IndieLisboa 2018: os sons do IndieMusic

É uma das secções mais populares do IndieLisboa, esta em que se juntam documentários das mais variadas proveniências com a música como centro da acção.
M.I.A.
Photograph: Daniel Sannwald M.I.A.
Por Rui Monteiro |
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O IndieLisboa 2018 não destoa, reunindo um conjunto de filmes que mostra a música – a que foi e a que é – como território de liberdade, encantamento e provocação. Sete documentários a não perder no IndieMusic.

IndieLisboa 2018: os sons do IndieMusic

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Studio 54

A data vem mesmo a propósito, pois foi em 26 de Abril de 1977 que abriu portas, em Nova Iorque, a mais importante discoteca da década de 1970, a Studio 54, espécie de mãe de todas as discotecas.

Durou 33 meses (até o fisco norte-americano descobrir falcatruas nas contas que a levaram à falência de maneira tão estrepitosa como a sua curta existência), mas todos os dias foram um acontecimento no estabelecimento de diversão de Ian Schrager e Steve Rubell. Ali se consagrou o disco-sound, resistindo ao ataque do punk e do conservadorismo da era Reagan. Ali, em ambiente de luxo e de acesso difícil, se reuniram todas as celebridades, de Mick Jagger a Andy Warhol ou Liza Minnelli. Mas o que mais fez a fama da Studio 54 foi como acolheu e celebrou todas as tribos, estilos e taras disponíveis em regime de absoluta liberdade, que incluía – afinal eram os anos 70 – generosas quantidades de sexo, álcool, drogas, disco e lantejoulas, conforme registado no documentário de Matt Tyrnauer.

Qui, 26,  21.30; Dom, 6, 21.45, S. Jorge

Camera

Teenage Superstars

O experiente realizador escocês Grant McPhee, que no seu anterior trabalho se atirara à memória através das produtoras independentes e da cena indie de Edimburgo nas décadas de 1970 e 1980, vira-se agora para Glasgow quando a década seguinte está a começar.

E, aqui, com idêntica energia, procura recapturar a inquietação juvenil, por vezes o espírito de revolta, então gerado a partir de garagens de subúrbio e estúdios baratuchos que criaram e alimentaram o “caldeirão nervoso e energético” de onde, quase sempre com a colaboração da Creation Records, nasceram bandas como os Teenage Fanclub, Jesus and Mary Chain, Primal Scream, ou The Vaselines, tudo narrado pela ex-baixista dos Pixies e criadora de The Breeders, Kim Deal.

Sex, 27, 23.30; Sáb, 5, 21.30, S. Jorge

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Ryuichi Sakamoto: Coda

Durante umas boas quatro décadas Ryuichi Sakamoto foi o ícone pop ambientalista do Japão, mas o desastre de Fukushima tornou-o um dos mais visíveis e activos militantes contra a utilização de energia nuclear.

Há um Óscar na carreira de Sakamoto, pela banda sonora de O Último Imperador, e outros dois – dizemos nós – devia haver, um pela sua interpretação, outro pela música que criou para Feliz Natal, Mr. Lawrence, de Nagisa Oshima. Mas não é isso que interessa no filme de Stephen Nomura Schible, centrado na reacção pessoal e artística do compositor perante a tragédia que foi o terramoto e o maremoto de 2011 no Japão. Por isso podemos ver o músico tocando um piano que sobreviveu à catástrofe, assim como com ele visitar uma zona radioactiva nas imediações da central nuclear, ou acompanhar manifestações contra a reactivação das centrais. E, também, seguir o processo de criação de Async, em 2017, viajando entre o Japão e os Estados Unidos, passando pelo Árctico e por África antes de estacionar no estúdio na tentativa de “incorporar os sons ‘naturais’ na música de maneira simultaneamente caótica e unificada.”

Sáb, 28, 21.30, S. Jorge; Dom, 6, 19.45, Culturgest

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Betty – They Say I’m Different

Ela foi a rainha do funk, mas ao contrário dos vários reis e príncipes do género entronizados antes e depois, Betty Davis nunca viu a coroa da glória.

Phil Cox procura agora, com este documentário, recuperar a voz e a mulher que, disse Miles Davis, com quem foi casada durante um tempestuoso ano, “foi a primeira. Madonna antes de Madonna.” Betty Davis, a primeira mulher negra a cantar, escrever e produzir as suas próprias músicas, escancarou as fronteiras masculinamente delimitadas pelos manda-chuvas do funk dos anos de 1970 graças a uma personalidade ousada, um estilo incomparável e, principalmente, por conta de uma música arrebatadora… Até ser banida e boicotada.

Dom, 29, 21.30, S. Jorge; Sáb, 5, 21.45, Culturgest

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Matangi/Maya/M.I.A.

O realizador Steve Loveridge também escolheu uma transgressora para motivo do seu documentário, Mathangi “Maya” Arulpragasam, ou seja M.I.A.

Como aviso prévio, não se espere do realizador e argumentista deste filme uma visão distanciada, pois ele e a compositora e intérprete são amigos há muito. Cumplicidade que, no entanto, não impede o cineasta de apresentar vividamente a história desta originária do Sri Lanka, filha de fundador dos Tigres do Tamil (a mais feroz organização terrorista do país, entretanto desmantelada), criada em Inglaterra, que encontrou na música forma de destilar origens e influências numa música aguerrida e política e esteticamente provocatória.

Ter, 1, 21.45, S. Jorge

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Não Consegues Criar o Mundo Duas Vezes

Catarina David e Francisco Noronha são outros cineastas presentes nesta secção que deitaram o seu olhar sobre os anos de 1990, a década portuguesa do hip-hop.

No seu filme, acompanham “uma série de miúdos que passava as manhãs a ouvir Mobb Deep, Wu-Tang Clan, Cypress Hill ou De La Soul, e as tardes a construir as suas próprias batidas”, que foi a maneira como o género nasceu e cresceu em Portugal. Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes ignora o sul do país para centrar a sua atenção no eixo Porto-Gaia, convocando para a conversa e para a contextualização da coisa músicos, entre outros, dos Mind da Gap e dos Dealema “que recordam uma época em que a amizade gerava criatividade, e vice-versa.”

Qui, 3, 18.30, S. Jorge

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Here To Be Heard: The Story of The Slits

A melhor de todas as bandas punk ignoradas no seu tempo quase regressa à vida quatro décadas depois no filme de William E. Badgley.

The Slits foram um meteoro feminista, punk, selvagem e anárquico, contaminado pela estética do ruído tanto como pelo reggae e a soul, que caiu sobre o mundo muito masculinizado da música popular na segunda metade da década de 1970. Embora a sua carreira só tenha encerrado oficialmente em 2010, após a morte da sua fundadora, Ari Up, a compositora tão destemida como alucinada que criou o grupo aos 14 anos, o que realmente interessa é a fase inicial da banda, mais ou menos até ao início dos anos de 1980, quando com ela conviviam em estúdio e em palco Palmolive e Viv Albertine. Essas mesmas, com Tessa Pollitt, a baixista que chegou à banda a escassas semanas do primeiro concerto com os Clash e os Buzzcocks, e outros observadores, que, neste documentário, traçam o percurso desta disruptiva formação desde os primeiros passos no palco do Roxy, em Londres.

Sex, 4, 23.30, S. Jorge; Dom, 6,  22.00, Culturgest

IndieLisboa 2018: há mais para ver

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