princípio. O princípio é o fim, e o fim é o princípio. O princípio é o fim, e o fim é o princípio. OK, já percebemos. HT

Netflix. T3

7. Drácula

Além de fazer gato-sapato da história original, este Drácula sinaliza todas as caixinhas obrigatórias do politicamente correcto. É uma turva e indigesta cabidela vampiresca, confeccionada à medida de um público viciado nas “desconstruções”, “releituras” e “subversões” das histórias e personagens clássicas, com um Drácula que não se decide entre ser o monstro de mal puro de Bram Stoker e um vampiro camp. EB

Netflix. Minissérie

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6. Lovecraft Country

Misha Green criou um monstro: Lovecraft Country é uma salganhada com mais pontas soltas do que personagens, cujo interesse está sobretudo em comentar as tensões raciais e em estar num constante pisca-pisca de referências culturais, e menos na própria história. É uma série de terror sobrenatural que tem de tudo: gore, feitiçaria, palhaços maléficos, criaturas vampirescas, viagens no tempo, steampunk q.b., e até uma kumiho coreana. Em síntese, tudo o que veio à cabeça de Green e que ela lançou na direcção dos protagonistas, Atticus (Jonathan Majors) e Leti (Jurnee Smollett), na América segregada dos anos 1950. Nem a presença de Michael Kenneth Williams (The Wire, Boardwalk Empire) nos salva. HT

HBO. T1

5. Ratched

Mais uma origin story, desta feita da tirânica, glacial e sádica enfermeira-chefe Ratched do filme Voando Sobre um Ninho de Cucos, de Milos Forman, papel que deu um Óscar a Louise Fletcher, e agora vivido por Sarah Paulson. Ratched não quer registar qualquer tipo de evolução da personagem, apenas envolvê-la, com carta branca de crueldade, num enredo convoluto, sanguinolento, campy e não raras vezes forçado. EB

Netflix. T1

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4. Perry Mason

Este Perry Mason “reinventado” e interpretado por Matthew Rhys é uma descarada, grosseira e lementável deturpação da personagem original de Erle Stanley Gardner e imortalizada por Raymond Burr na série de televisão dos anos 50 e 60. Foi concebido para ser “vendido” a um novo público que nunca ouviu falar nele e tanto se lhe faz como se lhe fez como é caracterizado. É caso para processo em tribunal. EB

HBO. T1

3. La Casa de Papel

Se pensava que bastaria mudar de cenário, da Casa da Moeda para o Banco de Espanha, substituir assaltantes caídos por outros (Bogotá, Marselha), um desvairado por outro (Berlim por Palermo), um plano mirabolante por outro, ligando tudo por romancezinhos de cordel, Álex Pina não poderia estar mais enganado. O criador de La Casa de Papel, a mais popular série da Netflix em língua não inglesa, tentou repetir a fórmula das primeiras temporadas, os flique-flaques narrativos, os dramas de cortar à faca no seio do grupo, a música, as frases de efeito. Pensou que seria um regresso triunfante. Deslumbrou-se. E esqueceu-se de surpreender, a chave do sucesso inicial, deixando-nos com o pior que tem para oferecer: os diálogos. HT

Netflix. T4

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2. Warrior Nun

Uma adolescente órfã e paraplégica morre e vê-se ressuscitada por forças superiores para se tornar numa matadora de criaturas malignas, tutelada por um sacerdote, enquadrada por um comando secreto de freiras caçadoras de demónios e acompanhada por um grupo de amigos. Warrior Nun é uma série pseudo-fantástica tão má, mas tão má, que, se doesse, era internada de urgência numa unidade hospitalar de traumatizados. EB

Netflix. T1

1. White Lines

Uma desastrosa série policial passada em Ibiza e com muito sexo, sol, droga e música techno, um enorme cliché composto por uma miríade de clichés mais pequenos. White Lines é como uma construção da Lego em que cada peça é um lugar-comum, uma personagem-tipo, uma situação feita, um estereótipo narrativo, um diálogo já ouvido mil vezes, um bordão, uma inverosimilhança chapada. Custa ver Nuno Lopes lá metido. EB

Netflix. T1

O melhor de 2020

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