Director’s Cut ou o olhar do realizador no IndieLisboa 2018

Filmes novos que têm nas memórias cinéfilas a sua principal inspiração e matéria-prima são a especialidade do segmento Director’s Cut do IndieLisboa
Hitler's Hollywood
Hitler's Hollywood
Por Rui Monteiro |
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São, ou foram no seu tempo, filmes novos, mas para entrarem no programa da secção Director’s Cut do IndieLisboa precisaram de mergulhar na memória do cinema e nela encontrar matéria-prima para a sua inspiração. Criar obra nova a partir desse olhar sobre o património cinematográfico é o objectivo. Aqui vão cinco exemplos.

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Director’s Cut ou o olhar do realizador no IndieLisboa 2018

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Have You Seen My Movie?

Assistente de montagem em The Clock, o filme-instalação de Christian Marclay que combinava imagens de relógios retiradas de filmes ou programas de televisão até completar as 24 horas de duração, Paul Anton Smith seguiu o mesmo caminho na sua primeira longa-metragem.

O realizador canadiano retoma o método de Marclay e reconstrói, partindo de imagens de mais de 100 películas, “a experiência de ir ao cinema” em Have You Seen My Movie?, no processo criando uma divertida (pelo menos para os cinéfilos mais curiosos e/ou experientes) sessão que percorre múltiplos géneros cinematográficos numa espécie de exercício de nostalgia e, por assim dizer, memória criativa.

Sex, 27, 18.30, Cinemateca

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Elettra

Tonino De Bernardi é um realizador para quem a literatura, a música, a arte em geral é fundamental à sua criação que, desde a década de 1960, experimenta com imagens.

Nesta obra de 1987, o cineasta italiano já abandonara o experimentalismo que marcou o início da sua carreira, até aos anos de 1970 muito marcada pelos movimentos de vanguarda artística e pela influência do cinema independente americano. Abandonou o experimentalismo, mas não muito, pode dizer-se, pois em Elettra, filmado a partir da tragédia de Sófocles e considerada a sua “primeira longa-metragem oficial”, são muitos os sinais de um cinema procurando uma nova forma de contar, mesmo que, como neste caso, para isso seja preciso recorrer a actores não profissionais, mas nem por isso menos expeditos e eficazes, como acontece com Anna Coppo, Cristina Crovella, Luciana Pasin, Rosetta Rej e Stefania Terzuolo.

Sáb, 28, 15.30, Cinemateca

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O Termómetro de Galileu

Depois de Colo ter inaugurado a edição 2017 do IndieLisboa, Teresa Villaverde regressa com um documentário sobre amizade e cumplicidade que trás de novo à liça o cinema de Tonino De Bernardi.

Durante um Verão a realizadora acompanhou o camarada de profissão e a sua família. Desta intimidade saiu um documentário, estreado no recente Festival de Cinema de Roterdão, que é um retrato pessoal e artístico de um cineasta singular, ao qual Villaverde associa subtilmente, como quem constrói um ensaio, a arte, a vida e, de certo modo, a transmissão de conhecimentos entre gerações.

Sáb, 28, 19.00. Cinemateca

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Hitler’s Hollywood

No seu filme anterior, From Caligari to Hitler (apresentado no IndieLisboa em 2015), Rüdiger Suchsland produziu uma generosa reflexão sobre a liberdade da indústria cinematográfica durante a República de Weimar e a forma com esta representou a iminente ascensão do nazismo durante a década de 1930 na Alemanha.

Agora, com este Hitler’s Hollywood, realizado o ano passado, o cineasta debruça-se sobre os filmes produzidos durante o Terceiro Reich, assim como sobre as técnicas publicitárias do regime e a tentativa de construção artificial de um “star system” depois das maiores estrelas alemãs serem forçadas ao exílio.

Sáb, 5, 15.30, Cinemateca

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Die Frau Meiner Träume

Para melhor compreender a importante mensagem de Suchsland nada mais adequado do que permanecer pela Cinemateca e assistir à sessão de fim de tarde para ver este exemplo da estratégia de produção cinematográfica do nazismo.

Dirigido por Georg Jacoby, em 1944, a película, como a maioria dos mais de mil filmes estreados na Alemanha entre 1933 e 1945, não é um caso de propaganda político-militar óbvia. Antes pelo contrário. Tecnicamente, digamos, é um filme “escapista”, que abre e fecha com dois números musicais de grande efeito, pelo meio dando a ver uma história de amor protagonizada por Marika Rökk. Porém, quando olhado com atenção (como se pode fazer com as comédias portuguesas da mesma época obtendo idêntico resultado), revela a contaminação propagandística ignorando a guerra e mostrando um país alegre e trabalhador onde o amor vence sempre todas as contrariedades.

Sáb, 5, 19.00, Cinemateca

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