Filmes pedidos na Cinemateca

Quem vai à Cinemateca conhece os boletins “O Que Quero Ver”. E este mês as sugestões dos espectadores são correspondidas com a apresentação de uma selecção dessas obras, com destaque para títulos pouco ou nada mostrados no Museu do Cinema em Lisboa.

La Messa è Finita, de Nanni Moretti

Os gostos dos habituais da Cinemateca são sem dúvida variados e os seus interesses cinematográficos cosmopolitas. O que só é natural num público disponível para a surpresa, ou mesmo para o choque, que, a avaliar por estas escolhas, não esquece de onde vem o cinema, mas gostava de saber para onde vai. Oito escolhas seguem já.

Filmes pedidos na Cinemateca

Peregrinação Exemplar (1966)

Um burro. Foi mesmo em torno de um burro, vagueando, de dono em dono, que Robert Bresson constrói esta fábula sobre o acaso, numa fase do seu cinema em que o despojamento se traduzia numa mistura de simplicidade e gravidade. Através de Balthazar, dos seus sucessivos donos, o cineasta encena a Humanidade no seu melhor, isto é, como devia ser, mas não é. Para tal é essencial a correcção do elenco (François Lafarge, Philippe Asselin, Pierre Klossowski), principalmente graças à extraordinária interpretação e presença cinematográfica da actriz Anne Wiazemsky, falecida já este ano, a quem, aliás, é dedicada a sessão.

Sábado, 9, 21.30.

Cartas de Amor (1945)

Pela segunda vez, no “plateau” de Cartas de Amor, dirigidos por William Dieterle, Jennifer Jones e Joseph Cotten encontraram-se perante as câmaras. Antes, no ano anterior, fora John Cromwell quem os requisitara para Desde Que Tu Partiste. Depois, satisfeito com o resultado do seu par dramaticamente romântico, foi Dieterle, mais uma vez, três anos depois, a reuni-los na magia de O Retrato de Jennie. Aqui encontra-se a história de uma mulher apaixonada pelas cartas que, julga, foram escritas pelo marido, hóspede involuntário de um campo de prisioneiros de guerra. A verdade é outra, porém. Quem as escreveu foi de facto outro prisioneiro, a personagem interpretada por Cotten, está bem de ver. O encontro entre os dois, no entanto, vai seguir caminhos particularmente sinuosos.

Quarta, 13, 18.30.

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O Mundo no Arame (1973)

Quase três décadas depois, com Klaus Löwitsch, Adrian Hoven, Mascha Rabven e Ivan Desny no elenco, Rainer W. Fassbinder dirigiu para televisão este filme de ficção científica em duas partes. Baseado em romance de Daniel F. Galouye, a película segue uma equipa de cientistas na criação de um modelo laboratorial que permite simular o modo como a sociedade evoluirá, criando bonecos vivos inspirados em pessoas reais. Consciente e assustado com as aplicações do resultado do seu trabalho, o chefe da equipa suicida-se, contudo, o seu assistente prossegue a investigação, até descobrir que há mais do que parece e que o progresso tem muito que se lhe diga.

Quinta, 14, 18.30.

Nathalie Granger (1972)

Os filmes de Marguerite Duras não são, na verdade, muito diferentes dos seus romances. Aquele universo fechado, claustrofobicamente sentimental, por vezes dolorosamente romântico, é o mesmo, seguindo os seus próprios ritmo e melodia de maneira quase dogmática. Nesta obra, com Lucia Bosé, Jeanne Moreau, Gérard Depardieu e Valérie Mascolo, a escritora e ocasional realizadora traça o retrato de uma tarde na vida de duas mulheres fechadas em casa e em silêncio. Uma, Isabelle Granger, está preocupada com o comportamento violento da filha, Nathalie, enquanto do exterior uma telefonia ecoa a notícia da presença de um par de assassinos na região. E assim se vive nesta película, entre ameaças reais e fictícias, o peso do tempo caindo sobre as personagens com uma angústia contida, que a ausência de expressão torna resignada opção de vida.

Sexta, 15, 22.00.

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Drifters (1929)

Desde 1978 que a Cinemateca não exibe este filme de John Grierson (que aliás passou um única vez), resumido como a “história da pescaria do arenque no Mar do Norte, filmado nas Shetlands, Lowestoft e Yarmouth.” O que é pouco, pois a veia modernista do cineasta vira-se mais para a contemplação da relação entre o homem e a natureza, colocando em paralelo o processo de industrialização que atravessava o Reino Unido, e, trabalhando essa tensão, derramando sobre esta obra fundamental do documentarismo britânico a influência do cinema de Robert J. Flaherty e a sua inclinação pelas técnicas de montagem de Serguei Eisenstein.

Terça, 19, 21.30.

Crazy (1999)

Outro documentário, desta vez assinado pelo cineasta holandês Heddy Honigmann, centra-se no trauma das experiências de guerra dos soldados holandeses destacados para as forças das Nações Unidas em missões de paz na Jugoslávia, Kosovo, Líbano, Camboja e Ruanda, e nas suas estratégias de sobrevivência no regresso à vida civil.

Quarta, 20, 22.00.

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Un Diamanche à la Campagne (1984)

Na origem do filme de Bernard Tavernier está Monsieur Ladmiral va Bientôt Mourir, romance de muito êxito de Pierre Bost, publicado em 1945, protagonizado pelo senhor Ladmiral (Louis Ducreux), que, todos os domingos, como este de 1912, recebe a família na sua casa de campo. Este domingo, à presença habitual do filho (Michel Aumont) junta-se a enérgica filha (Sabine Azéma) numa reunião que será menos pacífica do que o habitual, e que o cineasta francês representa em tons outonais, como quem reflecte sobre as relações entre o cinema, a pintura e a fotografia enquanto assiste à desagregação de uma família.

Quinta, 21, 18.30.

La Messa È Finita (1985)

Nanni Moretti, embora fazendo sempre dele próprio, já fizera múltiplas personagens nos seus filmes, mas ainda não se tinha chegado ao papel de padre. Foi aqui. Nesta película muito pouco vista entre nós (não teve estreia comercial e passou uma única vez na Cinemateca, em 1992), onde o realizador interpreta o padre Don Giulio. Jovem cura acabado de regressar a Roma depois de anos passados numa ilha do Mediterrâneo, para reencontrar o mal-estar e a depressão entre o seu círculo de amigos e familiares. Eventual crónica de “uma geração em perda – ou em deriva –“, o comportamento insólito e sempre com aquele ar de estar mesmo à beira do ataque de nervos do protagonista leva-o a pôr em causa alguns dos seus valores e, antes que a coisa se torne pior, o bom padre acaba por partir para a Terra do Fogo.

Sexta, 22, 21.30.

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