Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Óscares: dez discursos polémicos

Óscares: dez discursos polémicos

A maior parte das vezes não têm interesse nenhum. Mas de vez em quando, e cada vez mais, os vencedores do Óscar usam os discursos de aceitação para declarações capazes de chocar, ou entusiasmar a audiência

Leonardo DiCaprio, The Revenant, 2016 Oscar predictions
Leonardo DiCaprio
Por Rui Monteiro e Cláudia Lima Carvalho |
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O escândalo rebentou, as denúncias multiplicaram-se e a onda de contestação e apoio assaltou Hollywood com a hashtag #metoo à cabeça. Nos Globos de Ouro já se ouviram discursos fortes, como o de Oprah, e a passadeira vermelha fez-se em tons de negro como forma de protesto. É por isso de esperar discursos controversos na cerimónia dos Óscares deste ano, que acontece a 4 de Março. O que, a bem dizer, até já começa a ser uma tradição. Se nas últimas edições tem sido vulgar, certo é a coisa ter começado há décadas, como vemos nestes dez exemplos.

Óscares: discursos polémicos

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Marlon Brando (1973)

Marlon Brando não foi o primeiro a baldar-se à entrega dos Óscares (essa ousadia pertence a George C. Scott, em 1970, quando ganhou o Óscar de Melhor Actor pelo seu papel em Patton, e chamou à cerimónia um “desfile de carne”), mas o Melhor Actor de 1973 (pel'O Padrinho, de Francis Ford Coppola) fez a coisa com mais estilo. Brando, decidido a protestar contra o tratamento dos índios americanos pela indústria do cinema, enviou em sua vez a activista apache Sacheen Littlefeather para explicar os motivos. Não foi muito bem recebida. E nunca ninguém esqueceu.

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Vanessa Redgrave (1978)

Outro discurso que faz parte dos anais dos protestos hollywoodianos, e provavelmente o mais controverso, foi proferido por Vanessa Redgrave depois de receber a estatueta de melhor Actriz Secundária pelo seu papel em Júlia, de Fred Zinnemann. Acontece que, no mesmo ano, a actriz financiou e narrou um documentário sobre a Organização de Libertação da Palestina que muito incomodou judeus radicais. Foram mesmo esses que resolveram manifestar-se e protestar junto da Academia. E foi a eles que ela respondeu evocando a luta contra o fascismo e chamando-lhes um “punhado de arruaceiros sionistas.”

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Halle Berry (2002)

A sua interpretação em Monster's Ball – Depois do Ódio, de Marc Forster, deu a Halle Berry a consagração como Melhor Actriz do ano. E mais: um lugar na história do cinema ao ser a primeira mulher afro-americana a ganhar um Óscar, responsabilidade que imediatamente pesou à actriz. A sua reacção e o seu discurso são dos mais emotivos e comoventes, dedicando o prémio a “todas as mulheres de cor, sem nome nem rosto, que agora têm uma oportunidade porque esta porta foi aberta.”

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Michael Moore (2003)

Em 2018 as suas posições já não surpreendem, mas em 2003 o realizador norte-americano apanhou muitos de surpresa ao apontar o dedo a George W. Bush. Michael Moore, que recebia o Óscar de Melhor Documentário por Bowling for Columbine, atacou o então Presidente pela Guerra do Iraque, ainda no seu início. Chamou-lhe “presidente fictício”, eleito numas “eleições fictícias”. “Somos contra esta guerra, Mr. Bush. Tenha vergonha.” Ouviu apupos e aplausos e a música para terminar o discurso tocou.

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Sean Penn (2009)

Antes de se entreter entrevistando barões de droga mexicanos, Sean Penn aproveitou o seu Óscar de Melhor Actor, pela sua interpretação de Harvey Milk, em Milk, de Gus Van Sant, para advogar, como a sua personagem, os direitos da comunidade LGBT. Era um tempo em que o casamento entre pessoas do mesmo sexo era uma raridade apenas autorizada em alguns países e em poucos estados da América do Norte, e Penn dirigiu-se directamente aos opositores pedindo-lhes para reflectirem e deixarem de carregar “essa vergonha”. 

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Jared Leto (2014)

Primeiro fez uma homenagem à mãe, e, depois, Jared Leto prosseguiu o seu discurso de agradecimento pelo triunfo na categoria Melhor Actor Secundário (O Clube de Dallas, de Jean-Marc Vallée) virando-se para os assuntos internacionais. Na altura, grandes protestos por razões económicas e respectiva repressão governamental eram a ordem do dia na Venezuela e na Ucrânia, e o actor e cantor fez questão de apoiar os manifestantes antigovernamentais desses países, e ainda os direitos LGBT e daqueles que vivem com sida. 

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Patricia Arquette (2015)

Ao princípio não aconteceu nada. Obrigado a este e àquele, enfim, o costume traduzido numa longa lista de nomes. Mas, quando nada o fazia prever, como quem já aqueceu para o importante, a vencedora do Óscar de Melhor Actriz Secundária pelo seu papel em Boyhood: Momentos de Uma Vida, de Richard Linklater, Patricia Arquette, fez questão, ou sentiu a necessidade, tanto faz, de reclamar contra as diferenças salariais entre homens e mulheres. O apoio de Meryl Streep e Jennifer Lopez é imediato e entusiasta. 

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Laura Poitras (2015)

Laura Poitras, vencedora de um prémio Pulitzer, subiu ao palco para receber o Óscar de Melhor Documentário com Citizenfour, sobre Edward Snowden e todo o processo que levou à denúncia das práticas de vigilância e espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana. Não é por isso de estranhar que no seu discurso de agradecimento, Poitras tenha apontado o dedo às autoridades denunciadas: “Não só expõem uma ameaça à nossa privacidade mas à nossa própria democracia". “Obrigada Edward Snowden pela coragem.”

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Leonardo DiCaprio (2016)

É preciso esperar uns minutos, que Leonardo DiCaprio é pessoa cordata, capaz de evitar piadas sobre ganhar o Óscar depois de anos de nomeações e com necessidade de fazer alguns agradecimentos. Mas o final do seu discurso, depois de receber o Óscar de Melhor Actor pela sua interpretação em The Revenant: O Renascido, de Alejandro G. Iñárritu, não é de meias palavras. Diz ele: “As mudanças climáticas são reais. Estão a acontecer, agora. (…) E é necessário apoiar os líderes que por todo o mundo não falam em nome dos grandes poluidores ou das grandes corporações, mas sim em nome da humanidade.” 

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Asghar Farhadi (2017)

Na verdade, foi Anousheh Ansari, astronauta iraniano-americana, quem leu o discurso de Asghar Farhadi, uma vez que o realizador fez questão de faltar à cerimónia em protesto contra a proibição de entrada nos Estados Unidos decretada então por Donald Trump – o Irão era um dos países visados. O realizador venceu o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro com O Vendedor e no discurso de agradecimento lembrou a falta de "respeito ao povo" do seu país e de outros países visados pela "lei desumana que bane a sua entrada nos Estados Unidos”.

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Os filmes que ganharam mais Óscares

No dia em que foram anunciadas as nomeações para a cerimónia de 2018, dizemos-lhe quais os filmes com o maior número de estatuetas no currículo. TitanicBen-Hur, a terceira parte da trilogia O Senhor dos Anéis ou West Side Story Amor sem Barreiras estão entre os filmes recordistas de Óscares na história do cinema.

Correio de Droga (2018)
©DR
Filmes

Os injustiçados das nomeações aos Óscares

É inevitável. Todos os anos há faltas, omissões e esquecimentos de lamentar, incompreensíveis, ou pura e simplesmente injustos na lista dos indicados aos Óscares da Academia. A lista deste ano não é excepção, muito pelo contrário. 

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