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Vinganças femininas no cinema

'Vendeta', da francesa Coralie Fargeat, já em exibição, dá o mote para recordarmos um punhado de filmes sobre mulheres que se vingam do mal que lhes fizeram

Kill Bill: Vol. 1
Kill Bill: Vol. 1
Por Eurico de Barros |
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São violadas, brutalizadas, matam-lhes os maridos, os noivos ou os namorados, tiram-lhes ou os raptam-lhes os filhos, arruinam-lhes as vidas. As mulheres destes "revenge movies" (e "rape and revenge movies") têm motivos muito fortes para irem atrás daqueles que as maltrataram, e àqueles que mais amavam, e darem cabo deles, por vezes com requintes de malvadez. E são interpretadas por actrizes como Zoe Tamerlis, Sondra Locke, Uma Thurman, a sul-coreana Yeong ae-Lee ou Jodie Foster, dirigidas por cineastas como Abel Ferrara, Clint Eastwood, Quentin Tarantino, Chan wook-Park ou Neil Jordan.

À boleia de Vendeta, em cartaz esta semana, eis uma lista de sete filmes de vinganças femininas.

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Vinganças femininas no cinema

‘Mulher Violada’, de Meir Zarchi (1978)

Na linha de The Last House on the Left, de Wes Craven, feito alguns anos antes, este filme sobre uma escritora novaiorquina que é violada por quatro homens quando de férias no campo e deixada por morta, e depois se vinga deles da forma mais cruel possível, é um típico título de exploitation da década de 70, tendo sido proibido ou censurado em vários países. Teve um remake em 2010, seguido de várias continuações. Camille Keaton, a protagonista, entraria noutros filmes iguais, caso de Savage Revenge (1983).

‘Vingança de uma Mulher’, de Abel Ferrara (1981)

Uma sólida e genuína série B e um dos primeiros filmes de Abel Ferrara. Zoe Tamerlis interpreta uma tímida e muda costureira que é violada duas vezes na mesma noite, conseguindo matar o segundo homem, que lhe estava a assaltar a casa. De posse da arma deste, começa a sair para as ruas de Nova Iorque à noite e a matar homens ameaçadores ou que estão a maltratar mulheres. Directo e visceral, Vingança de uma Mulher representa o melhor cinema de Ferrara, feito nas mean streets e alimentando-se das suas histórias e figuras.
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‘Impacto Súbito’, de Clint Eastwood (1983)

O quarto filme protagonizado pelo inspector “Dirty” Harry Callahan de Clint Eastwood tem no centro uma história de vingança feminina. Sondra Locke, então namorada do actor e realizador, interpreta Jennifer Spencer uma artista plástica que foi vítima de uma violação colectiva juntamente com a irmã, que ficou em estado vegetativo. Dez anos depois, ela vai vingar-se dos violadores e Callahan investiga o caso. Eastwood põe Jennifer a usar os quadros que pinta, verdadeiras visões de pesadelo, para tentar purgar as memórias da violação.

‘Arma de Fogo’, de Tony Garnett (1983)

Argumentista e produtor, nomeadamente de filmes de Ken Loach, o britânico Tony Garnett também realizou um par de fitas. Uma delas é Arma de Fogo, rodada nos EUA. Uma pacata rapariga católica que se mudou de Boston para Dallas é violada por um rapaz aparentemente afável com quem saiu, e decide caçá-lo e matá-lo. Para isso, aprende a atirar e masculiniza a sua imagem. Arma de Fogo é uma invulgar combinação de rape and revenge movie feminino e de reflexão documental sobre a cultura das armas nos EUA.
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‘Kill Bill-A Vingança (Vol.1 e 2’), de Quentin Tarantino (2003/2004)

O tema da vingança feminina, aqui representada pela “Noiva” de Uma Thurman, que volta literalmente da sepultura para matar aqueles e (aquelas) que lhe devastaram a vida, é apenas um cabide em que Quentin Tarantino pendura, nesta produção em duas partes (ou “volumes”), uma homenagem multiforme a vários subgéneros do cinema de acção: filmes de artes marciais, blaxploitation, séries Z de ultraviolência e até mesmo a mais sangrenta das anime nipónicas. Seja como for, as mulheres têm um enorme destaque na história e no elenco.

‘Vingança Planeada’, de Chan wook-Park (2005)

Eis aquele que é, provavelmente, o melhor revenge movie feminino já feito, e que encerra a Trilogia da Vingança do realizador sul-coreano, também composta por Em Nome da Vingança e Oldboy-Velho Amigo. Yeong ae-Lee interpreta uma mulher que esteve injustamente presa durante 13 anos e à qual as autoridades tiraram a filha. Uma vez libertada, vai descobrir e matar o raptor e assassino de crianças em vez do qual foi presa. Vingança Planeada consegue ser sofisticado, absorvente, brilhante e inventivo (ver a resolução “colectiva”). Aqui, a vingança é dupla: de mulher, mas também de mãe.
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‘A Estranha em Mim’, de Neil Jordan (2007)

Jodie Foster tem aqui uma soberba interpretação no papel de Erica Bain, uma radialista de Nova Iorque que se transforma numa “vigilante” após ela e o namorado terem sido brutalizados por malfeitores, levando à morte deste. O detective Mercer (Terrence Howard) desconfia que é ela que anda a matar delinquentes, mas não tem provas. A Estranha em Mim está uns bons furos acima da média do formato, graças ao realismo do retrato emocional e psicológico de Erica, e à relação que se estabelece entre ela e Mercer.

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