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25 filmes portugueses obrigatórios

Essa coisa de o cinema português ser uma seca… Enfim, só em parte é verdade. Eis 25 filmes portugueses obrigatórios

sangue do meu sangue
Sangue do Meu Sangue
Por Rui Monteiro |
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Essa ideia de o cinema português ser uma seca… Enfim, só em parte é verdade. Aliás, existindo desde 1896, com milhares de realizações, alguém se havia de safar. E safou-se.

Nas várias fases do cinema português, há filmes e realizadores de se lhes tirar o chapéu, incluindo alguns, até mais do que uma vez, reconhecidos internacionalmente. É natural por isso que, quando se fala nos filmes portugueses obrigatórios, haja nomes de realizadores que se repetem. Porque, como em tudo o resto na vida, alguns cineastas são pura e simplesmente melhores do que outros.

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25 filmes portugueses de se lhes tirar o chapéu

Recordações da Casa Amarela (1989), João César Monteiro

Alguém dado ao exibicionismo da grande frase, como era João César Monteiro, decerto não recusaria que este seu filme fosse classificado, por exemplo, como um épico pseudo-autobiográfico, sem qualquer dúvida o mais excêntrico e belo do seu cinema. E mesmo que uns prefiram o lado excêntrico e outros se inclinem para o lado do belo, a verdade é que eles andam juntos, praticamente unos, criando um objecto singular. Tudo graças à história de uma queda que transforma em jornada filosófica o caminho para a destruição.

O Sangue (1989), Pedro Costa

Por esta altura Pedro Costa ainda não era o artista radical que hoje o circuito artístico-cinematográfico disputa e louva com encomendas, mostras, conferências, livros e críticas. Nesta história de dois rapazes e uma rapariga, irmãos libertados do jugo paterno pela morte, já despontavam algumas marcas do seu cinema futuro, mas o que mais brilhava era a relação entre as imagens e a banda sonora que tão bem desenvolveu.

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A Caixa (1994), Manoel de Oliveira

É um dos filmes mais discretos de Manoel de Oliveira e, ainda assim, apesar de filmado numa escadaria, é uma das suas mais peculiares e comoventes obras. O realizador aproveita e interliga a história de uns pés rapados habitantes de bairro popular, entre eles um cego soberbamente interpretado por Luís Miguel Cintra, para poeticamente encenar uma história a que tanto a sordidez como a solidariedade não são de todo alheias.

A Comédia de Deus (1995), João César Monteiro

Na segunda parte da trilogia de Deus, o protagonista, João de Deus (interpretado pelo próprio César Monteiro) desenvolve a sua personagem de velho perverso com inclinação para a filosofia. Desta vez, porém, vai ainda um pouco mais longe no desenvolvimento do carácter patético da personagem, e o que noutras circunstâncias narrativas seria provocação gratuita, torna-se, aqui, exemplo de um humor cruel, uma sátira com tendência para morder indiscriminadamente as canelas do cristianismo, das boas maneiras, da política, e mesmo da ética sem sinal de culpa, quanto mais de arrependimento.

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Os Mutantes (1998), Teresa Villaverde

Há males que vêm por bem. Isto é: foi chato recusarem o financiamento para o documentário que Teresa Villaverde queria fazer, mas, em contrapartida, perante o revés, a realizadora decidiu-se por um olhar mais profundo e dramático. E assim nasceu este filme marcante, contado do ponto de vista de três adolescentes, os Mutantes, um bando a viver a dura realidade da pobreza e da burocracia de um sistema que os devia apoiar em vez de os deixar ao deus-dará. Desprezados, tornam-se marginais. E, a este retrato, a cineasta acrescenta um contexto que envolve tanto a gravidez na adolescência, como o racismo pós-colonial, o crime e a exploração sexual em clima de descabelada violência.

No Quarto da Vanda (2000), Pedro Costa

E na quarta longa-metragem Pedro Costa foi mais longe do que algum cineasta português antes fora, criando um retrato tão esclarecedor como comovente, revoltante e incómodo com a sua descida ao fundo da pobreza e da miséria em Lisboa. Nesta altura, estava o século a despontar e o céu ainda parecia sempre radiante, não era o filme que alguém desejava ver mas era, e é, a película que era necessário fazer para mostrar como a desigualdade e a sordidez convivem e se desenvolvem emocionalmente numa espiral descendente.

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O Fantasma (2000), João Pedro Rodrigues

O primeiro filme de João Pedro Rodrigues coloca no centro do enredo a atracção sexual de um jovem e bonito lixeiro lisboeta por João, um motociclista que não lhe liga nenhuma ou dá qualquer atenção. Despeitado, o protagonista, que ainda tem de fugir dos avanços da sua colega Fátima, inicia uma onda de promiscuidade que liberta os seus mais fundos fantasmas e mais radicadas convicções por um caminho de degradação compulsiva.

Alice (2005), Marco Martins

Alice desapareceu. E se a mãe cede à frustração e desiste entregando-se à apatia, o pai desenvolve uma crescente obsessão por encontrar a filha, mesmo depois de todos desistirem e de muitos o tentarem dissuadir. Marco Martins desenvolve esta história explorando as nuvens e a escuridão, o interior e os arredores de Lisboa como um universo claustrofóbico onde nunca se vê o sol, permanente nublado, como o espírito do protagonista.

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Mal Nascida (2007), João Canijo

João Canijo era já um realizador experiente quando se atirou a esta tragédia grega transplantada para uma aldeia na província. Lugar perdido onde Lúcia, feia, doida, um grito surdo de raiva a larvar entre os maus-tratos familiares e a humildade da sua condição, se tornou viúva do seu pai – e a sua vingadora, urdindo um plano capaz de castigar os criminosos e aplacar a sua dor, assim vivendo na esperança do regresso dos irmãos e do ajuste de contas.

Filme do Desassossego (2010), João Botelho

Não se podia, não se podia, mas o certo é que João Botelho pegou em O Livro do Desassossego e através dos sonhos de um homem tornou o livro que não se podia filmar numa das mais estimulantes obras do cinema português. O texto póstumo de Fernando Pessoa torna-se filme através da imaginação de um homem a caminho de criar uma teoria que torne real o seu sonho, pela habilidade de um cineasta que nunca contornou as dificuldades e encontrou na narrativa em quadros e no dramatismo dos planos maneira de tornar a poesia em cinema sem a desvirtuar.

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