Sete Pecados Mortais em sete filmes imortais no CCB

O Centro Cultural de Belém dedica Abril ao pecado e a inspiração para "Tirai os Pecados do Mundo" vem da obra de Bosch. O programa é vasto, e na secção dedicada aos pecados mortais há sete filmes imortais.

The Wolf of Wall Street

O pintor Hieronymus Bosch, que no século XV estabeleceu uma visão do Inferno tão vívida como a de Dante, é o padroeiro deste vasto programa que escolheu tratar os sete pecados mortais através do cinema. Sete filmes para sete pecados. Isto é: uma viagem pelo excesso e pelo prazer e pela perturbação e pelo enigma.

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Sete Pecados Mortais em sete filmes imortais no CCB

A Gula – A Festa de Babette

Na sua longa carreira, o realizador dinamarquês Gabriel Axel teve momentos altos. Mas em 1987, ao 65º filme, tornou-se subitamente popular internacionalmente graças a esta película escolhida para representar a Gula.

Baseado em conto da escritora Karen Blixen, com argumento do próprio realizador e interpretações de Stéphane Audran, Bodil Kjer e Birgitte Federspiel, o enredo conta como Babette, uma refugiada francesa da Guerra Franco-Prussiana, no final do século XIX, é acolhida por uma comunidade religiosa dinamarquesa, tornando-se criada das filhas do falecido pastor. Acontece que a criada ganha um chorudo prémio na lotaria e resolve oferecer à família que a acolhe e emprega um banquete em honra do ministro protestante, servindo as melhores iguarias da cozinha francesa. Através do prazer da comida, aos pouco leva os convidados a quebrar o seu puritanismo.

Terça, 10, 21.00.

A Luxúria – De Olhos Bem Fechados

Em 1999, Stanley Kubrick morreu deixando um último filme que, não sendo um testamento cinematográfico, resume muitas das preocupações, interesses e obsessões expressas ao longo da sua obra.

De Olhos Bem Fechados não foi propriamente bem recebido nem pela crítica nem pelo público. Contudo, o tempo tem-lhe feito justiça, e a maioria dos opositores até já ultrapassou o trauma de ver um mestre entre os mestres do cinema de autor dar o papel de protagonista a Tom Cruise (então o maior astro do firmamento hollywoodiano) e à então senhora Cruise, Nicole Kidman.

Com o tempo, esta obra tem vindo a revelar uma substância psicológica não entendida na altura da estreia. É uma fábula pouco moral sob a forma de viagem ao mundo de uma sexualidade desenfreada e obsessiva, que arrasta os protagonistas para experiências radicais que tanto os chocam como fascinam, fazendo-os colidir com a hipocrisia sentimental do seu mundo de aparências.

Quinta, 12, 21.00.

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A Ira – O Ódio

A vida é como é. E esta, retratada no filme de Mathieu Kassovitz, em 1995, e escolhida para representar a Ira no CCB, é do tipo hostil, vivida em contextos sociais e familiares daqueles a que se costumam chamar problemáticos.

Vincent Cassel, Hubert Koundé e Saïd Taghmaoui interpretam personagens que vivem nos subúrbios de Paris, com os valores e códigos que se impõem a quem tenta sobreviver num meio que tem em comum pouco mais do que o ódio à polícia e às autoridades em geral. Ora, estes três, escapando à justa a uma carga policial durante um motim popular, provocado pela morte de um rapaz pela polícia, embrenham-se pela noite parisiense numa sanha de vingança traduzida em violência descabelada, que Kassovitz filma de maneira trepidante.

Sábado, 14, 21.00.

A Inveja – Que Teria Acontecido a Baby Jane?

Bem se pode dizer que, em 1962, Robert Aldrich filmou as voltas que a vida dá, ao mesmo tempo traçando um mapa da Inveja, precisamente o pecado que este filme representa na programação de "Tirai os Pecados do Mundo".

No argumento de Lukas Heller, a partir do romance de Henry Farrell, encontra-se, já velha, com queda para o álcool e sinais de demência, Baby Jane (Bette Davis), antiga estrela cinematográfica na juventude que, há muito, abandonou a carreira para tratar da irmã, Blanche (Joan Crawford), tornada paraplégica depois de um estranho acidente de automóvel. Ora, quando Jane sabe das intenções da irmã em vender a mansão que comprou logo no início da sua carreira fica possessa. E mais possessa fica quando percebe que o seu internamento faz parte dos planos de Blanche, informação que espoleta uma jornada de crueldade e vingança sem par.

Segunda, 16, 21.00.

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A Preguiça – As Férias do Sr. Hulot

Depois de tanto drama, uma comédia vem mesmo a calhar. Esta, representante da Preguiça, filmada por Jacques Tati em 1953, é de primeira água, não só na representação do pecado em si, mas principalmente no retrato que traça das férias da pequena-burguesia, como então se chamava a classe média.

Com Nathalie Pascaud, Micheline Rolla e o próprio realizador entre um vasto elenco de personagens caricaturais, a obra, sob o pretexto de acompanhar as férias do senhor Hulot durante uns dias de descanso numa estância à beira-mar, regista a reacção dos veraneantes aos seus bizarros, embora inocentes ou apenas trapalhões, comportamentos numa hilariante sucessão de quadros.

Quarta, 18, 21.00.

A Soberba – O Quarto Mandamento

Por esta altura, 1942, Orson Welles, apesar do escândalo provocado no ano anterior com a estreia de O Mundo a Seus Pés (Citizen Kane), ainda não era o pária em que Hollywood o tornou, mas já era olhado de lado – em boa parte por conta da sua soberba, o que torna duplamente adequado a escolha de O Quarto Mandamento para representar o sexto pecado mortal.

Soberba que não o impediu de, a partir do romance de Booth Tarkington, escrever e dirigir, com Tim Holt, Joseph Cotten e Dolores Costello, este filme, sem dúvida, soberbo. História da família Amberson, que tem como epicentro o filho de Isabel e de Wilbour Minafer, George, um arrogante intratável que, depois da mãe enviuvar tenta por todos os meios impedir a sua relação com um antigo namorado, no processo arruinando a família.

Sexta, 20, 21.00.

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A Avareza – O Lobo de Wall Street

Martin Scorsese, neste seu filme de 2013, último do ciclo, encontrou na história verdadeira de Jordan Belfort, conforme contada pelo próprio em autobiografia, um extraordinário exemplo de avareza nos tempos modernos.

Tudo se passa nos anos de brasa da finança norte-americana (isto é: última década do século passado, princípio deste) e o realizador filma, em regime de alucinação monetária induzida por muitas drogas e maior presunção, como da especulação se passa ao crime.

O filme, protagonizada por Leonardo DiCaprio e Jonah Hill, é uma verdadeira história de ganância, de ausência de escrúpulos e das muitas e variadas maneiras, incluindo as ilícitas, de como então se ergueram impérios financeiros à custa do dinheiro dos iludidos pela quimera do capitalismo popular que ia levando o mundo à bancarrota.

Sábado, 21, 21.00.

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