Sete filmes estrangeiros realizados em Lisboa

Bazófia aparte, Lisboa tem uma bela relação com as câmaras de cinema. A capital fica tão bem no ecrã que está em quase 20 mil filmes, boa porção deles estrangeiros

©SHFPComboio Nocturno para Lisboa, com Jeremy Irons

Muito antes dos turistas chegou o cinema, as produções estrangeiras que aqui encontraram cenário para, enfim, tudo. Lisboa faz de si própria, mas também pode ser outra qualquer, que a antiguidade e a monumentalidade e a natureza e a luz dão para muito mais do que os sete filmes alinhados a seguir. 

Sete filmes estrangeiros realizados em Lisboa

007 – Ao Serviço de Sua Majestade (1969)

A coisa foi assim. Sean Connery fez um intervalo de ser James Bond (lá voltaria mais duas vezes) e a produção e o realizador, Peter R. Hunt, acharam por bem filmar em Lisboa. O problema foi terem escolhido George Lazenby para protagonista e, talvez, matarem Diana Rigg demasiado cedo. Mas, além dos méritos cinematográficos da película, esta tem o valor de apresentar muito decentemente o Guincho, a Quinta do Zambujal, perto de Setúbal, mais a sempre esquecida Cacilhas e umas partes do Ribatejo. Mas é em Lisboa, melhor, na Joalharia Ferreira Marques, no Rossio, e no esplendor do Hotel Palácio, no Estoril (ou não tivesse passado por lá Ian Fleming, o iniciador da saga), que melhor se apresenta a modernidade, o luxo (não se vê um pobre; nem sequer um prédio em mau estado, e menos ainda as carroças que por aí andavam) e o cosmopolitismo salazarista.  

A Cidade Branca (1983)

Quem já ouviu falar na luz da cidade branca (uma expressão que alguns líricos gostam de usar), mesmo sem saber, ouviu-a a propósito do filme de Alain Tanner. Apaixonado pela luz e pelo casario, o realizador suíço usou o lado terceiro-mundista da cidade para filmar o amor amalucado entre as personagens interpretadas por Bruno Ganz e Teresa Madruga. A crítica na generalidade gostou. O público lá foi em número razoável. Da história do marinheiro que abandona o navio e, no meio do tédio, se apaixona por uma modesta criada, disso, já ninguém se lembra. Mas ficou a expressão “cidade branca”, lá isso ficou. 

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A Casa da Rússia (1990)

Quem passou pelo Príncipe Real nos dias em que a equipa de A Casa da Rússia ali filmou dificilmente reconheceria Lisboa. No entanto, a capital, vista de maneira uma bocadinho turística, com tantos monumentos à vista, é cenário essencial do trama do filme, pois aqui se refugia a figura central, o editor inglês Barney Blair, isto é, Sean Connery a fazer de espião reformado. Inspirado na obra homónima de John Le Carré, com a Guerra Fria por pano de fundo e uns documentos secretos em jogo, o filme foi realizado por Fred Schepisi e, ao lado de Connery, está Michelle Pfeiffer. 

A Casa dos Espíritos (1993)

Meryl Streep, Jeremy Irons, Glenn Close e Winona Ryder, ah, e também Antonio Banderas, protagonizam este filme. Apesar de tanto talento e experiência em cena, cinematograficamente, apesar dos seus méritos, a coisa não correu por aí além ao realizador Bille August, que adaptou, claro, o romance de Isabel Allende. As desventuras da família Trueba passam-se nos Andes, do lado do Chile, porém grande parte das filmagens foram feitas em Lisboa e no Monte das Três Marias, em Vila Nova de Milfontes, no Alentejo. 

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Viagem a Lisboa (1994)

Wim Wenders já tinha filmado a Praia Grande. Nessa altura quase não tinha cheta e andava de cadeias avessas com uns americanos que queriam fazer gato-sapato de um seu filme. Quando voltou para dirigir Viagem a Lisboa (e mais vezes havia de voltar) já veio como uma espécie de convidado de honra. Ou melhor: com o estatuto de cineasta prestigiada com a encomenda de mostrar ao mundo a capital través de uma ficção de “qualidade”. E assim é. E assim um engenheiro de som alemão que vem ajudar um realizador entretanto desaparecido encontra os Madredeus. E assim se apaixona por Teresa Salgueiro, com quem tem conversas lírico-amorosas-platónicas. E assim troca filosofias (a ideia de Portugal e essas coisas, está-se mesmo a ver) com Pedro Aires de Magalhães. E assim também lá está Manoel de Oliveira, a fazer de Charlot, provavelmente porque sim.

A Nona Porta (1999)

Agora é mais Sintra. Até porque o magnífico Éden de Byron é cenário bastante adequado a uma história que mete uma sociedade secreta e que Roman Polanski foi buscar a Clube Dumas, o romance de Arturo Pérez-Reverte, onde o escritor espanhol criou um bando de obcecados por certos clássicos literários com uma especial predilecção pela obra de Alexandre Dumas. É por isto que Johnny Depp, quer dizer, a sua personagem, pode ser visto no Hotel Central, pela Estrada da Pena afora, ou a passear-se pelos salões do Chalet Biester.

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Comboio Nocturno para Lisboa (2013)

Alguma coisa de Lisboa e de Portugal deve ter ficado em Bille August. O certo é, 20 anos depois de Casa dos Espíritos, o realizador regressa e, por conta de professor obcecado com um livro sobre a resistência ao fascismo, filma fartamente a Igreja da Cartuxa, em Caxias, o Cais de Belém e a Estação de Santa Apolónia, o Cemitério dos Prazeres ou um bar, na Bica, para o caso feito mercearia, enquanto se perde entre ruelas e miradouros e jardins como um turista fascinado. Jeremy Irons é o professor e protagonista e centro de tudo, mas actores portugueses (Beatriz Batarda, Nicolau Breyner, Marco d’Almeida) não deixam de ter papéis relevantes. 

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