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Romantic movie: Bonnie and Clyde
Photograph: Warner Bros./Seven Arts Bonnie and Clyde

Sete filmes mais românticos que os filmes românticos

Estes filmes românticos quebram regras e evitam o romance lamechas. Sem descurar uma boa história de amor

Por Rui Monteiro e Tiago Neto
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Criar uma boa história de amor é uma incógnita. Na vida, que vem sem argumento, é esperar e ver no que dá. Na ficção, por seu lado, é imaginar e fazer. Não é simples, por fina ser a linha entre romantismo e xaropice. Porém há realizadores que conseguem evitar as armadilhas e quebrar o mais empedernido coração – com estilo. E a lista que se segue é prova disso. Estes filmes mais românticos que os filmes românticos contornaram a questão com mestria, ao mesmo tempo que nos deram romances capazes de perdurar no tempo.

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Sete filmes mais românticos que os filmes românticos

'O Atalante', Jean Vigo (1934)

Quando Jean tem uma visão de Juliette a dançar sobre a água, isto é amor. E sonho, que vem sempre junto, mas vê-se melhor no ecrã do que na realidade. Sendo um mestre da manipulação plástica, Jean Vigo fez de O Atalante, como já se disse e repetiu, um filme que não é deste mundo, com a sua história de amor circulando entre a espiritualidade e a sensualidade, vagueando entre a seriedade do argumento e a estranheza da cinematografia, a doçura e a agressividade a surgirem simultâneas das interpretações de Dita Parlo e Jean Dasté.

'Um Cântico de Amor', Jean Genet (1950)

Quando rodou clandestinamente estes 26 minutos de cinema, Jean Genet já fora expulso da Legião Estrangeira por indecência, tinha vagueado pela Europa como ladrão e prostituto e, ao mesmo tempo, tinha criado uma sólida reputação literária. Pelo que esta história de amor está longe de corresponder à norma, e menos ainda ao puritanismo da época que ainda considerava a homossexualidade uma espécie de lepra. O que não admira, pois Genet encena aqui a relação amorosa entre dois prisioneiros que, separados pelas paredes das respectivas celas, imaginam, sonham, entre uma miríade de metáforas, todas fálicas, encontros onde os sentimentos se exprimem sem barreiras, ou seja, com muito sexo.

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'Bonnie e Clyde', Arthur Penn (1967)

Mesmo para um amor maldito, não é costume um filme sobre um grande romance acabar com os amantes crivados por uma chuva de balas. Arthur Penn, porém, achou que era mesmo assim que a paixão entre as personagens interpretadas por Faye Dunaway e Warren Beatty tinha de acabar: de maneira radical, como radical fora a sua relação e a sua carreira como os criminosos mais procurados da América no tempo da Grande Depressão. A par com a violência dos assaltos, o realizador introduz a sensualidade deste amor com pouca subtileza, acrescentando um ambiente de tensão sexual que domina a obra com rara aspereza, contudo sem moralismo.

'Annie Hall', Woody Allen (1977)

São coisas que acontecem, mas o título brasileiro deste filme de Woody Allen, por peculiar que pareça, explica tudo numa frase. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa é, na verdade, uma redução simplista. Todavia, realmente, em Annie Hall pouco mais acontece do que a narrativa dos encontros e desencontros de duas neuras só aparentemente contraditórias. É no diálogo, na maneira irónica como o realizador e argumentista representa a vida real, que a coisa se desenrola e que estes dois (interpretados por Allen e por Diane Keaton) criam uma relação sobre os escombros de outras relações falhadas, constantemente procurando um argumento racional capaz de a extinguir e sistematicamente falhando, deixando-se levar pelo coração e pelo desejo.

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'Buffalo '66', Vincent Gallo (1998)

Os franceses são sem dúvida mestres no subgénero “amour fou”, exímios na representação desses amores tresloucados e dispostos a tudo, mas Vincent Gallo aprendeu bem a lição e foi até um pouco mais longe no seu filme de estreia como realizador. Buffalo ’66 é, assim, uma espécie de teste aos limites do amor, ou uma variante da síndroma de Estocolmo, protagonizado por um paranóico e abusivo ex-recluso (Gallo) e a desorientada “dançarina exótica” interpretada por Christina Ricci, que ele acabou de raptar e vai, pelas portas e travessas do subconsciente, ter um papel fundamental na sua, por assim dizer, redenção.

'Fala com Ela', Pedro Almodóvar (2002)

Pedro Almodóvar tem os seus dias, e depois de uns dias de improdutividade estética que duraram anos, sem pré-aviso, sai-se com um dos mais comoventes melodramas que o cinema criou e, sem dúvida, com o seu melhor filme. Da mesma maneira que ninguém esperava nada cinematograficamente importante de “mais um Almodóvar” (já então uma espécie de marca), também ninguém espera que estas personagens, tão bravamente interpretadas por Javier Câmara e Darío Grandinetti, sejam gente de tamanha e tão contagiante abnegação que vão pôr o mais racional e analiticamente frio espectador à espera de um milagre.

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'Bright Star – Estrela Cintilante', Jane Campion (2009)

Depois do Óscar de O Piano, Jane Campion, que nunca foi dada ao compromisso estético, procurou explorar o prestígio adquirido em filmes cada vez mais complexos psicologicamente. O que não lhe acrescentou popularidade, mas deu à sua obra uma densidade cada vez maior e mais sufocantemente obsessiva na exploração dos meandros do comportamento. Por isso, Bright Star – Estrela Cintilante passou praticamente despercebido, apesar de ser uma película prodigiosa no seu tratamento da lírica e, por vezes, tumultuosa relação (firmemente contrariada pela mãe da rapariga) entre o poeta John Keats (Ben Whishaw) e Fanny Brawne (Abbie Cornish), amor concluído à bruta com a morte do poeta aos 25 anos. 

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