MOTELX 2017: O culto dos mestres vivos

Entre os muitos filmes desta edição do MOTELX, dois realizadores e quatro filmes há que influenciaram o cinema fantástico
X: The Man With the X-Ray Eyes
X: The Man With the X-Ray Eyes
Por Rui Monteiro |
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Entre a multidão de filmes do programa da 11ª edição do MOTELX (aqui encontra 11 a não perder), dois realizadores e quatro filmes há que influenciaram o cinema de terror e fantástico. Roger Corman e Alejandro Jodorowsky são, este ano, protagonistas da secção Culto dos Mestres Vivos.

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É uma lenda. Com 91 anos, Roger Corman realizou filmes que deixaram marca e, principalmente, produziu literalmente paletas de filmes, revelando cineastas (de Francis Coppola a James Cameron, incluindo Martin Scorsese, quase toda uma geração passou pelo seu estúdio) e afirmando a possibilidade de um cinema independente em Hollywood.

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X: The Man With the X-Ray Eyes

Antes de 1963, Corman e o actor Ray Milland (vencedor de um Óscar, em 1945, por Farrapo Humano, de Billy Wilder) tinham já colaborado em The Premature Burial, filme a que ninguém, com razão, dera grande importância. Desta vez, porém, a colaboração entre o realizador e o actor, resultou numa obra que, segundo o papa da literatura de terror, Stephen King, é “um dos mais interessantes e invulgares filmes de terror alguma vez feitos.” Milland é o doutor James Xavier, cientista empenhado em ultrapassar as fronteiras da visão humana que, perante a falta de financiamento para a pesquisa, resolve testar nele próprio a droga. O que é um êxito. De certa forma, pois se o cientista consegue agora ver através de objectos e pessoas – o que proporciona algumas deliciosas cenas –, a invenção também arrasta consigo uma catrefada de problemas e, apesar das boas intenções de Xavier, pode muito bem acabar em desastre.

Quarta, 6, 21.25. Cinema São Jorge.

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The Masque of the Red Death

Com esta adaptação de dois contos de Edgar Allan Poe, Roger Corman realiza o seu sétimo filme baseado na obra do escritor norte-americano, capítulo fulcral da sua carreira. Ainda havia de dirigir outro a partir de Poe, mas pode-se dizer que, nesta altura, em 1964, o cineasta já sabia muito bem com o que lidava, pelo que não admira que The Masque of the Red Death seja o apogeu desta, digamos, fase, do realizador. Nicholas Roeg, que viria a ter a sua carreira na realização, é um dos responsáveis pela qualidade e apuro formal da obra graças à precisa adequação ao drama da sua direcção de fotografia. Mas a interpretação de Vincent Price, no papel do aristocrata satânico medieval príncipe Próspero, que dá grandes festanças no palácio enquanto a peste se espelha entre a populaça, é inestimável.

Quinta, 7, 21.30. Teatro Tivoli BBVA

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Alejandro Jodorowsky é, de maneira muito, mas muito diferente, outra lenda do género. O artista chileno, embora tenha criado duas obras-primas e mais alguns filmes interessantes, viu as suas películas proibidas e os seus projectos rejeitados. Virou-se para a banda desenhada, com Moebius, e ainda foi tarólogo. Mas um dia tinha de voltar. E voltou.

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Santa Sangre

O misticismo não é de todo alheio ao cinema de choque e horror, mas Jodorowsky foi mais longe, no processo criando uma obra de terror psicológico que tem tanto de erótico como de bizarro. Estreado em 1989, recheado de referências, sinais da influência recolhida pelo autor no cinema de Tod Browning (em especial sacadas a Freaks) e Federico Fellini (mais ambientais, digamos), o filme conta, por assim dizer, a história de uma trapezista que cria um santuário dedicado a rapariga que fora violada e assassinada depois de lhe cortarem os braços. Arrepiante? Pois. Acontece que a Igreja não gosta da iniciativa de Concha (Blanca Guerra). Como não bastasse essa chatice, o resto da vida não lhe corre nada bem e, quando encontra o marida o traí-la, o sangue sobe-lhe ao cérebro, como se costuma dizer, toma-a de uma fúria incontrolável e, zás, ácido para cima do adúltero. Alguma coisa havia de correr bem à mulher. E de certa maneira corre. Mas só vendo.

Sábado, 9, 19.00. Teatro Tivoli BBVA

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El Topo

El Topo é um pistoleiro, daqueles vestidos de cabedal, negro, deambulando com o filho por um deserto onde símbolos místicos surgem quase de cada vez que se levanta uma pedra. Pelo caminho fica um rastro de sangue e carnificina, uma parte correspondente ao bando de vilões que chacinou depois de atacaram uma aldeia. O que, sabe-se lá como, leva-o a defrontar os outros quatro grandes mestres do ofício para lhes tomar o lugar de matador-mor. El Topo tem uma história atribulada, e não menos fora do ecrã. Estreada em Dezembro de 1970, depois de John Lennon convencer o seu agente, Allen Klein, a comprar os direitos da película, uma disputa entre o realizador e o proprietário dos direitos fez Klein retirar o filme (e também The Holy Mountain, cujos direitos igualmente comprara) de circulação comercial durante mais de três décadas.

Domingo, 10, 16.05, Cinema São Jorge

Tenha medo, muito medo

Filmes, Terror

Oito filmes de terror realizados por mulheres

Aquela ideia do sexo fraco, lembram-se? Pois, apesar da pujança do sexismo, essa forma de ver as mulheres está morta. Razão? Simples: elas já não vão nisso. E afirmam-se, mesmo que seja preciso acotovelar uns homens para, por exemplo, fazerem filmes de terror.

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