Helen Mirren retratada em oito papéis no cinema

Faz parte do grupo de intérpretes ingleses que se revelaram nos anos 60, e é uma das actrizes mais dotadas da sua geração. Senhoras e senhores: Dame Helen Mirren.

Helen Mirren

A actriz tem uma latitude dramática que se encontra bem patente na enorme variedade de papéis que colecciona na tela desde a década de 60 (sem esquecer o teatro e a televisão). E está esta semana de novo nos cinemas portugueses, em A Maldição da Casa Winchester

Helen Mirren retratada em oito papéís no cinema

‘Homens Maduros’, de Michael Powell (1969)

Helen Mirren tinha 24 anos e já fazia parte da Royal Shakespeare Company, quando se fez notar no cinema neste filme (e não foi só por aparecer nua), o penúltimo do grande realizador inglês Michael Powell, rodado na Austrália. Contracenando com James Mason, Mirren interpreta uma rapariga que se torna na musa de um pintor consagrado que quer dar um novo rumo à sua arte, e por isso instala-se numa ilha na Grande Barreira de Coral.

‘Excalibur’, de John Boorman (1981)

Já foram feitos muitos filmes e muitas séries de televisão sobre o Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda, e este, de John Boorman, é um dos melhores e com uma maior e mais intensa ressonância fantástica e mitológica. No meio dos combates entre os cavaleiros com armaduras reluzentes, Helen Mirren sobressai no papel da feiticeira Morgana, cheia de uma sensualidade maligna e combatendo com o Merlin de Nicol Williamson. A partir daqui, não se pode pensar na personagem de Morgana sem pensar logo em Mirren.

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‘Tempo de Guerra’, de Pat O’Connor (1984)

Mirren ganhou o prémio de Melhor Actriz no Festival de Cannes com a sua interpretação nesta fita do irlandês Pat O’Connor. A actriz personifica uma católica cujo marido, um polícia protestante, foi assassinado pelo IRA, e que um ano depois do crime se apaixona por um rapaz mais novo (John Lynch). Este, no entanto, está associado ao IRA. Mirren é mais do que magnífica no papel de uma mulher agarrada a um amor que sabe ser impossível, bem como muito perigoso, tendo em conta o lugar e a situação político-religiosa.

‘A Loucura do Rei George’, de Nicholas Hytner (1994)

Segundo Prémio de Melhor Actriz em Cannes para Helen Mirren, graças à sua personificação da Rainha Charlotte de Inglaterra, mulher de George III (Nigel Hawthorne), que está a ser acometido por perturbações mentais. Mirren é brilhante na monarca que tem que acarretar com as consequências da doença do marido e enfrentar o próprio filho, apostado em usurpar o trono do rei, alegando o seu estado mental. Foi também nomeada para o Óscar de Melhor Actriz Secundária pela primeira vez.

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‘O Rapto da Senhora Tingle’, de Kevin Williamson (1999)

Este é um dos filmes menos conhecidos e menos visíveis de Helen Mirren, o único realizado pelo argumentista Kevin Williamson (Gritos, Sei o Que Fizeste no Verão Passado) e que adquiriu reputação de culto. Mirren interpreta, e muito saborosamente, uma professora liceal má como as cobras, a roçar o sádico, que tiraniza uma aluna que precisa de passar na disciplina que ela ensina, História, para conseguir uma bolsa de estudo para a universidade.

‘Gosford Park’, de Robert Altman (2001)

A qualidade de um actor também se vê quando se consegue destacar no meio de um elenco alargado e distinto. É o que acontece a Helen Mirren nesta fita “coral” de Robert Altman, ambientada numa casa senhorial inglesa, nos anos 30, durante um fim-de-semana em que se dá um assassínio. A acção circula entre convidados e pessoal. A actriz foi nomeada pela segunda vez para o Óscar de Melhor Secundária pela sua Sra. Wilson, a competentíssima governanta da mansão. Rodeiam-na colegas como Maggie Smith, Alan Bates, Michael Gambon, Kristin Scott Thomas ou Derek Jacobi.

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‘A Rainha’, de Stephen Frears (2006)

Óscar de Melhor Actriz e Prémio de Melhor Interpretação Feminina no Festival de Veneza para Helen Mirren pela sua personificação subtil, inteligente e plenamente convincente da Rainha Isabel II nesta fita de Stephen Frears sobre o impacto da morte da princesa Diana nos britânicos, no governo de Tony Blair e sobretudo na família real. Mirren disse que construiu a interpretação a partir da cabeleira, dos óculos e de um tique facial que partilha com a monarca. Foi a terceira rainha de Inglaterra que a actriz viveu, depois de Isabel I numa série de televisão de 2005, e de Charlotte no já referido A Loucura do Rei George.

‘A Última Estação’, de Michael Hoffman (2009)

Segunda nomeação para Óscar de Melhor Actriz para Helen Mirren, que aqui dá corpo à condessa Sofia Tolstoi, mulher do autor de Guerra e Paz, empenhada em impedir que o marido (Christopher Plummer), doente e em risco de morrer a qualquer altura, assine um documento que transfere os direitos da sua obra literária para o domínio público. Mirren faz uma condessa Tolstoi manipuladora mas que nunca se torna totalmente antipática, evitando tornar a personagem num estereótipo de perfídia (a mulher interesseira de uma grande figura pública) e mantendo-lhe a credibilidade e a complexidade.

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