Festa do Cinema do Italiano, ou uma italianada por dia é sempre uma alegria…

Com o fim da temporada de prémios abre a época dos festivais. E entre 4 e 12 de Abril é a vez da Festa do Cinema Italiano apresentar em primeira-mão, e também em homenagens e retrospectivas, o melhor do cinema transalpino.
Sono Tornato
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Por Rui Monteiro |
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Há a secção competitiva, o regresso aos clássicos, a visão alternativa e experimentalista, curtas-metragens, filmes infantis. E há, principalmente, a secção Panorama onde, este ano, se concentra o maior interesse do festival graças às suas antestreias, algumas já com currículo adquirido em outros festivais. Nove dias, nove filmes seguem já.  

4 a 12 de Abril em vários locais

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Festa do Cinema do Italiano, ou uma italianada por dia é sempre uma alegria…

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Sicilian Ghost Story

O filme de abertura desta edição da Festa do Cinema Italiano (parte da secção Panorama, dedicada às estreias) tem já os seus predicados adquiridos na sessão inaugural da Semana da Crítica, no Festival de Cannes, o ano passado. O que nem foi novo para Antonio Piazza e Fabio Grassadonia, realizadores e argumentistas, que, em 2013, com Salvo, venceram o prémio daquela prestigiada secção.

Importa, agora, que, com Julia Jedlikowska, Vincenzo Amato e Sabine Timoteo no elenco, Piazza e Grassadonia filmam o mistério e as consequências numa pequena vila siciliana do desaparecimento de Giuseppe, de 13 anos. A partir daí desenrolando um conto fantástico inspirado por um caso que chocou a opinião pública italiana na última década do século XX, criando uma película que é, em simultâneo, uma fábula romântica embrulhada no mundo da máfia.

São Jorge. Qua, 4, 21.30.

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Botticelli – Inferno

Seleccionado entre as Sessões Especiais, encontra-se este filme de Ralph Loop, com Charlers Rettinghaus e Tom Vogt, que levam o enredo para o universo do mestre da pintura da Renascença Sandro Botticelli.

Artista que passou mais de uma década a pintar e desenhar o Inferno de acordo com descrição do poeta Dante Alighieri em A Divina Comédia, que o realizador ilustra como uma viagem através dos nove círculos do Inferno e, assim, procura revelar os segredos de uma obra intrigante.

UCI Cinemas – El Corte Inglés Lisboa. Qui, 5, 19.00.

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A Semente do Homem

Com uma digressão pela secção Amarcord, dedicado aos clássicos, encontra-se logo uma obra fundamental do incontornável Marco Ferreri, rodada em 1969, com Anne Wiazemsky, Marco Margine, Annie Girardot e Rada Rassimov.

No centro da acção, após uma epidemia acabar com a maioria da população da Terra, um casal discute a possibilidade de ter um filho neste novo mundo pós-apocalípitico, o que faz deste filme, na altura futurista, uma reflexão sobre a existência e o destino da humanidade, que há alguns anos parecia datada, mas face ao desenrolar da geo-estratégia política e militar...

Cinemateca. Sex, 6, 18.30.

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Poveri ma Ricchi

De regresso à actualidade é o momento de conhecer Os Tucci, família modesta à brava de uma aldeia na região de Lazio que um dia ganha a lotaria. Bilionários, decidem ir para Milão, viver num hotel cinco estrelas, desfrutar a vida nocturna e todo os luxos disponíveis.

O realizador Fausto Brizzi, com um elenco dominado por Christian De Sica, Enrico Brignano, Lucia Ocone, Lodovica Comello e Anna Mazzamauro, não deixa o conto de fadas novo-rico prosseguir à toa, e os Tucci começam a perceber que os tempos mudaram. Se querem integrar-se têm de ser mais como aquela visão idílica dos ricos de hoje como gente discreta, ecologista, apoiante de causas de solidariedade social. Pessoal que, para acrescentar sarcasmo à sátira, antes do mais, anda de bicicleta.

O filme, produzido em 2016, a partir da comédia francesa Les Tuche, com a sua realização procurando ir à génese da comédia italiana popular das décadas de 1950 e 1960, foi um sucesso tal que gerou já uma sequela: Poveri ma Ricchissimi.

UCI Cinemas – El Corte Inglês. Sáb, 7, 21.30.

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O Carteiro de Pablo Neruda

Ainda é decerto um pouco cedo para colocar O Carteiro de Pablo Neruda entre a cinematografia clássica italiana. Afinal, Massimo Troisi e Michael Radford estrearam o seu filme em 1994 e é preciso dar tempo ao tempo.

Todavia, a película interpretada por Troisi, Philippe Noiret e Maria Grazia Cucinotta, vencedora do Óscar para Melhor Banda Sonora (Luis Bacalov), além de grande êxito de público (em Portugal, por exemplo, esteve mais de um ano em cartaz), tem provado ser um dos grandes filmes românticos do final do século passado.

Baseado no romance Il Postino, de Antonio Skármeta, a obra retrata a amizade entre o poeta chileno Pablo Neruda e um humilde carteiro com dificuldade em exprimir seus sentimentos à mulher amada, em 1952, na ilha italiana onde o Prémio Nobel da Literatura se exilou para evitar as perseguições no seu país.

São Jorge, Dom, 8, 16.00.

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La Tenerezza

Mais uma estreia, este filme de Gianni Amelio (autor dos interessantes As Chaves de Casa e O Ladrão de Crianças), com Renato Carpentieri, Elio Germano, Micaela Ramazzotti e Giovanna Mezzogiorno, que, na verdade, é um melodrama sobre a necessidade da ternura.

O que parece um bocado lamecha, mas se verá não ser, para esta história de Lorenzo, advogado reformado em Nápoles, egoísta, alheio ao amor, naturalmente zangado com os filhos, que tem um ataque cardíaco. E, ao voltar a casa, cria uma, para ele e para os que o rodeiam, inexplicável afeição pelos novos vizinhos… Até que um drama imprevisível perturba a existência de todos.

São Jorge. Seg, 9, 21.30.

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L’Ora Legale

Fartos de caos nas ruas e da corrupção por todo o lado, os habitantes de Pietrammare, uma aldeia na Sicília, elegem um novo presidente da câmara, um homem para todos íntegro e sem mácula. A ordem é restaurada, mas não traz apenas vantagens, pois, como os eleitores da aldeia vão descobrir, a legalidade é mais fácil de desejar e prever do que de respeitar.

No seu quinto filme, a dupla siciliana Salvatore Ficarra e Valentino Piccone (com ambos a integrar o elenco com Leo Gullotta e Vincenzo Amato), parece ter encontrado, entre gagues, a fórmula perfeita para descrever uma parte da vida italiana, denunciando com ironia as falhas e peculiaridades de uma sociedade politicamente tumultuosa.

UCI Cinemas – El Corte Inglês. Ter, 10, 19.00.

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Sono Tornato

Luca Miniero é o realizador desta comédia, digamos, dramática e especulativa, onde coloca a possibilidade do regresso do ditador Benito Mussolini e as consequências desse acontecimento.

No filme, com Massimo Popolizio, Frank Matano, Stefania Rocca, Gioele Dix e Guglielmo Favilla, estamos em Roma, na actualidade, 80 anos depois da morte de Il Duce, que, sabe-se lá como, embora se adivinhe o porquê nas intenções do cineasta, está de volta. Regresso por acaso filmado por um jovem documentarista, homem de grandes aspirações, porém reduzido êxito. Ora acontece que o invulgar par inicia uma convivência do mais surrealista, e em grande parte também o mais oportunista possível, viajando por Itália, aparecendo em programas de televisão e protagonizando bizarros confrontos com os italianos de hoje que convencem o tirano regressado a tentar recuperar o poder.

São Jorge. Qua, 11, 21.30.

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Dillinger Morreu

Voltar aos clássicos, a Marco Ferreri, neste filme de 1969, com Michel Piccoli, Anita Pallenberg e Gina Lavagetto, é regressar à obra-prima do irregular, por vezes brilhante e sempre ousado realizador, aqui elaborando um tratado sobre abandono, solidão e loucura na despedida desta edição da Festa do Cinema Italiano.

Tudo começa na vulgaridade. Glauco, um designer industrial de máscaras de gás, chega a casa, encontra a mulher de enxaqueca, enfiada na cama, resolve evitar a refeição que ela deixou preparada, e decide cozinhar um jantar a sério. Anda ali, a mexericar na cozinha à procura de utensílios e não é que encontra um revólver, embrulhado em jornal com data de 1934, e a notícia da morte do famoso criminoso americano John Dillinger. Escusado será dizer que a vida de Glauco vai dar uma grande volta.

Cinemateca. Qui, 12, 18.30.

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