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Dahmer – Monstro: A História de Jeffrey Dahmer
NetflixDahmer – Monstro: A História de Jeffrey Dahmer

‘Dahmer’, a fetichização de um monstro

Criada por Ryan Murphy, a série da Netflix apela a um voyeurismo macabro e a uma condescendência mórbida para com o serial killer.

Escrito por
Eurico de Barros
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 ★★☆☆☆

Em 2002, estreou-se Dahmer, um filme sobre o monstruoso serial killer americano Jeffrey Dahmer, com Jeremy Renner no papel do título. Nele, em 110 minutos, o realizador David Jacobson, expõe tudo o que precisamos de saber e de entender sobre esta aberração humana, que matou, desmembrou e terá comido 17 pessoas entre 1970 e os anos 90. Mas Ryan Murphy precisa de dez episódios, que juntos somam quase outras tantas horas, agonicamente arrastados e penosamente repetitivos (mas quantas vezes precisamos de ver Dahmer a masturbar-se, a atrair vítimas e a drogá-las, e a preparar-se para as cortar aos bocados?), para contar a história do criminoso em Dahmer – Monstro: A História de Jeffrey Dahmer (até o título é “esticado”). Esta redundância vagarosa, esta insistência nos detalhes sinistros, e a constante jiga-joga temporal sobre a qual a série está construída, acaba por ter o efeito contrário ao pretendido por Murphy. Em vez de chocar, entorpece; em vez de causar revolta e repugnância, apela a um voyeurismo macabro e a uma condescendência mórbida para com Jeffrey Dahmer (interpretado em registo zombie por Evan Peters), podendo mesmo conduzir a uma fetichização incómoda – e certamente indesejada pelo autor – deste monstro. É dar-lhe atenção, e tempo de antena, a mais.

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