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Dez filmes com os Beatles e muitos beatlemaníacos

A propósito da estreia de "Yesterday", passado num mundo onde os Beatles nunca existiram, eis dez filmes com eles, sobre eles e as suas canções

The Beatles por Norman Parkinson
Norman Parkinson
Por Eurico de Barros |
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Em Yesterday, o novo filme de Danny Boyle que se estreia em Portugal esta semana, o protagonista, um cantor e compositor pop frustrado, é lançado para um mundo em que os Beatles nunca existiram. Para contrariar uma tal visão de pesadelo, fomos buscar uma dezena de filmes com os Beatles, entre ficções, animações e documentários, e que incluem clássicos como a estreia dos Fab Four no cinema, que em Portugal teve um título surreal, Os Quatro Cabeleiras do Após-Calipso, a animação de culto O Submarino Amarelo ou a comédia Beatlemania, realizada por Robert Zemeckis em 1978.

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Dez filmes com os Beatles e muitos beatlemaníacos

"Os Quatro Cabeleiras do Após-Calipso", de Richard Lester (1964)

No primeiro filme dos Beatles, que teve um título português indescritível (título original: A Hard Day’s Night), os Fab Four interpretam-se a si próprios e a realização é de Richard Lester, então um dos nomes destacados da Nova Vaga do cinema inglês. A sua inventividade e desenvoltura visual rimou na perfeição com o espírito que animava a banda, e com o que ela representava de novo e de revolucionário, musical, cultural e socialmente, na Inglaterra em mudança dos anos 60, transformando-o num dos filmes musicais, e de pop/rock, mais originais e influentes de sempre, dominada pelo humor, pela descontracção e pelas personalidades de John, Paul, George e Ringo.

"Socorro!", de Richard Lester (1965)

Encontramos Richard Lester de novo ao leme do segundo filme dos Beatles, que vem na sequência lógica do fenomenal sucesso comercial e crítico do primeiro e tem como banda sonora o álbum Help!. Muito influenciado pelos Irmãos Marx, mas também, e tal como Os Quatro Cabeleiras do Após-Calipso, pelo programa de rádio e televisão de humor nonsense The Goon Show, em que Lester tinha trabalhado, a fita envolve os Beatles numa intriga saborosamente estapafúrdia com um culto maléfico que escolhe Ringo para ser sacrificado. Socorro! foi um filme muito lucrativo, mas já não conquistou toda a crítica, como o primeiro havia conseguido.
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"Magical Mystery Tour", dos Beatles (1967)

Originalmente feito para ser transmitido na BBC na época do Natal, este filme acabou depois por ter estreia nos cinemas. Assinado em conjunto por Paul, John, George e Ringo, com a participação de Bernard Knowles, Magical Mystery Tour é uma comédia musical de recorte psicadélico. Foi em grande parte improvisada, e passa-se durante uma viagem turística de autocarro em Inglaterra, que mais não é do que o pretexto para apresentar uma série de canções dos Beatles, de sketches e de momentos cómico-surreais. E desta vez, a crítica atirou-se ao filme com unhas e dentes e desfê-lo. De tal forma, que Paul McCartney se sentiu na obrigação de ir à televisão defendê-lo.

"O Submarino Amarelo", de George Dunning (1968)

Os Beatles já tinham sido transpostos para o cinema de animação na série de televisão americana com o seu nome, quando se tornaram nos heróis desta longa-metragem animada de George Dunning, uma fantasia psicadélica cuja banda sonora deu origem ao álbum com o mesmo título. O Submarino Amarelo é um marco do cinema animado, do ponto de vista estético como do narrativo, e a história, que remete também, tal como muitas das músicas, para o histórico álbum Sgt, Pepper’s Lonely Hearts Club Band, de 1967, nunca é sacrificada nem serve unicamente de mote para as canções. As vozes de Paul, George, John e Ringo ficaram a cargo de actores que as sabiam imitar muito bem. Bem disse George Harrison: “O Submarino Amarelo é um clássico”.

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"Improviso", de Michael Lindsay-Hogg (1970)

Tendo como título original Let it Be, este documentário de Michael Lindsay-Hogg segue os ensaios e a gravação do álbum com o mesmo nome, que marcaria um “regresso às raízes” da música dos Beatles, e seria o 12º e último de estúdio do grupo, que se separaria pouco depois. O filme inclui ainda o célebre concerto espontâneo que os Beatles deram no telhado do prédio onde estavam situada a sua editora, a Apple, em Londres, a 30 de Janeiro de 1969. Peter Jackson está actualmente a trabalhar numa nova versão da fita, que será restaurada e incluirá imagens inéditas que Michael Lindsay-Hogg cortou na montagem final ou não chegou a usar. A estreia será em 2020, para assinalar o 50º aniversário da produção.

"Beatlemania", de Robert Zemeckis (1978)

Quase dez anos depois dos Beatles se terem separado, Robert Zemeckis rodou esta esfuziante comédia (I Wanna Hold Your Hand, no original), passada em Fevereiro de 1964, em Nova Iorque, quando os Beatles estavam nos EUA e iam aparecer na televisão, no então pularíssimo The Ed Sullivan Show. Quatro raparigas adolescentes de New Jersey rumam a Manhattan sem dizer aos pais, para verem os seus adorados Beatles (que Zemeckis nunca mostra), tentando entrar no hotel em que estão hospedados. Com Nancy Allen, Teresa Saldana e Wendy Jo Sperber, entre outros.

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"The Compleat Beatles", de Patrick Montgomery (1982)

Antes de aparecer, em 1995, a esmagadora série documental televisiva The Beatles Anthology, este documentário narrado por Malcom McDowell, ele próprio um grande fã da banda, era “o” filme onde se encontrava tudo o que era preciso saber sobre os Beatles. Robert Montgomery falou com uma série de figuras ligadas aos quatro de Liverpool e às suas vidas e carreira musical, incluindo George Martin, Tony Sheridan ou Marianne Faithfull, entre muitas outras, para pôr de pé esta história dos Beatles em duas horas de filme, que não inclui, deliberadamente, depoimentos de John, Paul, George e Ringo. Mas está lá quem os conheceu, trabalhou com eles e os estudou, está lá a genial música deles e também o espírito único desses tempos.

"Backbeat, Geração Inquieta", de Iain Softley (1994)

Esta produção anglo-alemã é uma recriação, com várias liberdades dramáticas (demasiadas, de acordo com alguns fãs da banda), dos dias em que os Beatles ainda não eram famosos e foram tocar a Hamburgo, e na qual o realizador Iain Softley se demora a seguir as relações entre John Lennon (Ian Hart), o baixista Stuart Sutcliffe (Stephen Dorff) e a namorada alemã deste, Astrid Kircherr (Sheryl Lee). Sutcliffe, que ficaria conhecido como “O quinto Beatle”, morreu de uma hemorragia cerebral durante essa estadia da banda em Hamburgo, apenas com 21 anos.

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"Across the Universe", de Julie Taymor (2007)

São 34 as canções dos Beatles que a realizadora Julie Taymor utiliza para balizar, comentar e ilustrar o enredo deste filme, passado nos anos 60. sobre o romance entre uma privilegiada rapariga americana, Lucy (Evan Rachel Wood), e um rapaz de Liverpool, Jude (Jim Sturgess) que se alista na marinha mercante para poder ir para os EUA em busca do pai, um soldado americano que abandonou a mãe e nunca o conheceu. As principais personagens de Across the Universe têm todas nomes que remetem para as personagens de canções muito conhecidas dos Beatles.

"The Beatles: Eight Days a Week", de Ron Howard (2016)

O realizador de O Código Da Vinci teve acesso a tudo o que quis, desde arquivos pessoais aos dois Beatles sobreviventes e às viúvas dos dois que já nos deixaram, para fazer este exaustivo documentário sobre os anos da década de 60 em que a banda de Liverpool andou a dar concertos por todo o mundo. Ou seja, entre 1962 e 1966, quando fizeram o seu derradeiro espectáculo pago, no Candlestick Park, em São Francisco. Além das muitas histórias, anedotas e peripécias desses tempos eufóricos e alucinantes, The Beatles: Eight Days a Week, mostra a sólida unidade interna que caracterizava o grupo: todas as decisões iam a votos entre os quatros e eram tomadas por consenso. Um documentário feito para chegar quer aos simples admiradores dos Beatles, quer aos eruditos da banda.

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