Sete maus filmes portugueses

A cinematografia nacional tem muitos maus filmes, mas há alguns que passam das marcas. Juntámos sete deles nesta lista
'O Pátio das Cantigas' de Leonel Vieira
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Os anglo-saxónicos chamam-lhes "turkeys", os franceses apelidaram-nos de "nanars". São os grandes maus filmes, tão maus que ganharam estatuto de culto perverso, títulos gloriosamente falhados. Poucos dias depois da estreia de Linhas de Sangue, de Sérgio Graciano e Manuel Pureza, fomos buscar sete exemplos ao cinema português, curiosamente quase todos comédias, um género em que o cinema nacional outrora foi exímio, tendo perdido o dom entretanto.

Assinadas por nomes como Constantino Esteves, Henrique Campos, Luís Galvão Teles ou Artur Semedo, antes e após o 25 de Abril, algumas destas fitas não têm imagens disponíveis para reproduzir. Mas não é por isso que não continuam a ser tão más que até fazem doer.  

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Filmes portugueses clamorosamente maus

1
Camera

‘Sarilhos de Fraldas’, de Constantino Esteves (1967)

António Calvário e Madalena Iglésias, à altura o “rei” e a “rainha” da rádio e da canção, foram emparelhados por Constantino Esteves, autor de vários horrores da cinematografia portuguesa, nesta comédia musical e romântica em que a personagem de Calvário entra num carro igual ao seu, onde está um bebé, e parte sem reparar nele. O filme representou uma tentativa de renovação técnica (rodado em formato panorâmico) e narrativa da comédia portuguesa, mas apesar disso, e da presença de actores como António Silva, Nicolau Breyner e Mário Pereira, é uma cerrada, berrante e intragável piroseira, com números musicais ao (pior) gosto da época. Talvez por isso tenha sido um enorme sucesso de bilheteira.

2
Camera

‘O Ladrão de Quem se Fala’, de Henrique Campos (1969)

Henrique Campos tem alguns títulos solidamente maus na sua filmografia, como A Luz Vem do Alto ou Os Touros de Mary Foster. Mas esta comédia, com Camilo de Oliveira então no auge da sua popularidade no teatro de revista, sobe a parada. Camilo tem um duplo papel, o de um pascácio chamado Tonecas e o do seu sósia, o temível criminoso Muleta Branca, e quanto mais se esforça para fazer rir, mais a fita se revela totalmente incapaz de o conseguir. Camilo de Oliveira nunca mais voltou a fazer cinema depois de O Ladrão de Quem se Fala.

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3
Camera

‘O Explicador de Matemática’, de Courinha Ramos (1972)

A primeira longa-metragem do produtor e documentarista Courinha Ramos, rodada em Lourenço Marques e interpretada por actores e actrizes locais, é uma comédia embaraçosamente inepta sobre um vigarista que finge ser explicador para se safar na vida. A fita tem pretensões a “erótica”, aproveitando o clima mais liberal que sempre se viveu em Moçambique e a chamada “abertura marcelista” da altura, mas é apenas ridícula. Só se estreou em Portugal pouco depois do 25 de Abril.

4
Camera

‘A Vida é Bela…!?’, de Luís Galvão Teles (1982)

Esta fita foi promovida na altura como o regresso da grande comédia à portuguesa no pós-25 de Abril. É, isso sim, uma tentativa penosíssima de se ver, e falhadíssima. Passado nos anos 20 e 30, o filme apresenta Nicolau Breyner no papel de um homem que enriqueceu de maneira ilícita e mudando de cor política conforme os regimes. Luís Galvão Teles recorre ao slapstick ao jeito das comédias da altura em que a história se passa e a sequências musicais, debalde. Não tem rei nem roque nem um grama de graça, é palha de comédia e cinema às três pancadas.
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5
Camera

‘Os Abismos da Meia-Noite’, de António de Macedo (1984)

Honra lhe seja feita, o realizador de Domingo à Tarde sempre tentou remar contra a corrente do cinema português e fazer filmes de género, em especial fantástico e de ficção científica. Este Os Abismos da Meia-Noite é uma dessas tentativas, embora as sequências fantásticas pareçam o cruzamento de um quadro de uma má revista do Parque Mayer com um pesadelo induzido por cogumelos alucinogéneos. Baptista Fernandes interpreta um sujeito que dé pelo nome de Magister e que aguarda que a Suprema Gota do Universo pingue, Helena Isabel tem uma cena de nudez que deu então que falar e os efeitos especiais, só vistos.
6
Camera

‘O Querido Lilás’, de Artur Semedo (1989)

Herman José teve aqui uma nada auspiciosa estreia no cinema, num papel de travesti, Beladona, uma famosa actriz que tem um filho ilegítimo que lhe é retirado e dado por morto. Artur Semedo tenta fazer rir essencialmente à custa de pôr Herman a falar ou a gritar em falsete (mete dó vê-lo ser tão subaproveitado) e rodeando-o de actores e actrizes estimáveis a interpretar personagens abaixo de caricaturais em estilo apalhaçado. O Querido Lilás é uma catástrofe e tem tanta graça como ir a um funeral numa manhã invernosa.
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7
Camera

‘O Pátio das Cantigas’, de Leonel Vieira (2015)

Uma versão pimba modernizada, uma contrafacção grosseira da comédia clássica de 1942 assinada por Ribeirinho. O ambiente é grunho a tender para o rasca, o humor é chunga, o elenco mistura bons actores a fazerem tristes figuras (Miguel Guilherme a tentar imitar António Silva é deprimente) com engraçadinhos do riso profissionais a julgar que conseguem ser confundidos com actores e o filme parece televisão (mal) maquilhada para tentar passar por cinema. Se o mau cinema feito em Lisboa pagasse coimas municipais, O Pátio das Cantigas batia o recorde das ditas.

No fresquinho do cinema

Sicário - Guerra de Cartéis
©Impuls Pictures AG
Cinemas

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