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Festa do Cinema Francês: ao princípio foram os Lumière

Ao princípio é a história do cinema. Depois, vai por aí fora e são antestreias e documentários e cinema independente animando a Festa do Cinema Francês, de 5 a 15 de Outubro

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A biografia tem algum peso na programação desta 18ª edição da Festa do Cinema Francês. Mas há de tudo. Variedade não falta, até porque mostrar a variedade (e vitalidade) do cinema francês é o objectivo deste festival que começa no Cinema S. Jorge e, depois de 10 dias em Lisboa, vai percorrer o país.

Vamos lá aos 11 filmes a não perder.

Festa do Cinema Francês: ao princípio foram os Lumière

Lumière! A Aventura Começa

Thierry Frémaux, director do Festival de Cannes, deu uso à sua pulsão cinéfila para realizar Lumière! A Aventura Começa. Exercício sobre uma selecção de imagens registadas entre 1895, quando inventaram o cinematógrafo, e 1905, quando Louis e August Lumière eram já os primeiros criadores de cinema enquanto arte. Ao mesmo tempo, ensaio sobre o início do cinema, que abre a programação do festival como quem procede a uma homenagem aos brilhantes inventores, os primeiros a fazerem um travelling ou usarem efeitos especiais.

S. Jorge. Quinta, 5, 21.00.

Os Fantasmas de Ismael

Arnaud Desplechin, além do seu último filme Os Fantasmas de Ismael, é, também, objecto de uma breve ciclo que inclui a apresentação de três inéditos, La Sentinelle, Comment Je Me Suis Disputé… (Ma Vie Sexuelle) e Léo en Jouant “Dans la compagnie des hommes”, mais o conhecido Reis e Rainha, outro título em exibição. Nesta nova película, Ismaël (Mathieu Amalric), que vive traumatizado depois do desaparecimento da esposa, há mais de 20 anos, é um cineasta que se prepara para realizar um filme sobre um diplomata atípico inspirado no seu irmão. A súbita reaparição de Carlotta (Marion Cotillard) abala não só o relacionamento de Ismaël e Sylvia (Charlotte Gainsbourg), como põe de pantanas o resto da vida do cineasta, espécie de alter-ego do realizador que, assim, retoma na sua cinematografia o lado auto-biográfico e analítico, com um toque de burlesco e uma dose de reflexão artística, presente em boa parte da sua obra.

S. Jorge. Sexta, 6, 21.30.

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Rock’n’Roll

Em Rock’n’Roll, de Guillaume Canet, (com, sim, outra vez, Marion Cotillard), Guillaume Canet chega aos 40 anos e compreende que a juventude, pois, passou e já não pode interpretar os mesmos papéis. O que não é aceitável para ele, pelo menos por enquanto, antes da intermediação da namorada, Marion Cotillard, outras intromissões e algumas peripécias o trazerem à razão. Filme em que toda a gente se interpreta a si mesmo, variando entre o humor e o drama, Rock’n Roll é apresentado como uma viagem pela ideia de juventude e pelo medo de envelhecer.

UCI Cinemas – El Corte Inglês. Sábado, 7, 21.30

O Imperador – A Marcha dos Pinguins 2

Ei-los que voltam, os pinguins, protagonistas, em 2006, do filme vencedor do Óscar de Melhor Documentário, A Marcha dos Pinguins, agora, outra vez com direcção de Luc Jacquet, com O Imperador. Obra produzida com muito mais e mais qualificados meios em formato 4K, onde “um jovem pinguim está prestes a embarcar na sua primeira grande viagem” quando ouve um som misterioso que obriga toda a espécie a “sair de casa rumo ao desconhecido.”

UCI Cinemas – El Corte Inglês. Domingo, 8, 19.30.

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Gauguin

Ainda no capítulo das antestreias, Édouard Deluc apresenta uma biografia cinematográfica do pintor Paul Gaugin. Melhor, ilustra o período, na última década do século XIX, em que o artista, interpretado por Vincent Cassel, depois da funesta temporada em Arles na companhia do então amigo Van Gogh, se refugia no Haiti. A ideia era mergulhar na natureza e nas gentes ainda não pervertidas pela civilização para encontrar a sua pintura. A realidade foi mais marcada pela solidão e pela doença, mas não é por isso que a película deixa de ter a sua dose de romance.

UCI Cinemas – El Corte Inglês. Segunda, 9, 21.30

Going to Brazil

As coisas nem sempre correm como se deseja, que o digam estas três amigas (Vanessa Guide, Alison Wheeler, Margot Bancilhon) convidadas para o casamento da melhor amiga, no Brasil, que, mal chegam ao Rio de Janeiro, matam acidentalmente um rapaz. O que tem as suas consequências. Cómicas, pois foi esse o registo escolhido por Patrick Mille (cineasta por acaso nascido em Lisboa) para a sua segunda longa-metragem depois de uma longa carreira de actor.

S. Jorge. Terça, 10, 21.30

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Melodias de Django

Étienne Comar é outro dos realizadores representados na Festa do Cinema Francês com uma biografia. Esta, dedicada ao guitarrista de jazz francês Django Reinhardt (Reda Kateb). Isto é: ao período, por volta de 1943, em que é perseguido pelo regime nazi por ter raízes ciganas e obrigado a tentar a fuga da França ocupada. Tentativa que falha e só não corre pior graças à intervenção de um militar alemão com queda para o jazz que lhe permite o regresso a França, para o músico tentar nova fuga, desta vez através da Suíça, e serem os guardas fronteiriços daquele país a devolvê-lo à procedência.

UCI Cinemas – El Corte Inglês. Quarta, 11, 21.30.

L’Assemblée

No dia 31 de Março de 2016, na Praça da República, em Paris, nasceu o movimento “Nuit Debout”. E, ao longo de três meses, milhares de pessoas de diferentes proveniências ocuparam as ruas de Paris para reflectir e tentar construir uma nova forma de democracia. Mariana Otero, uma cineasta com raízes no cinema-verdade, estava lá com a sua câmara, registando as tentativas destas pessoas de “aprender a falar juntos sem ser numa só voz.”

S. Jorge. Quinta, 12, 19.30.

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Pierrot Le Fou  

Este regresso a um clássico é um dos portos seguros para a navegação ao longo do programa desta edição da Festa do Cinema Francês, pois Pierrot Le Fou, pense-se o que se pensar do cinema de Jean-Luc Godard, é uma obra maior do cinema. Nesta comédia dramática, realizada em 1965, Ferdinand (Jean-Paul Belmondo) faz-se à estrada com Marianne (Anna Karina), uma estudante que em tempos amara. A viagem está para ser romântica, mas torna-se numa perseguição de alta velocidade, pois o gangue com quem Marianne está embrulhada persegue-os activa e constantemente.

Cinemateca. Sexta, 13, 15.30.

Le Concours

O prémio de Melhor Filme Documentário recolhido pelo filme de Claire Simon o ano passado, na Bienale de Veneza, deve-se à improvável escolha da autora em filmar o concurso de admissão a La Fermis, uma prestigiada escola de cinema em França. Melhor, à sua opção por questionar a relação entre gerações e quase dissecar os processos de selecção que, como aquele, organizam as sociedades.

 S. Jorge. Sábado, 14, 21.30.

Com sotaque francês...

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Para eles é noir ou polar, o que nem interessa, pois o cinema policial francês, descendendo de e por vezes imitando o padrão norte-americano, tem toda uma vida à parte preenchida por crimes filmados com agilidade, requinte e substância. Como estes sete – que, verdade se diga, podiam ser 70 sem desprimor.

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A tarte invertida com maçã caramelizada começou por conquistar franceses na pacata cidade de Lamotte-Beuvron. Hoje é uma das sobremesas mais famosas do mundo e está bem representada em Lisboa, não só em restaurantes franceses mas também – imagine-se – num japonês. 

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