The Lobster
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Dez filmes românticos que não são lamechas

Estes filmes românticos quebram regras e evitam o romance clichê. Sem descurar uma boa história de amor.

Hugo Geada
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O romance no cinema não precisa de clichês, finais previsíveis ou melodrama exagerado para nos tocar. Esta lista reúne filmes que exploram o amor de formas inesperadas, complexas e, por vezes, desconfortáveis. Desde encontros que desafiam convenções sociais, paixões impossíveis ou fugas desesperadas, até pequenas histórias de intimidade e silêncio, cada título propõe uma visão única do que significa amar e ser amado. São filmes que nos fazem rir, chorar e reflectir sobre as escolhas que moldam as nossas vidas afectivas, mostrando que o romance é tanto sobre o desejo quanto sobre a fragilidade, a memória e a inevitabilidade da perda.

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Annie Hall

Sim, é verdade, Woody Allen está mais do que cancelado, mas, se é daquelas pessoas que não se importa de separar a arte do artista, deixamos aqui uma sugestão. Esta comédia romântica pouco convencional acompanha Alvy Singer (Woody Allen) e Annie Hall (Diane Keaton) numa relação marcada por neuroses, diálogos afiados e uma análise constante do amor moderno. O filme desmonta o romance idealizado e mostra-o como algo caótico, imperfeito e profundamente humano. Se não tem paciência para estar a olhar para a cara de Allen durante cerca de uma hora e meia, lembre-se que é uma oportunidade de homenagear e recordar a performance influente de Diane Keaton.

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Um Coração Selvagem

Este filme de David Lynch é inesquecível, seja pelo Nicolas Cage de casaco de cabedal (“este casaco representa a minha individualidade e a minha crença na liberdade pessoal”), o personagem aterrador de Willem Dafoe, mas, acima de tudo, pelo romance que move esta trama. No centro está a fuga desesperada de Sailor (Cage) e Lula (Laura Dern), dois amantes dispostos a enfrentar violência, obsessões familiares e um mundo profundamente distorcido para ficarem juntos. Um amor febril, excessivo e trágico, contado com surrealismo, referências a Feiticeiro de Oz e uma carga emocional que transforma esta história num dos romances mais selvagens e pouco convencionais do cinema.

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Disponível para Amar

Wong Kar-wai foi das pessoas que estudou o amor no cinema de formas mais originais e inesperadas. Esta expressão encontrou o seu auge em Disponível para Amar, uma longa-metragem que tem encontrado lugares cada vez mais cimeiros nas listas de melhores filmes de sempre. Ambientado em Hong Kong nos anos 60, o filme acompanha dois vizinhos que descobrem a traição dos respectivos cônjuges e desenvolvem uma relação feita de silêncios, gestos contidos e desejo reprimido. É um retrato delicado do amor que nunca se concretiza, marcado pela elegância visual, pela música hipnótica e por uma melancolia persistente.

RTP Play

Ferro 3

Nunca um filme foi tão confuso, inesperado, emotivo e comovente. É difícil resumir Ferro 3 de outra forma. Kim Ki-duk (Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera) constrói uma história de amor quase sem palavras, feita de silêncios, olhares e gestos mínimos, entre duas figuras à margem da sociedade. Tae-suk (Jae Hee) é um rapaz solitário que ocupa casas vazias; Sun-hwa (Lee Seung-yeon) é uma mulher que vive presa a uma relação violenta. Juntos encontram uma forma improvável de comunhão, o silêncio. Um filme delicado e perturbador que o deixará a pensar sobre o que aconteceu, e se se tratou tudo de um sonho ou se foi real.

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A Lagosta

Yorgos Lanthimos é especialista em usar o surrealismo para demonstrar as incongruências do nosso mundo. Em A Lagosta, entre muitos outros temas, é explorado o amor e a pressão que a sociedade coloca nas pessoas para encontrarem um parceiro, transformando o romance numa obrigação quase administrativa. Num universo absurdo onde estar solteiro é um crime e a compatibilidade se mede por características banais, o realizador constrói uma sátira cruel e desconfortável sobre relações forçadas, afectos artificiais e o que, efectivamente, une os casais. O final é daqueles que permancerão nas nossas mentes durante muito tempo.

Babyteeth

Este ilme australiano subavalorizado de Shannon Murphy desafia os clichês do romance e do coming-of-age, mostrando o amor jovem em circunstâncias extremas. Milla (Eliza Scanlen), uma adolescente com cancro, apaixona-se por Moses (Toby Wallace), um jovem problemático com dependência de drogas, e a relação deles transforma toda a família. Este é um daqueles dramas que promete lágrimas, mas está também repleto de momentos de humor negro, explorando a paixão, como as regras podem ser alteradas face a uma situação limite e a inevitabilidade da perda num romance improvável e profundamente emotivo.

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Retrato da Rapariga em Chamas

Um dos melhores filmes do presente século. De forma contida e intensa, Céline Sciamma constrói a história de Marianne (Noémie Merlant) e Héloïse (Adèle Haenel), aristocrata, em torno de uma ilha isolada em França que desencadeia um romance breve mas arrebatador. Marianne é contratada para pintar o retrato de Héloïse em segredo, e à medida que passam tempo juntas, entre passeios, conversas e música, nasce uma relação marcada pelo desejo e pela cumplicidade. Cada detalhe deste filme é daqueles que marca o espectador e, mesmo que não seja o maior apreciador de música clássica, Vivaldi nunca mais soará ao mesmo depois do final deste filme.

FilmIn

Little Fish

Qual é o seu maior receio numa relação… ou na vida no geral? Se a resposta foi “ser esquecido”, talvez seja melhor passar este filme à frente. Em Little Fish, Emma (Olivia Cooke) e Jude (Jack O'Connell) lutam para manter o amor vivo enquanto um vírus provoca perda de memória, apagando lembranças essenciais do seu relacionamento. Entre pequenas rotinas, olhares e gestos, cada momento ganha intensidade, transformando o medo de esquecer numa urgência poética para agarrar cada instante juntos antes que desapareça. É daqueles filmes que é melhor ver com lenços de papel ao lado.

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Licorice Pizza

Este filme e a relação que mostra dividiram opiniões do público, mas nós não queremos saber. Nos anos 70, na Califórnia, o jovem actor Gary (Cooper Hoffman) conhece Alana (Alana Haim), uma assistente fotográfica, e inicia-se entre eles uma relação marcada por encontros improváveis, mal-entendidos e aventuras improváveis. Entre negócios de colchões de água, conduzir camiões em marcha atrás, perseguições e escândalos, ambos exploram amizade, atração e amadurecimento, enquanto lutam para encontrar o seu lugar num mundo caótico e cheio de oportunidades inesperadas.

Prime Video (para alugar)

Vidas Passadas

Se é daquelas pessoas que tem dificuldade em esquecer amores antigos, talvez seja melhor ver este filme sozinho e com lenços de papel. Qual é o peso do que deixamos para trás quando seguimos caminhos diferentes? Ao longo de 24 anos, Nora (Greta Lee) e Hae Sung (Teo Yoo), amigos de infância separados por uma imigração, reencontram-se várias vezes, explorando memórias, arrependimentos e desejos não concretizados. Entre Nova Iorque, Montauk e Seul, cada encontro revela o que foi perdido e o que poderia ter sido, enquanto Nora equilibra o passado com a vida que construiu ao lado do marido, Arthur (John Magaro). É uma reflexão delicada sobre tempo, destino e as vidas que cruzam a nossa.

HBO Max

Fiéis ao romance

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