Sete papéis inesquecíveis de Martin Landau

O falecido actor americano fez história na televisão em 'Missão Impossível' e 'Espaço: 1999', mas também se distinguiu no cinema, sobretudo na segunda parte da sua carreira
 Ed Wood (1994)
Ed Wood (1994)
Por Eurico de Barros |
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Ao longo de mais de 60 anos de trabalho, o veterano Martin Landau entrou em muitas das séries mais conhecidas da televisão, e no cinema ganhou um Óscar de Melhor Actor Secundário pela sua memorável interpretação de outro actor, Bela Lugosi, em 'Ed Wood', de Tim Burton (1994)

Sete papéis inesquecíveis de Martin Landau

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‘Intriga Internacional’, de Alfred Hitchcock (1959)

Martin Landau abandonou uma carreira bem paga, confortável e segura como cartoonista na imprensa em Nova Iorque para se dedicar à representação, e logo à segunda participação no cinema, conseguiu um bom papel secundário neste policial de Hitchcock, interpretando o sádico homem de mão do vilão sofisticado de James Mason, um espião internacional. Landau foi escolhido por Hitchcock para o papel depois de o ter visto em palco na Broadway, ao lado de Edward G. Robinson, fazendo um papel de “duro” num drama de Paddy Chayefsky. O rótulo negativo colou-se a ele, porque até entrar para o elenco de Missão Impossível, em 1966, Martin Landau interpretou, no cinema, vários papéis de vilão, com raras excepções, caso de Cleópatra, de Joseph Mankiewicz, em 1963.
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‘Missão Impossível’ (1966-1969)

Quando aceitou interpretar o papel de Rollin Hand, o mestre dos disfarces e dos sotaques da equipa de agentes secretos especiais liderada pela personagem Peter Graves, Martin Landau não fazia ideia que ia entrar para a história da televisão e que Missão Impossível iria transformar-se numa das séries de culto do pequeno ecrã. O actor só se tornou membro permanente do elenco da série (do qual também constava a sua mulher, Barbara Bain) na segunda temporada, já que não queria que Missão Impossível interferisse com a sua principal aposta profissional: a carreira no cinema. Por isso, Landau até pediu aos produtores que lhe fizessem um contrato renovável todos os anos, em vez de um de cinco anos, como era hábito. A série valeu-lhe, em 1967, um Emmy de Melhor Actor Dramático.
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‘Espaço: 1999’ (1975-1977)

O sucesso de Missão Impossível na Europa levou a que Martin Landau e Barbara Bain fossem contratados para esta série de ficção científica inglesa, contra vontade dos seus criadores, Gerry e Sylvia Anderson, que queriam actores ingleses para interpretar os papéis de John Koenig, o comandante da base lunar Alfa, e da doutora Helena Russell. No entanto, Sir Lew Grade, o produtor, queria caras americanas conhecidas para vender Espaço: 1999 às televisões dos EUA, e Landau e Bain ficaram. A série não teve o sucesso esperado na altura e foi cancelada após duas temporadas, mas com o tempo ganhou reconhecimento e culto. E após Missão Impossível, Martin Landau viu-se assim associado a outra das ficções televisivas que marcaram uma geração de telespectadores, e tal como aquela, ficou para a posteridade.
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‘Tucker: O Homem e o seu Sonho’, de Francis Ford Coppola (1988)

Foi graças ao papel que Francis Ford Coppola lhe deu neste filme sobre a história real de Preston Tucker (Jeff Bridges), o homem que nos anos 40 quis construir um inovador carro com o seu nome, que a carreira de Martin Laudau deu uma volta de 180 graus. O actor tinha então já 60 anos e andava por fitas quase sempre indiferentes e papéis mais ou menos alimentares na televisão. Embora o filme não tenha feito bem nas bilheteiras, a interpretação de Landau no entusiástico Abe Karatz, um financiador que acredita no sonho de Tucker, foi aclamadíssima pela crítica e deu-lhe, entre outros prémios, o Globo de Ouro de Melhor Actor Secundário, bem como uma nomeação para o respectivo Óscar. A partir de Tucker: O Homem e o seu Sonho, os papéis começaram a ser mais e sobretudo melhores.
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'Crimes e Escapadelas', de Woody Allen (1989)

Martin Landau recebeu a segunda nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário pela sua actuação nesta comédia dramática de Woody Allen. Ele faz o papel de Judah Rosenthal, um respeitado oftalmologista de Nova Iorque e chefe de família, que manda matar a amante através do irmão, um sujeito ligado ao crime, e depois é assaltado pelo remorso e pelo temor de Deus. Allen disse então que estava a ter uma enorme dificuldade em arranjar o actor ideal para interpretar Judah, e que quando fez a audição a Landau, tudo bateu e soou certo. E acrescentou: “Uma das explicações para isto deve ser porque Martin Landau vem do meu bairro em Brooklyn, apenas a alguns quarteirões de onde eu costumava viver”. Este era também um dos papéis favoritos do actor.
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‘Ed Wood’, de Tim Burton (1994)

O Óscar de Melhor Actor Secundário foi parar finalmente às mãos de Martin Landau pela sua brilhante personificação de Bela Lugosi, neste filme de Tim Burton sobre Ed Wood, o pior realizador de todos os tempos, autor de alguns dos filmes mais inenarravelmente maus da história do cinema. Martin Landau disse na altura que interpretou um Bela Lugosi já esquecido, decadente e doente sem qualquer intenção de o caricaturar, mas sim com respeito e compaixão por ele: “Para mim, este papel foi uma carta de amor que lhe enviei, porque ele nunca teve uma oportunidade de sair da situação em que caiu. Eu tive uma segunda oportunidade na minha carreira, estou a dar-lhe o último papel que ele nunca teve”. Além do Óscar, Landau ganhou ainda o Globo de Ouro, o prémio da Screen Actors Guild e o Prémio Saturno.
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‘A Vedeta’ (2006-2008)

Apesar de ter continuado a singrar no cinema, Martin Landau nunca deixou de fazer televisão nesta segunda parte da sua carreira, aparecendo com regularidade em vários telefilmes e séries. Um dos seus papéis mais conseguidos foi em A Vedeta, a série baseada no quotidiano de Mark Wahlberg e da sua roda de familiares e amigos em Hollywood. Landau apareceu personificando Bob Ryan, um produtor veterano e profissionalmente nas últimas, que tem uma última oportunidade de tentar alcançar a glória. A sua interpretação valeu-lhe uma nomeação para um Emmy, e a personagem foi tão bem acolhida, que o actor voltou a ela no filme que foi rodado em 2015 com base na série, Entourage-Vidas em Hollywood.

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Filmes

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Nasceu na Califórnia, em 1956. Aos 19 anos, decidiu fazer os Estados Unidos de uma ponta à outra, de mota, com o seu irmão. Foi nessa viagem que acumulou uma série de experiências, essenciais na hora de interpretar o que veio depois.  Recentemente, sobretudo depois de Breaking Bad, participou em filmes como Argo (2012), Godzilla (2014), Trumbo (2015) e vai ainda entrar num dos filmes mais esperados do ano: Power Rangers. Mas há outros de que talvez não se recorde. Lembra-se de Shannon, em Drive (2011), patrão do motorista (feito por Ryan Gosling) com mais estilo do cinema? E o Coronal do Departamento de Guerra, em Resgate do Soldado Ryan? Pois é. Se procurar bem, vai encontrar Cranston por aí. Felizmente.   

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