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Timothée Chalamet: “Não sei como é que isto aconteceu”

Entrevista a Timothée Chalamet, o protagonista de "Beautiful Boy", o novo filme de Felix Van Groeningen

Timothée Chalamet
Francois Duhamel
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O nova-iorquino Timothée Chalamet só tem 22 anos, mas já foi nomeado para um Óscar e apareceu em mais filmes aplaudidos pela crítica do que muitas estrelas com o dobro da sua idade. De Chama-me pelo teu Nome a Lady Bird, passando por Interstellar e agora Beautiful Boy.

Além disso, nos últimos dois anos, Chalamet (o pai é francês) tornou-se um fenómeno na internet. Os seus cortes de cabelo são notícia, já foi considerado o “novo Brando” e mais de 61 mil pessoas seguem-no no Instagram.

Por enquanto, o actor está a gostar de estar no centro do furacão. Apaixonado por filmes e hip-hop, ainda fica entusiasmado quando conhece os seus heróis – e por poder pagar as contas com o seu trabalho de actor. “Nada disto me deixa indiferente”, diz. “Ainda não faço ideia de como é que isto aconteceu”.

 

O teu personagem em Beautiful Boy, o Nicolas, é viciado em metanfetaminas e não está nada bem. Foi difícil pores-te na sua pele?

Ele é um jovem perdido e autocomiserativo – é algo em que qualquer pessoa se consegue rever. Acho que o trabalho de um actor é ser tão natural e cru quanto possível, como uma ferida aberta.

É outro papel que dá que pensar. Fazer filmes desafiantes é uma decisão consciente?

Cresci num prédio de artistas com subsídios públicos, em Nova Iorque, onde as pessoas tinham de se esforçar para o dinheiro chegar ao fim do mês. Portanto ser financeiramente auto-
-suficiente sempre foi o meu principal objectivo.

Todos os filmes em que entras parecem ser um sucesso. Sentes essa pressão?

Prefiro stressar por ter muito trabalho do que estar sentado no apartamento à espera que o telefone toque. Ou, por exemplo, filmar um vídeo de casting para O Demónio de Néon , depois de passar uma semana a ensaiar, enviá-lo e nunca ter uma resposta. Ou para A Teoria de Tudo. Ou para A Casa da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares.

Trabalhaste com a Greta Gerwig no Lady Bird e agora vais entrar no remake de Mulherzinhas que ela está a fazer. O que é que te cativou no filme?

Trabalhava com a Greta em qualquer coisa. Ela deixa-me completamente espantado. Gosto de trabalhar com realizadores que são dez vezes mais espertos do que eu. Além disso, posso voltar a contracenar com a Saoirse Ronan.

Como no Lady Bird? Porque é que achas que as pessoas gostaram tanto do filme?

Porque, apesar de já termos visto variações daquela personagem no cinema, nenhuma tinha as mesmas referências culturais.

Como curtir ao som de “Cry Me a River”?

Exacto. Em Brooklyn, no Natal, toda a gente se estava a rir nesse momento. A Greta enviou uma mensagem privada ao Justin Timberlake só para usar essa canção.

Alguma vez conheceste um dos teus ídolos?

Sim. O Kid Cudi é uma inspiração para mim e viu os filmes que eu fiz no ano passado e percebeu mesmo o que eu estava a fazer. Foi inacreditável. Só de pensar nisso quase que choro.

Que poster tinhas na parede em crianças?

Jimmy Briand, um futebolista francês que na altura jogava no Rennes. Havia uma revista de futebol em França chamada Onze que tinha óptimos posters. Comprava-as em França e tentava trazer todas as que conseguia para os Estados Unidos.

Vês-te a fazer um filme de super-heróis?

Quero estar aberto a todas as experiências.

O Cavaleiro das Trevas é um filme de super-
-heróis e é a razão pela qual quis ser actor.

Qual foi a estrela com que ficaste mais impressionado e fascinado por conhecer?

Talvez o Matthew McConaughey, quando o conheci no Interstellar. É mesmo uma estrela de cinema, confiante e austera. E também fiquei fascinado quando conheci o Christian Bale. Lembro-me de ele me pedir para repetir o meu nome para ele o decorar e, por momentos, fiquei sem palavras.

Disseste-lhe que adoras O Cavaleiro das Trevas?

Fiz-lhe muitas perguntas sobre o filme. Mas mais ainda sobre o Psicopata Americano, porque adoro esse papel.

Como é que lidas com a pressão dos castings?

Não lido. Não sei como. Por favor, diz-me como é que isso se faz. Há um filme chamado White Boy Rick que está para estrear. Chorei durante horas depois desse casting.

E nem ficaste com o papel. Espero que te tenham visto a chorar.

Não. Mas o mais importante num casting é o momento em que sais da sala. E a maneira como lidas com a rejeição. Curiosamente, eu nunca fiz um casting para o Chama-me pelo
teu Nome
. Limitei-me a ler umas deixas em Nova Iorque.

E não consideras isso um casting?

Estava a ensaiar com outro actor. E ele sugeriu que lêssemos umas deixas para o [realizador] Luca Guadagnino e o [argumentista] James Ivory. O meu coração parou porque eles nunca me tinham visto a ler nada. Fui para casa do meu amigo e passámos a noite a ensaiar. Estava cheio de medo que achassem que eu era terrível.

Qual foi a última coisa que ouviste sobre a possível sequela do Chama-me pelo teu Nome?

O Armie [Hammer] é a última pessoa com quem falei. Eu quero fazer isso. E ele também. Gosto de pensar que podia ser quase como o Boyhood – Momentos de Uma Vida, em que acompanhas os personagens ao longo dos anos.

Qual é a tua interacção mais memorável com um fã?

Acho que foi em Szilvásvárad, na Hungria. Um Mercedes travou bruscamente ao meu lado. Pensei: o que é que se passa? E de repente saiu lá de dentro uma miúda que tinha uma capa de telemóvel do Chama-me pelo teu Nome e queria que eu assinasse umas coisas.

Gostas de ser famoso?

Tenho algum receio de estar a gostar tanto. Percebo que algumas pessoas achem que a experiência de serem paradas pelos fãs seja abrasiva, mas não me sinto como o Michael Keaton no Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), ou assim.

É verdade que levaste a tua mãe à cerimónia de entrega dos Óscares?

Há um gif que eu adoro. Que é quando o James Ivory [argumentista do Chama-me pelo teu Nome] ganha. O Armie e eu levantámo-nos para aplaudir. E depois a minha mãe, que é mais baixa do que eu, aparece de repente no canto inferior esquerdo da imagem, como um gerbo. Às vezes, a Elizabeth [Chambers] e o Armie ainda mandam isso um ao outro.

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