Sylvia Koonz, rainha de 2017

Eleita em Novembro Miss Drag Lisboa, Sylvia Koonz confessa que em Portugal é muito difícil – e muito mal pago – arranjar trabalho como drag queen. Fomos conhecer a realeza.
Sylvia Koonz
©Tallulah Maskell Sylvia Koonz
Por Clara Silva |
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Uma coisa é certa na nossa bola de cristal para 2018. Sylvia Koonz, a actual Miss Drag Lisboa, vai entregar a coroa à nova rainha drag da cidade. O ritual começou em 2017 e vai prolongar-se – se tudo correr bem – por muitos anos graças a Miss Moço (personagem do luso-canadiano Adam Moço), a organizadora e apresentadora do concurso. Adam Moço vai mudar-se em breve de Lisboa para o Canadá, mas promete voltar a tempo de tratar da segunda edição do concurso que escolhe a melhor drag queen da cidade.

Por enquanto, continuamos a fazer vénias à realeza de 2017: Sylvia Koonz, ainda a recuperar da vitória de Novembro, na Galeria Zé dos Bois. Sylvia, personagem criada por Pedro, tem menos de um ano de vida. “Já tinha vontade de fazer drag há muito tempo, mas não tinha coragem”, conta à Time Out. Não tinha coragem, mas já tinha um nome sonante, criado para uma personagem do jogo Second Life. “Uma personagem feminina”, sublinha. “Sempre fui muito fascinado pela moda feminina e pela maquilhagem.”

Há oito meses, um amigo que faz drag (Cher No-Bylzz, também concorrente da Miss Drag Lisboa 2017) incentivou-o a fazer um show conjunto no Finalmente, no Lugar Às Novas. “Já tinha treinado em casa, mas nada de jeito. Quando voltei para o camarim, pensei: ‘Uau, consegui estar num palco’.” Aliás, quem pesquisar no YouTube ainda encontra a performance Príncipe Encantado, em que Koonz e Cher No-Billz acabam a dançar ao som da banda de trashmetal Comme Restus no Finalmente. “Sou uma pessoa muito tímida e sempre tive fobia a público. Nunca pensei conseguir estar num palco. A Sylvia também me deu a conhecer muitas partes da minha personalidade.”

O anúncio para o concurso Miss Drag Lisboa surgiu no Verão, aproveitando a onda crescente de drag queens em Lisboa, grande parte fãs do concurso norte-americano RuPaul’s Drag Race. Sylvia Koonz foi uma das sete concorrentes escolhidas – em 2018 o número pode crescer – e diz ter gasto “muito dinheiro” com isso. Só uma peruca “das mais baratinhas” ronda no mínimo 40€. “Comecei logo a preparar os looks com meses de antecedência mas não tive muito tempo”, confessa. “Tenho faculdade durante o dia e trabalho à noite, não tenho tempo para quase nada. Lembro-me de entrar [no concurso], a primeira categoria foi a de swimwear, e lembro-me de estar lá com um fato de banho amarelo e um casaco azul e de olhar para as outras com fatos de banho cheios de jóias e flores e pensar que vinha mal preparado.”

Felizmente preparou bem o desafio principal, a prova de talento, com a performance Sylvia Vai à Discoteca, em que desconstrói muitos dos preconceitos associados às drags queens. “O pessoal que não está muito dentro da cultura drag só conhece a [brasileira] Pabllo Vittar. Já aconteceu imensas vezes eu estar com amigos em drag e dizerem-me: ‘Ai, pareces a Pabllo Vittar.’ Vão a outro: ‘Ai, tu também pareces a Pabllo Vittar.’” Há mais vida além da Pabblo Vittar e a prova disso é a própria Koonz (apelido inspirado no artista Jeff Koons), agora rainha de Lisboa e arredores.

Apesar de ter sido coroada, não teve muitos convites desde o concurso. Em Janeiro vai actuar na versão alfacinha da portuense Kiki Party e pouco mais. “Em Portugal é muito difícil, não há visibilidade, não há trabalho. Só há espaço para drag queens que fazem animação, que dançam em discotecas. Outras coisas é muito difícil.” Já para não falar no cachet. “Cheguei a rejeitar convites porque me queriam pagar 15 euros. A roupa, a maquilhagem, é tudo muito caro. E as pessoas que às vezes nos contratam não percebem isso.”

De qualquer forma, quando Sylvia Koonz passeia na rua “montada”, costuma ser respeitada. “Quando não estou em drag já me aconteceu na rua passarem por mim e dizerem ‘suas bichas, seus gays’. Em drag o mesmo tipo de pessoas só olha. Preferem respeitar uma personagem do que a vida real, é muito estranho e é muito triste.”

Lisboa gay

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Fotografia: Ana Luzia
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