Óscares 2018: e o Melhor Guarda-Roupa vai para…

Um filme bem vestido faz muita diferença. Satisfaz melhor o olhar e contribui para a precisão histórica, ou para a fantasia da obra. Como acontece com os cinco nomeados este ano para o Óscar de Melhor Guarda-Roupa.

©DRA Bela e o Monstro

Vestir um filme é território, embora muito percorrido e concorrido, propício à imaginação e à precisão. Um pormenor e, salvo seja, pode ser a morte do artista. Nesta edição dos Óscares, fantasia e rigor histórico dominam a disputa nesta categoria. É difícil dizer quem vence. Por isso, ganhe quem tiver mais votos.

Óscares 2018: e o Melhor Guarda-Roupa vai para…

A Bela e o Monstro

O filme de Bill Condon bem tenta levar a velha história que a Disney está farta de contar por outros caminhos, mas nem a nova mitologia com que tenta remoçar o conto, ou a forma cuidada como escolheu o elenco de estrelas (Emma Thompson, Ian McKellen, Emma Watson, Kevin Kline, Ewan McGregor), mereceu grande consideração. Pelo contrário, o guarda-roupa criado Jacqueline Durran é outra conversa. Sejam os andrajos, os vestidos modestos e os fatos vulgares, até ao luxuoso e luminoso guarda-roupa guardado para o climático final, tudo parece cuidado e adequado a cada uma das situações criadas pelo filme.

A Hora Mais Negra

Por falar em Jacqueline Durran… Eis Jacqueline Durran, outra vez candidata a Óscar de Melhor Guarda-Roupa (o qual, aliás, já recebeu, por Anna Karenina, em 2012). Mas, agora, com algo completamente diferente do seu trabalho para a Disney, como é o drama histórico de Joe Wright sobre o governo de Winston Churchill nos primeiros dias da II Guerra Mundial. Aqui exigia-se o rigor histórico de vestir Gary Oldman, Lily James, Kristin Scott Thomas e o resto elenco de acordo com as suas personagens, na sua época e nas suas circunstâncias. E, sem dúvida, Durran, com estas nomeações, mostra a sua versatilidade.

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Linha Fantasma

Quem se lembra de O Artista, o filme de Michel Hazanavicius que recolheu cinco estatuetas em 2012, decerto recorda a elegância do guarda-roupa. É menos provável lembrar (ou mesmo saber) que essa elegância venceu o respectivo Óscar e que por detrás desse êxito está Mark Bridges. O mesmo designer de moda norte-americano igualmente nomeado por bem vestir a vadiagem que habitava Vício Inerente, o filme anterior de Paul Thomas Anderson. Esse, o realizador de Linha Fantasma, filme que coloca Bridges novamente na corrida em 2018. Com boas hipóteses, pois não é todos os dias que se adequa um filme à sua época e, ao mesmo tempo, se desenham os vestidos para o criador de moda interpretado por Daniel Day-Lewis e para sua diva representada por Vicky Krieps.

A Forma da Água

Ora, aqui está a nomeação que, assim, digamos, em sentido patriótico, mais interessa aos portugueses. Não exactamente pelo mais óbvio: haver um português na lista de nomeados. Mas pela melhor hipótese logo a seguir: o canadiano Luís Sequeira ser filho de uma portuguesa, com certeza não por acaso criadora de vestidos de noiva, portanto, lusodescendente. Pela primeira vez nomeado pelo seu trabalho no filme de Guillermo del Toro (com quem trabalhara em Mama, em 2013, e, no ano seguinte, na série de televisão The Strain), Sequeira dera já, como se costuma dizer, um ar da sua graça em Carrie, na versão de Kimberly Peirce, e Rasgo de Génio, filme menor de Marc Abraham, mas nem por isso menos bem vestido.

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Vitória e Abdul

Muito longe de ser uma estreante, a irlandesa Consolata Boyle chega a esta nomeação, de certo modo, com a sua rigorosa reprodução histórica de uma época – redime em parte a aborrecida rotina com que Stephen Frears dirige a história da peculiar amizade entre a rainha Vitória (Judi Dench) e Abdul Karim (Ali Fazal), o seu criado indiano. Nomeada pela terceira vez para o Óscar de Melhor Guarda-Roupa, depois de A Rainha, em 2006, e, em 2016, por Florence, Uma Diva Fora de Tom, Consolata Boyle, como se vê, colabora constantemente com Frears, para quem também assinou, entre outros, o guarda-roupa de Filomena, antes de alinhar com Phyllida Lloyd em A Dama de FerroA sua maior conquista, se o trabalho pode ser medido em prémios, é, sem dúvida o Emmy ganho por O Leão no Inverno, na versão para televisão dirigida, em 2003, por Andrei Konchalovsky.

Especial Óscares 2018

Conheça os nomeados na categoria de Melhor Filme

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Óscares: dez discursos polémicos

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