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Sete filmes exemplares sobre preguiça e preguiçosos

Estes tempos estranhos que vivemos convidam muito à preguiça. Eis um punhado de filme sobre o tema, e sobre campeões da calaceirice.

Escrito por
Eurico de Barros
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"Ai que prazer/ Não cumprir um dever,/ Ter um livro para ler/ E não o fazer!/ Ler é maçada,/ Estudar é nada./ O sol doira/ Sem literatura." Fernando Pessoa escreveu, no seu célebre poema Liberdade, um rasgado elogio da preguiça e da fuga às obrigações e às maçadas que implicam. O presente confinamento a casa a que estamos sujeitos por causa da pandemia convida inevitavelmente à preguiça, à ronha, ao fazer absolutamente nada, a ficar esticado na cama ou no sofá. Por isso, fomos buscar um punhado de filmes que, pelas personagens e pelas histórias, ilustram exemplarmente esta atitude.

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Sete filmes exemplares sobre preguiça e preguiçosos

‘Os Inúteis’, de Federico Fellini (1953)

Este filme de contornos autobiográficos lançou Alberto Sordi, e nele, Fellini evoca a sua própria juventude em Rimini. Cinco amigos na casa dos 20 que vivem numa cidade balnear do Adriático aborrecem-se juntos, pregam partidas infantis, vagueiam pela região de carro, andam pelos cafés e preguiçam muito, numa tentativa mais ou menos consciente de evitarem a idade adulta e todas as responsabilidades, maçadas e problemas que vêm com ela.

‘Alexandre le Bienheureux’, de Yves Robert (1968)

Philippe Noiret interpreta, nesta comédia, Alexandre, um fazendeiro maltratado pela mulher, que o faz trabalhar como um escravo. Um dia, ela morre num desastre de automóvel. Alexandre sente-se livre como um pássaro e decide passar os dias na cama e não fazer absolutamente mais nada, já que o seu inteligente cão se encarrega de lhe trazer os jornais e a comida. Os vizinhos e os habitantes da aldeia mais próxima ficam escandalizados.

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‘Alguns Dias na Vida de Oblomov’, de Nikita Mikhalkov (1980)

O romance de Ivan Goncharov em que este filme se baseia é apontado como uma das obras de referência sobre o tema da preguiça. Estamos na São Petersburgo do século XIX. Oblomov é um homem indolente que passa os dias em casa, na cama, servido por um mordomo e sonhando nostalgicamente com a sua juventude, passada na propriedade dos pais. Será que a bela e culta Olga o vai fazer mudar radicalmente de vida?

‘Arthur, o Alegre Conquistador’, de Steve Gordon (1981)

É fácil cultivar a preguiça e a boa vida quando se é milionário. É o que sucede com Arthur (Dudley Moore), que passa o tempo ou na cama a dormir, ou embriagado e metido com prostitutas. A única pessoa que o atura e trata dele é o seu velho e fiel mordomo, Hobson (Sir John Gielgud). Um dia, o pai de Arthur faz-lhe um ultimato: ou casa com a mulher que ele lhe escolheu e atina, ou fica sem a herança de 750 milhões de dólares.

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‘Clerks’, de Kevin Smith (1994)

O filme de estreia de Kevin Smith foi parcialmente pago com o dinheiro do seguro de um acidente de automóvel que teve, e filmado na loja de conveniência onde ele trabalhava na altura. Dante, o empregado desta em Clerks, e o seu amigo Randal, que está ao balcão do clube de vídeo do lado, têm ambos alergia ao trabalho e preferem fazer o menos possível, picar os clientes, falar de filmes e jogar hóquei no terraço da loja.

‘O Grande Lebowski’, de Joel e Ethan Coen (1998)

Interpretado por Jeff Bridges, Jeff “The Dude” Lebowski é sem qualquer dúvida o mais castiço, carismático e célebre calão da história do cinema, passando os dias em casa esticado no sofá, a beber Russos Brancos e a fumar erva. Uma confusão de identidades vai tirá-lo do seu dolce fare niente e metê-lo numa intriga para lá de extravagante, que envolve milionários de maus modos, pornógrafos, niilistas e outras criaturas bizarramente californianas.

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‘The Beach Bum: A Vida Numa Boa’, de Harmony Korine (2019)

Moondog (Matthew McConaughey) é um hippie tardio que vive na Florida, escreve poesia, passa o dia nos bares, onde bebe até tombar, fuma quantidades astronómicas de droga e apanha sol. Nunca trabalhou a sério um dia na sua vida e vive exclusivamente segundo regras muito próprias. E Moondog pode dar-se a esse luxo, muito mais do que os outros beach bums como ele, já que é casado com uma mulher riquíssima, com a qual vai ter à sua luxuosa mansão de vez em quando.

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