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Mulherzinhas (2019)
©Wilson Webb/CTMGMulherzinhas de Greta Gerwig

Os melhores filmes de 2020

Foi um ano atípico, mas não foi por isso que deixou de haver bom cinema para ver. Estes foram os melhores filmes de 2020.

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Escrito por
Sebastião Almeida
e
Eurico de Barros
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Este terá sido, provavelmente, um dos anos mais estranhos da história do cinema, assim como da humanidade, no geral. A pandemia veio baralhar as contas a todos, e a indústria cinematográfica atravessou um ano atípico, com rodagens e estreias canceladas ou adiadas.  As salas de cinema permanecem abertas (por agora), apesar do crescimento de novas infecções em todo o mundo. Num ano vivido a meio-gás, não vimos nenhum filme que merecesse mais de quatro estrelas. Mesmo assim, e tendo em conta que 2021 está aí, elaborámos uma lista com os melhores filmes que se estrearam em Portugal em 2020.

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Os melhores filmes de 2020

  • 4/5 estrelas
  • Filmes

Há 20 anos, desde O Tempo que Resta, que Elia Suleiman não realizava uma longa-metragem (em 2012, participou com um segmento no filme colectivo 7 Dias em Havana). Neste novo filme, a história é simples: um realizador percorre o mundo e visita França e os Estados Unidos à procura de financiamento para o seu filme e para participar numa iniciativa pró-palestiniana. Ao regressar a casa, chega a uma conclusão simples. Mais vale viver num sítio imperfeito mas familiar do que num lugar estranho onde nunca se conseguiria encaixar. 

  • 4/5 estrelas
  • Filmes
  • Drama

Na França de finais do século XVIII, ainda antes da revolução, Marianne, uma pintora (Noémie Merlant), e Héloise (Adèle Haenel), uma jovem aristocrata e sua relutante modelo, tornam-se amantes durante a execução do retrato desta, que vai ser enviado para Itália, para o homem com quem vai casar a conhecer. Com duas formidáveis actrizes, recatadamente sensual, inteligente e sensível, reflectindo sobre a condição da mulher (e da mulher artista na época) sem se transformar numa arenga feminista ou num panfleto gay, e nunca se submetendo a qualquer dirigismo formal da pintura, Retrato da Rapariga em Chamas ganhou o Prémio de Argumento no Festival de Cannes e é o melhor filme de Céline Sciamma.

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  • 4/5 estrelas
  • Filmes
  • Drama

Werner Herzog rodou no Japão esta ficção tão contígua da realidade, que se pode confundir com esta, na qual convenceu o dono e director da empresa do título (que aluga actores para interpretarem, em diversos contextos sociais ou profissionais, parentes, amigos ou pessoas próximas dos clientes) a interpretar-se a si próprio numa sucessão de sketches encenados. Na sua componente mais complexamente ficcionada, onde o empresário finge ser o pai de uma adolescente, que ela nunca conheceu por ser ainda bebé quando ele abandonou a mãe, Herzog questiona as implicações éticas e morais deste insólito negócio e dá ao filme dimensão dramática, peso emocional e vibração humana.

  • 4/5 estrelas
  • Filmes
  • Drama

Depois de Carvão Negro, Gelo Fino, Urso de Ouro e Urso de Prata do Melhor Actor no Festival de Berlim de 2014, o chinês Diao Yinan traz-nos este fulgurante O Lago dos Gansos Selvagens, a narrativa vertiginosa e intensa de uma dupla caça ao homem na cidade de Wuhan, onde um gangster que matou um polícia inadvertidamente, e tem a cabeça a prémio, é perseguido pelos outros marginais e pelos homens da lei. Yinan faz a transcrição, para a China contemporânea, de um daqueles policiais de acção de série B que os americanos rodavam nos anos 1940 e 1950, filmando com uma câmara agilíssima e nervosa, um sentido consumado da tensão e da acção visual e uma exímia utilização expressiva e dramática dos ambientes, revelando-nos ao mesmo tempo uma China marginal, feia, pobre e kitsch que coexiste com a China próspera e futurista dos telejornais e da propaganda.

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  • 4/5 estrelas
  • Filmes
  • Drama

A primeira longa-metragem de Ladj Ly, Os Miseráveis recebeu o Prémio do Júri do Festival de Cannes, foi rodado no bairro de Montfermeil, nos subúrbios de Paris, onde o realizador cresceu. E é um retrato frontal, equilibrado e muito inquietante da realidade nas cités parisienses, onde se acumulam os imigrantes. O Estado parece ter abdicado de exercer a sua jurisdição, os bandos de delinquentes e os fundamentalistas islâmicos disputam os favores dos habitantes: em especial a atenção e a lealdade dos mais jovens. Apenas a brigada anti-crime da polícia consegue entrar e manter contactos. O filme começa num tom de euforia nacional, e termina noutro, radicalmente diferente, de fragmentação total e de caos geral anunciado.

  • 4/5 estrelas
  • Filmes

Esta realização de Jan Komasa concorreu pela Polónia ao Óscar de Melhor Filme Internacional e tem um notável jovem actor chamado Bartosz Bielenia no papel de Daniel, um rapaz que sai de um centro de detenção juvenil para ir trabalhar numa serração no campo, mas acaba a fingir que é padre e a envolver-se profundamente na vida de uma pequena comunidade (Daniel tem vocação para o sacerdócio, mas o facto de ser cadastrado impede-o de ir para um seminário). Inspirado por um facto real, Corpus Christi trata-se de um sério, intenso e belíssimo filme sobre os paradoxais atalhos da fé, a forma como Deus escreve direito por linhas tortas e a dificuldade do perdão e da redenção pessoal, onde Komasa nunca recorre a expedientes fáceis, simplistas ou confortáveis.

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  • 4/5 estrelas
  • Filmes
  • Drama

À sétima versão para cinema do livro clássico de Louisa May Alcott, Greta Gerwig desarrumou-lhe a cronologia, começando o filme lá para o meio, quando Jo (uma fulgurante Saoirse Ronan) já está em Nova Iorque a tentar viver da escrita. Mas a imortal história das quatro irmãs March resiste a tudo, e Gerwig faz todo o jus emocional, cinematográfico e evocativo à obra de Alcott sobre a vida entre irmãs, o fim da infância e a queda na maturidade, o porto seguro da família e sobretudo a vontade da arrapazada, inquieta, imaginativa e impetuosa Jo ser independente, escritora reconhecida, feliz nos termos que deseja. Com Florence Pugh em Amy, Emma Watson e Eliza Scanlon em Meg e Beth, e Laura Dern e Meryl Streep como Marmee e a tia March.

  • 4/5 estrelas
  • Filmes

Roman Polanski adapta o livro de Robert Harris sobre o Caso Dreyfus, que abalou e dividiu a França em finais do século XIX, adoptando o ponto de vista do coronel Georges Picquart, que descobriu o verdadeiro espião e tudo fez para que Dreyfus fosse inocentado e reintegrado no Exército, arriscando a sua própria carreira, segurança e liberdade. No seu assumido academismo formal e narrativo, o filme é uma robusta recriação de um processo judicial e político escandaloso, tendo como força motriz a portentosa interpretação de Jean Dujardin no corajoso e íntegro Picquart.

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  • 4/5 estrelas
  • Filmes
  • Comédia

Corneliu Porumboiu, um dos principais nomes do novo cinema da Roménia, pega em situações feitas, personagens-tipo e estereótipos do cinema policial e acrescenta-lhes o excêntrico elemento de uma ancestral linguagem assobiada de uma ilha das Canárias, para fazer um filme que é ao mesmo tempo um pastiche e uma glosa aplicada, com todos os eles e erres, deste género clássico. A que não falta o tradicional comentário sobre a corrupção institucional no seu país. Tudo feito com a economia visual e expressiva, circunspecção dramática e toques de humor nonsense habituais do realizador.

  • 4/5 estrelas
  • Filmes
  • Drama

Clint Eastwood recorda neste filme uma história ocorrida nos Jogos Olímpicos de Atlanta de 1996. Richard Jewell, um segurança, detectou uma bomba num parque da cidade durante um concerto e ajudou a evacuar o recinto. Poucos dias depois, passou de herói nacional a suspeito de terrorismo, porque o FBI, pressionado pela organização dos jogos e pelo Governo, precisava de apresentar um culpado, e os media foram atrás da história, crucificando Jewell perante a opinião pública. O Caso de Richard Jewell é um alerta contra os abusos e as arbitrariedades do Estado e do Quarto Poder, filmado por Eastwood com concisão brilhante e sem flores moralistas, e um elenco inatacável – a começar pelo até aqui "secundário" Paul Walter Hauser no papel principal.

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  • 4/5 estrelas
  • Filmes
  • Animação

Hodaka, um adolescente que fugiu para Tóquio conhece uma rapariga, Hina, que consegue controlar o tempo, afastando a chuva e fazendo aparecer o sol. Como a capital nipónica está a conhecer um Verão invulgarmente chuvoso, formam uma sociedade para capitalizar no poder mágico de Hina. Só que ao exercê-lo, a jovem paga um preço. Esta longa-metragem animada de Makoto Shinkai, a actual coqueluche da anime nipónica (ele também é argumentista e autor de manga) foi o filme mais visto no Japão em 2019 e é um misto de fantasia romântica e distopia de ficção científica, onde o realizador volta a sobrepor o mais detalhado realismo e o misticismo poético, aqui baseado em crenças e lendas ancestrais. E a animação é pura e simplesmente deslumbrante.

  • 4/5 estrelas
  • Filmes

Não é a primeira vez que o clássico infantil Pinóquio, de Carlo Collodi, é filmado com actores de carne e osso. Mas esta adaptação de Matteo Garrone é decerto uma das mais próximas do livro original. O realizador cultiva aquilo a que poderíamos chamar de neo-realismo fantástico, ao situar a história na Itália rural de há 200 ou 300 anos. Mas no meio da qual se manifesta uma plêiade de animais antropomorfizados, falantes e vestidos como humanos, fantoches de madeira com vida própria e uma fada com poderes mágicos, que tanto é uma menina como uma mulher de meia idade, e vive numa quinta, sendo servida por um enorme caracol feminino que se mexe e fala muito devagar.

O melhor para ver em casa

  • Filmes

Desde que chegou a HBO (para não falar nos outros serviços de streaming que apareceram entretanto) ficou ainda mais complicado gerir a agenda – e não falamos apenas da vida social, mas do calendário de estreias de séries. A pensar nisso, fizemos-lhe uma selecção das séries na HBO que vale a pena ver e que nunca o farão perder tempo. Recuperamos os clássicos que não pode perder e as novidades que têm dado que falar. De Os Sopranos e A Guerra dos Tronos até à aclamada Zero Zero Zero, de Roberto Saviano, estas são as 23 séries na HBO que tem de ver.

  • Filmes

Chegou timidamente aos nossos ecrãs mas hoje seria difícil imaginarmo-nos sem ela. Entre conteúdos originais de grande qualidade e outros que foram aproveitados (ou mesmo ressuscitados), a Netflix parece não querer abrandar no número de entretenimento disponibilizado e está, continuamente, a trazer-nos apostas dignas de binge watching. Títulos como GodlessOzark, Stranger Things ou Tiger King mostram bem aquilo em que a plataforma trabalha, e outros como Breaking Bad Arrested Development são óptimos exemplos de como levar audiência ao seu moinho (o streaming) por meios comprovados.

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  • Filmes

No mundo das plataformas de streaming e da criação de conteúdos originais, há muitas opções por onde escolher. A Amazon lançou o seu serviço pago de streaming de séries e filmes em Portugal, em 2016, e continua a conquistar novos assinantes e a apostar na criação de conteúdos originais feitos e protagonizados por nomes sonantes. A adaptação da obra de Philip K. Dick, The Man in The High Castle, foi uma das primeiras apostas bem-sucedidas. Seguiram-se Transparent, The Marvelous Mrs. Maisel, Fleabag e outras séries originais da Amazon Prime.

  • Filmes

Há cada vez mais e melhores serviços de streaming de séries e filmes. O mais recente é o Disney+ que, além de todos os clássicos da Disney, tem conteúdos das marcas e dos estúdios adquiridos pela casa do Rato Mickey ao longo dos anos, como a Pixar, a Marvel, a Lucasfilm, a National Geographic ou a Fox. O principal trunfo do novo serviço de streaming são precisamente as séries e os filmes criados por estas empresas, que deixaram a sua marca na cultura popular e agora não podem ser vistos em mais lado nenhum, como a saga Star Wars. Mas entre os filmes do Disney+ encontra-se mais uma ou outra surpresa.

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